Testemunha diz que Globo pagou propina por direitos de TV

Alejandro Burzaco citou também ex-presidente da CBF José Maria Marin

A Rede Globo foi uma das empresas que teria pago propina para vencer a concorrência dos direitos de transmissão de eventos esportivos investigados no Caso Fifa. A acusação é de Alejandro Burzaco, ex-diretor executivo da empresa de marketing argentina Torneos y Competencias S.A., em depoimento nesta terça-feira (14), no Tribunal do Brooklyn, em Nova York, Estados Unidos.

Outros cinco grupos de mídia foram acusados por Burzaco de pagar valores indevidos para garantir os direitos de transmissão de importantes campeonatos: Fox Sports (EUA), Televisa (México), Full Play (Argentina), Mediapro (Espanha) e Traffic (Brasil).

Ex-nome forte do futebol argentino, Alejandro Burzaco, hoje com 53 anos, teria pago milhões de dólares em propinas a dirigentes da Fifa e da Conmebol para obter os direitos de transmissão de competições como a Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa América. Ele é o primeiro de 24 pessoas envolvidas no escândalo que se declararam culpadas e assinaram acordo com a Justiça norte-americana — outras 18 também são acusadas. O executivo, que está preso desde 2015, afirmou ter pago subornos inclusive para os três dirigentes sul-americanos no banco dos réus: José Maria Marin, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Juan Angel Napout, ex-chefe de Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e Manuel Burga, ex-presidente da Confederação Peruana de Futebol.

Os três são os primeiros a serem julgados desde que procuradores norte-americanos revelaram um caso de corrupção contra dirigentes do futebol ao redor do mundo há mais de dois anos. 

Além de Marin, outros dois cartolas brasileiros foram indiciados: Ricardo Teixeira, também ex-presidente da CBF, e o atual chefe da entidade, Marco Polo del Nero. Ambos não saem do Brasil desde 2015 e, assim, conseguiram evitar a prisão pelo FBI. No caso de Del Nero, seu indiciamento sequer o levou a abandonar a presidência da CBF.

A Globo disse em nota enviada ao R7 que “não é parte nos processos que correm na Justiça americana”.

Confira a nota completa:

Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.

Em julgamento, defesa de Marin culpa Del Nero

Os advogados de José Maria Marin buscaram distanciar o cartola da acusação de recebimento de propina e afirmaram à juíza Pamela Chen que quem tomava as decisões na entidade era Marco Polo Del Nero, então vice-presidente e atual comandante da Confederação Brasileira de Futebol.

"Marin sempre estava com Del Nero. Era Del Nero quem tomava as decisões. Marin estava fora, estava à margem", disse o advogado Charles Stillman.

O advogado comparou a corrupção no futebol internacional a um jogo entre crianças do qual Marin não participou. "Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor enquanto outros estavam correndo a pleno vapor", afirmou.

José Roberto Batochio, que defende Del Nero no caso, afirmou ao R7 que no período compreendido pela investigação seu cliente não era presidente da CBF e, portanto, não assinou os contratos suspeitos. "Os documentos estão no processo e mostram isso".