Teixeira teria feito piada por propina 50 vezes menor a argentino

Grondona teria se envolvido em esquema de corrupção por 'apenas' US$ 1 mi

Ricardo Teixeira ainda teria confrontado Julio Grondona para votar no Qatar 2022
Ricardo Teixeira ainda teria confrontado Julio Grondona para votar no Qatar 2022 Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo - 6.6.2011

A escolha da sede da Copa de 2022 também teria sido vítima de um milionário esquema de corrupção e até motivo de piada entre os envolvidos. Então presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira teria brincado com Júlio Grondona, ex-presidente da AFA (Federação Argentina de Futebol) e vice-presidente da Fifa até 2014, por uma diferença de propina 50 vezes menor.

Em sua conta no Twitter, o jornalista Ken Bensinger, um dos maiores especialistas no Caso Fifa, detalhou o depoimento de Burzaco. Segundo ele, Burzaco, ex-diretor executivo da empresa de marketing argentina Torneos y Competencias S.A, teria explicado em seu depoimento à juíza Pamela Chen toda a origem do esquema de corrupção que elegeu o Qatar como país a receber a Copa do Mundo, depois da edição no ano que vem, na Rússia.

Grondona, que morreu em julho de 2014, teria se envolvido no esquema de compra de votos por US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,2 milhões hoje). Enquanto isso, Teixeira e Sandro Rossell, na época presidente da Nike, patrocinadora da seleção brasileira, teriam recebido US$ 75 milhões (R$ 328 milhões) – nem Burzaco, nem Bensinger deixam claro se foi no total ou para cada um.

Teixeira ainda teria pedido mais US$ 1 milhão em propina por fechar o acordo de direitos de transmissão televisiva da Copa América com a empresa argentina Full Play. Também nessa ocasião, ele ainda teria insistido que a Rede Globo mereceria contratos de longa duração para exibir alguns dos principais torneios de futebol.

A Globo disse em nota enviada ao R7 que “não é parte nos processos que correm na Justiça americana”.

O depoimento do empresário argentino também aponta para um esquema de corrupção que também envolvia Nicolás Leoz, presidente da Conmebol até 2013, ano da sua morte. O dirigente paraguaio votaria na candidatura do Japão e da Coreia, mas foi confrontado duramente por Teixeira e Grondona em um banheiro. A pressão o fez mudar seu voto.

Relatório Garcia

As afirmações de Burzaco reafirmam as investigações apresentadas no 'Relatório Garcia'. O documento responsável por expor a corrupção maciça no alto escalão do futebol mundial foi elaborado pelo norte-americano Michael Garcia, ex-membro do FBI e investigador do caso para a Fifa.

O manuscrito de 360 páginas expôs, entre outras coisas, detalhes sobre as suspeitas envolvendo Teixeira, que teria usado contratos comerciais para ocultar o pagamento de propina que ele teria recebido ao apoiar a candidatura do Qatar para sediar a Copa do Mundo de 2022. Além dele, seus sucessores no comando da CBF, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, também estariam envolvidos.

Garcia foi contratado pela Fifa para apurar as suspeitas de ilegalidade, porém seu informe permaneceu por anos engavetado pela entidade o que fez com que o norte-americano pedisse demissão em 2014. Apenas em julho deste ano, depois de ter sido vazado pelo jornal alemão Bild, a Fifa divulgou integralmente o temido Relatório Garcia.

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