25 de Maio de 2012
Peixe respeita demais o Barcelona e é massacrado em Yokohama na final do Mundial
Campeão da Libertadores e do Campeonato Paulista em 2011, o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso ficou conhecido no Brasil como o time da "alegria e ousadia", por vezes até arrogante em suas vitórias e lances geniais. Neste domingo (18), em Yokohama, no Japão, porém, a história foi outra.
"Aprendemos a jogar futebol", diz Neymar após goleada
Na derrota por 4 a 0 na final do Mundial de Clubes, o time comandado por Muricy Ramalho foi irreconhecível. Não apenas dentro das quatro linhas - onde foi absolutamente massacrado pela arte em forma de futebol do Barcelona -, mas também fora de campo: frases humildes, aceitação da inferioridade e admiração boquiaberta ao colosso catalão.
Neymar, grande astro do Peixe, foi um espectador de luxo das jogadas de Lionel Messi, Xavi, Iniesta e companhia. Após o apito final, resumiu o sentimento santista em uma frase que já roda o mundo.
- Hoje aprendemos o que é jogar futebol. Foi uma aula do Barcelona. Precisamos aprender com eles.
Com o mesmo moicano que o consagrou como ídolo no Brasil, o craque de 19 anos parou na marcação de Daniel Alves, Puyol e Piqué. A ousadia e o futebol debochado que tanto infernizou rivais na América do Sul não apareceram no estádio japonês.
Veja as fotos do duelo entre Messi e Neymar na final
Ganso, esperança brasileira de um Zidane nacional, a maior novidade do meio de campo da seleção dos últimos anos, se perdeu no meio dos 220 passes que Xavi e Iniesta dispararam na final, dos quais apenas sete não foram completados.
Se faltou agressividade e ousadia para o elenco santista, o técnico Muricy não teve postura diferente. Mais por puro terror do Barcelona do que por necessidade técnica, escalou seu time com três zagueiros e dois volantes. Sem utilizar sua principal arma - o contra-ataque rápido -, o Peixe fugiu do que o tornou vitorioso em 2011.

Neymar e todo o time do Santos respeitaram demais Messi e resto do Barcelona.
Na entrevista coletiva, Muricy não perdeu a "marra" e não deixou passar a oportunidade passar para "cornetar" jornalistas.
- O sistema que eles usaram, no Brasil, seria considerado um absurdo. Eles jogaram em um 3-7-0, porque perderam Sánchez e Villa e entraram com mais um meio-campista. Se você faz isso no Brasil, é caso de polícia, mandam prender. Todos aprendemos e vocês [jornalistas] também. Agora que vimos o Barcelona, vamos começar a aceitar.
O Barcelona teve 71% de posse de bola na partida e praticamente todos os jogadores santistas reverenciaram o time de Pep Guardiola. Quem esperava uma postura diferente ao menos de Muricy, se enganou.
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