Livia Villas Boas / Agif/Gazeta PressLuxemburgo não resistiu aos atritos com a diretoria
“Foi um dos processos mais feios que participei da minha vida profissional”. Com essa frase Vanderlei Luxemburgo ilustrou a entrevista coletiva concedida no fim da manhã desta sexta-feira (3), um dia depois de ter sido demitido do Flamengo. O treinador culpou a diretoria pelo desgaste criado e pelas regalias a Ronaldinho Gaúcho, um dos pivôs da saída do comandante.
- Entendo a Patricia falar em desgaste, mas acho que faltou pulso da diretoria. Senti a Patricia muito sozinha. De repente está muito vulnerável, sem amparo. Minha saída não pode ser por algo normal do futebol, que tem desgaste todos os dias. Não preciso ter 30 atletas comigo. Escalo 11 e deixo os outros insatisfeitos. A Patricia não foi leal comigo como eu fui com ela.
Vanderlei Luxemburgo afirmou que dirigiu a equipe nos dois duelos contra o Real Potosí (BOL), pela Pré-Libertadores, sabendo que seria demitido em seguida. Para ele, os dirigentes foram cruéis no comportamento e tentaram ao máximo desgastá-lo.
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- Eu sabia tudo o que estava acontecendo. Sabia que iria sair do Flamengo quando terminassem os dois jogos. Os jornalistas que deram isso tinham a informação, que era uma verdade absoluta. Mas, para terminar com dignidade, fui profissional e conclui a classificação. Pela primeira vez vi uma fritura tão grande e tão forte, muito bem conduzida, vazando informação, para o desgaste causar minha saída. Foi um dos processos mais feios que participei da minha vida profissional.
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O treinador afirmou que teve de digerir muitas situações que o desagradavam em 2011 para levar o Flamengo à classificação para a Libertadores. Mesmo sem citar o nome de Ronaldinho Gaúcho, com quem afirmou não ter maiores problemas, revelou que as regalias aconteciam com a complacência dos dirigentes.
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- A reciclagem que eu fiz antes de assumir o Flamengo fez bem para mim. Mudei, estou mais tolerante. Quem cobria o clube, sabia que e fechava os olhos para alguns comportamentos. Aquilo me incomodava, mas preferi tentar aceitar e conviver com aquilo, que não é algo que me deixa sadio. Todas as vezes que o atleta chegava atrasado, comunicava à diretoria. Se ela faltou, não é problema meu. Passava tudo e dizia que na frente isso poderia causar problema.
Por fim, Vanderlei Luxemburgo desdenhou da versão de Patricia Amorim para a sua demissão. A mandatária, na quinta-feira (2), afirmou que o desgaste do treinador com o elenco deixou a situação no clube insustentável.
- Saí eu, Isaias Tinoco [gerente de futebol], Antonio Mello [preparador físico] e o Lopes Jr [auxiliar]. Então não é desgaste só de um, né? Está bem claro isso. O importante é como tratar isso, a relação de grupo. Na minha história tive alguns desgastes pela frente, isso existe para você se posicionar em cima de algumas relações. Quando tive dirigentes que fizeram valer a hierarquia, os resultados foram bons. No Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro. Meus desafetos continuaram sendo desafetos, nenhum virou pastor.
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