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publicado em 07/04/2010 às 06h00:

Futebol árabe é um "oásis" na vida de Thiago Neves

De Riad, Arábia Saudita, meia do Al-Hilal avisa: estará na batalha pela seleção da Copa-2014

Denise Mirás, do R7

Taça Guanabara, Maracanã, fevereiro de 2008, Maracanã. Três gols na vitória por 4 a 1 sobre o Flamengo marcaram a carreira de Thiago Neves, jogador do Fluminense. Assim como os outros três sobre a LDU na final da Libertadores daquele mesmo ano. Mas o Fluminense precisava de mais. E, nos pênaltis, depois da prorrogação, ele mesmo errou a cobrança, assim como Washington e Conca. O título não veio, mas Thiago Neves foi o primeiro jogador a marcar três vezes em final do torneio.

Thiago Neves foi para a Alemanha, jogar pelo Hamburgo. Foi vendido ao Al-Hilal, da Arábia Saudita. Voltou, ficou seis meses no Fluminense, está novamente no Al-Hilal. Se teve alguma fama de marrento, agora parece totalmente tranquilo em Riad, capital do país árabe.

Aos 25 anos, casado com Marcella, o meia de 1,82 m e 75 kg diz que está focado em seu time. Jogar na Europa, só mais para frente. Mas está na batalha, já avisa, para jogar a Copa de 2014 – a Copa no Brasil.

Time conhecido dos brasileiros

O Al-Hilal é o atual campeão da Arábia Saudita e o time com maior número de títulos – 12, contra oito do segundo colocado, o Al-Ittihad. É conhecido dos brasileiros há um bom tempo. Basicamente desde 1978, quando Rivellino foi para lá – e de lá saiu brigado, com o passe retido, em 1981, aos 35 anos.

Pelo Al-Hilal passaram outros jogadores brasileiros, como Giovanni (que hoje está no Santos), mas principalmente técnicos, de Candinho a Joel Santana, passando por Sebastião Lazaroni.

Nascido em Curitiba, Thiago Neves morou no Rio de Janeiro, em Sendai, Japão; em Hamburgo, Alemanha, e em Riad. Nesta entrevista por email ao R7, o jogador conta sobre essa experiência.

Churrasco com pelada

Thiago Neves mora em um condomínio fechado, onde também vivem outros brasileiros. Dos amigos que fez em Riad, o meia cita o técnico Edgar Pereira, do sub-20 do Al-Shabab, o pessoal da comissão técnica, e Camacho, ex-Botafogo, “que é um grande jogador e muito respeitado aqui”.

- As casas são muito bonitas, grandes e bem decoradas. Temos uma pessoa para arrumar a casa, que é grande e está pronta para receber visitas. O condomínio tem piscina, churrasqueira, quadra de vôlei. Aos sábados, tem uma pelada animada num campo alugado perto de onde eu moro. Por sinal, sou um grande goleiro (na pelada), não deixo passar nada! Também jogamos futevôlei. Até os estrangeiros acabam vindo, para aproveitar um pouquinho.

No Al-Hilal, Thiago Neves também ficou amigo do sueco Wilhelmsson e do sul-coreano Lee Young-pyo.

- Brincamos muito nas concentrações. Um dia, o Lee Young me desafiou no pingue-pongue... Perdi fácil!

Treino e jogos à noite

Normalmente acorda cedo, “para aproveitar o dia”, toma café e almoça com a mulher Marcella. Os treinos, diários, são em apenas um período.

- Costumam ser à noite, por causa do calor. Fazemos treinos táticos e físicos e academia, como em qualquer outro clube. Os árabes fazem as orações diárias deles. Durante o Ramadã, os treinos sofrem alterações no horário, por causa do jejum que eles precisam fazer. O treinador é o Eric Gerets, da Bélgica, e tenho uma ótima relação com ele.

Sobre os treinos nos diferentes lugares em que morou, Thiago Neves faz algumas comparações.

- No Japão, a parte física era vista com muita atenção, já que é um futebol de velocidade e explosão física. A disciplina tática do Japão também foi importante para minha carreira. Aqui na Arábia, eles enfatizam mais o lado técnico. No Brasil as duas coisas são muito cobradas.

Títulos valem presentes

O Campeonato Nacional da Arábia Saudita tem 12 clubes na divisão de elite; há também uma segunda e uma terceira divisões.

Se comparada à rotina de um jogador da “divisão de elite” no Brasil, a vida tranquila no Al-Hilal começa pelo número de jogos na semana: um. Ou nem isso. Às vezes, o espaço de tempo é ainda maior, entre uma partida e outra – e sempre à noite, por causa do calor. Nesta temporada, o time participou do Campeonato Nacional e da Copa do Vice-Rei . A Liga dos Campeões da Ásia está em andamento.

Agora em abril haverá a Copa do Rei, o último torneio do calendário oficial do futebol árabe.

O Estádio Rei Fahad, onde o Al-Hilal manda seus jogos, é para 70 mil pessoas. E no geral, diz Thiago Neves, todos os estádios ficam cheios.

- O povo adora futebol. Para se ter ideia do fanatismo, até os jogos das categorias de base são transmitidos pela televisão.

O jogador brasileiro é muito respeitado, diz Thiago Neves, que foi campeão nacional e da Copa do Vice-Rei (nesta, fez o gol do título).

- A torcida tem admiração e carinho por mim. Nos jogos do Al-Hilal levam bandeiras do Brasil para as arquibancadas. Outro dia levaram uma bandeira com meu nome também. Fico muito feliz. O treinador me dá liberdade para jogar como eu gosto, mas também tenho responsabilidades táticas. A equipe tem bons jogadores e surgem jogadas bonitas, até com frequência.

Na Arábia Saudita, além dos salários os jogadores recebem presentes.

- Os príncipes costumam dar muitos prêmios por vitórias e boas atuações. Além dos títulos, é claro. As premiações variam, podendo ser em dinheiro, carros ou joias.

Rumos da carreira

Sobre voltar a jogar no Brasil, Thiago Neves diz que “no momento, minha cabeça está focada no Al-Hilal”.

- O clube fez um investimento alto para me trazer, no ano passado, e atendeu a um pedido meu, que era ficar no Fluminense por seis meses antes de me apresentar aqui. Claro que a parte financeira é importante, mas o prestígio e as conquistas pessoais muitas vezes podem falar mais alto. Espero voltar ao futebol europeu, que conheci quando estive na Alemanha por alguns meses. Mas não estou pensando nisso agora. Vou deixar as coisas acontecerem naturalmente.

Da seleção brasileira, o jogador lembra da “experiência maravilhosa” que foi disputar a Olimpíada de Pequim-2008.

- Espero sim voltar à seleção e vou lutar muito para isso. Se será com o técnico Dunga, eu não sei, mas vou batalhar muito para jogar a Copa-2014, quando terei 29 anos.

Sobre esta, da África do Sul, o jogador diz que "o Brasil é sempre favorito em Copas do Mundo", mas "existem outras seleções capazes de surpreender, como a Espanha, que vem fazendo grandes jogos e tem ótimos jogadores".

- E nunca podemos deixar de lado Argentina, Itália, Alemanha e Inglaterra. Será uma Copa disputada, mas levo fé no Brasil e no bom trabalho do Dunga.

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