Oswaldo de Oliveira, o técnico que ganhou o Mundial de Clubes da Fifa com o Corinthians em 2000, deixou o Brasil há três anos, rumo ao futebol japonês. Após uma passagem fracassada pelo Cruzeiro em 2006 (oito vitórias em 24 jogos), sete temporadas depois de iniciar a sua carreira como treinador, o carioca era considerado um profissional em declínio no país.
No Japão, Oliveira não apenas recuperou o prestígio, mas entrou para a história do futebol nipônico. Com o Kashima Antlers, ele se tornou o único técnico a levar um clube a conquistar três títulos nacionais consecutivos (2007, 2008 e 2009), além de ser bicampeão da Supercopa japonesa e da Copa do Imperador.
Votado três vezes consecutivas o melhor treinador do Japão, contente profissionalmente e longe do noticiário brasileiro, Oliveira afirma que não trocaria o Kashima pelo comando de um grande clube no Brasil.
- Nesse momento, não faria essa troca. Estou satisfeito com meu trabalho e os desafios que terei ainda nesta temporada. O Kashima Antlers tem uma boa estrutura, e foi um dos primeiros no país a investir e adotar uma postura profissional. Vivo muito bem nessa cidade (Kashima).
O carioca começou a se destacar no futebol ao lado de Vanderlei Luxemburgo, de quem foi auxiliar técnico no Santos e no Corinthians. Quando Luxemburgo foi para a seleção em 1998, seu cargo no Timão ficou com Oliveira. No ano seguinte, ele levou a equipe à conquista do Campeonato Paulista e do Brasileirão. Em 2000, chegou ao ápice ao vencer o Mundial da Fifa.
Seus resultados sensacionais do início da carreira, porém, não se repetiram nos anos seguintes. Com o Vasco, ainda em 2000, foi às finais da Copa João Havelange e da Copa Mercosul. Dois anos depois, à frente do favorito São Paulo, foi eliminado pelo Santos nas quartas de final do Brasileirão. Ele ainda teve passagens por Fluminense, Flamengo, Vitória, Santos, Cruzeiro e o Al-Ahli, time do Catar, cada vez mais em baixa.
No futebol japonês, entretanto, ele diz ter dado a volta por cima.
- No Japão, a torcida vem me tratando com carinho e demonstrando apoio ao meu trabalho. Após o primeiro título nacional, por exemplo, cheguei no dia seguinte e fiquei surpreso ao ver pelas dependências do clube a quantidade de arranjos de flores, coroas, cestas, faixas, barris de saquê. Eram presentes de torcedores. Isso se repetiu nos seis títulos que conquistamos.
O começo do trabalho, porém, não foi fácil. Com problemas para se comunicar com os jogadores locais e se adaptar ao país, o indicado de Zico no Kashima Antlers sofreu para fazer o time o entender.
- Um dos principais desafios iniciais foi o idioma, pois a maioria dos jogadores não fala inglês. O clube disponibilizou um intérprete japonês que trabalha ao meu lado. No começo, o mais trabalhoso foi conseguir fazer com que ele passasse exatamente o que eu precisava. Hoje estamos entrosados.
Oliveira, que comemorará o seu 60º aniversário neste ano, conta que ainda não pensa em sair do futebol. Questionado se é mais reconhecido no Japão do que em seu país natal, ele reclama da exigência de resultados rápidos nos clubes do Brasil.
- O reconhecimento do meu trabalho no Japão tem sido grande e, às vezes, pode ser um pouco diferente do que acontece no Brasil. No futebol brasileiro, há um imediatismo.
Mesmo assim, Oliveira não deixa de acompanhar o futebol brasileiro. Ele afirma que sente falta da torcida, como a Fiel, que gritou o seu nome após o título do Corinthians no Mundial.
- Estou sempre vendo os jogos dos campeonatos no Brasil, acompanhando o que acontece no nosso país e posso dizer que a melhor lembrança é a qualidade do jogador brasileiro. Sinto saudade da torcida brasileira. É muito bom sentir o calor dos torcedores.