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publicado em 27/08/2010 às 14h00:

Ex-ídolo no Santos, atacante Alberto revela
mágoa com Magrão e arrependimento na carreira

Autor de gol de bicicleta contra o Corinthians acusa Catanduvense de não pagar salários

Do R7

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Apesar de ter atuado em 20 clubes, enfrentado temperaturas de menos de vinte graus negativos na Rússia e visto sua oportunidade de brilhar no Corinthians da MSI minguar em 2004, Alberto Luiz de Souza, cujo grande destaque da carreira foi sua artilharia no Santos campeão brasileiro de 2002, afirma só ter um arrependimento em sua vida profissional: ter aceitado o convite para defender a Catanduvense na Série A-2 do Paulistão de 2010.

- Eu já tinha decidido encerrar a minha carreira, mas o Magrão (ex-volante do Palmeiras), que fez parceria com o presidente do clube, outros parceiros e a diretoria não me pagaram nada lá. Ficaram meses tentando me convencer a ir, dizendo que eu encontraria uma grande estrutura, que seria pago direitinho, mas até hoje não recebi um centavo deles.

O despeito é maior com Magrão, ídolo do Palmeiras que o convenceu a ir para Catanduva. O fato de ele ter sido jogador leva Alberto a acreditar que sua postura poderia ter sido diferente, pois entenderia as dificuldades vividas por um atleta.

- Ele me falou que não achava "justo ter investido numa parceria que não cumpriu a parte dela". Mas o que eu tenho a ver com isso? O cara me chamou, ficou um mês e meio atrás de mim, me fez assinar o contrato na frente dele, falou que tinha uma estrutura que não tinha, o gramado era ruim, não me pagava salário. Não é justo eu tirar minha família de casa, do conforto do meu lar, para uma cidade que eu não conheço. Eu achei muita sacanagem, por isso estou magoado com o cara.

Com uma lesão na cartilagem do joelho, consequência de uma pancada em partida contra o São Bento de Sorocaba há alguns meses, Alberto, que se reabilita no Paulista de Jundiaí, guarda bastante mágoa das pessoas que o chamaram para atuar no futebol do interior paulista, para onde se mudou com toda a família no início do ano. Agora, para ele, hoje com 35 anos, só resta se recuperar fisicamente e iniciar a preparação intelectual para a difícil vida de ex-atleta. Para a qual, garante, estar pronto.

- Eu consegui guardar dinheiro, falo três línguas, já tenho uma empresa aberta, a Alberto Sports. Agora vou fazer alguns cursos e me habilitar para começar a ser agente de jogadores, cargo que exige bastante preparo.

A carreira do jogador teve como auge sua passagem pelo Santos, em 2002, quando, ao lado dos "Meninos da Vila" Robinho, Elano e Diego, se sagrou artilheiro da equipe, ajudando o time de Emerson Leão a conquistar o primeiro Campeonato Brasileiro de sua história. Curiosamente, o atacante, que na época já não era tão jovem - tinha 27 anos -, ficou mais marcado por um gol de bicicleta feito em cima do Corinthians do que pela sua função de goleador.

- No dia anterior àquele jogo eu estava muito gripado, e, por alguma razão, não fiquei sabendo que a viagem para a concentração em São Paulo, normalmente às seis da tarde [18h], fora adiantada para as três [15h]. Acabei tendo de fazer a viagem de carro e cheguei no hotel só depois das oito [20h]. Achei que, além da bronca, nem escalado para o jogo eu seria, mas no fim tudo acabou bem. Fizemos um grande jogo, eu fiz dois gols e, apesar de ter sido ameaçado pelo Leão de levar multa no dia seguinte à vitória, nada aconteceu. Tudo saiu bem. 

Frio e pneumonia na Rússia

Mesmo com o desejo de permanecer no clube da Baixada Santista, Alberto recebeu uma boa proposta do russo Dínamo de Moscou e resolveu aceitá-la por motivos financeiros. No entanto, o jogador descobriu que adaptar-se ao gélido país seria mais difícil do que imaginava. A língua, os dias nublados, as intermináveis noites, a solidão e, principalmente, o frio intenso, foram barreiras que o atacante não esperava ter de superar.

Além disso, em seu segundo ano no clube, após passar as férias realizando treinamentos físicos pesados no Brasil, Alberto contraiu uma forte pneumonia. Durante 12 dias, teve febre, não sentiu o gosto da comida, passou noites em claro no banheiro para não incomodar seu colega de quarto e mal conseguiu
respirar.

- Eles me pediam para dar uma volta no campo e o meu pulmão não aguentava. Mesmo assim, achavam que eu tinha nevralgia, problema muscular causado pelo frio, e me aplicaram uma injeção de bloqueio de corticóide. Mas não funcionou nada, porque meu problema era interno.

Apesar da obviedade dos sintomas, a doença só foi diagnosticada na Espanha, país visitado por seu time para a realização de uma pré-temporada.

- Na Rússia, por mais que eu tentasse falar pros caras que não tava legal, eles me davam o tratamento errado. Quando chegamos na Espanha, pelo fato de eu saber falar espanhol, pedi pelo amor de Deus para o médico me examinar. Em dois minutos de exames, ele diagnosticou a pneumonia e disse que ela já estava num estágio muito avançado. Daí eu vim para o Brasil para fazer a cirurgia.

Mesmo sumido do futebol e com os severos problemas de saúde que o afetaram, o jogador conseguiu ser liberado em 2004 para defender o Corinthians, empréstimo intermediado pelo empresário Giuliano Bertolucci. A passagem pelo clube, porém, foi marcada por problemas de contusão no joelho, operado, e pela falta de oportunidades que o então técnico do time, Tite, lhe dava. Alberto acabou voltando ao futebol russo.

- Eles insistiram para que eu voltasse, mas, quando eu cheguei lá, me falaram que o limite para o número de inscritos já havia acabado e eu não poderia me inscrever. Eu falei: "pô, vocês tão de sacanagem com a minha cara". Eles pediram pelo amor de Deus para ir jogar num time local, por empréstimo. Como eu estava na Rússia, e tinha contrato a cumprir, decidi ir para esse clube, o Rosol. Mas não foi legal não.

Desta vez, Uma nova contusão, desta vez no músculo adutor, fato que o impediu de entrar em campo pelo novo time. De lá para cá, o atacante defendeu Atlético-MG, Coritiba, Kofu - equipe de pouca expressão no futebol japonês -, Grêmio Barueri, Ceará, Comercial e, neste ano, a Catanduvense, o último onde atuou e único do qual guarda mágoas em seus 15 anos como futebolista profissional.

- Operei o joelho, o cara não me bancou. Estou fazendo a reabilitação, e nada. Você vai para um clube, leva sua família...você tem seus projetos, e você deixa tudo para defender o clube. Isso tudo foi uma sacanagem.

Casado e pai de uma filha, Alberto só pensa agora em recuperar seu joelho e começar a sua preparação para o início de uma nova vida, longe dos gramados. O ressentimento em relação à Catanduvense e, principalmente, a Magrão, deve ser descontado sob a forma de um processo judicial, já aberto, segundo o jogador.

Colaborou: David Shalom Pires de Almeida

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