EFE/MArcelo SayãoMano Menezes posa pela primeira vez com camisa da seleção brasileira
A "Era Mano Menezes" começou na seleção brasileira. E ela chegou muito mais tranquila em relação aos tempos do ex-técnico Dunga. Após pouco mais de 40 minutos, a entrevista coletiva concedida pelo novo técnico chegou ao fim, e sem nenhum clima tenso entre o treinador e a imprensa, o que era corriqueiro nos tempos de seu antecessor. Além dessa diferença inicial, o novo comandante também prometeu uma seleção mais aberta daqui em diante, aumentando as perspectivas de que a rigidez e os xingamentos de Dunga fiquem apenas na história.
Na Copa do Mundo da África do Sul, os jornalistas tiveram pouco acesso ao time brasileiro, com muitos treinos fechados e poucas entrevistas. Dunga justificava sua atitude afirmando que estava fazendo o oposto do que ocorrera em 2006, quando o então técnico Parreira liberou todos os treinos e a “baderna” foi grande, tendo sido apontada como a maior culpada pela eliminação nas quartas de final.
Entretanto, o estilo linha dura de Dunga não surtiu o efeito desejado e o Brasil caiu igualmente nas quartas de final, ao perder para a Holanda, por 2 a 1. Mesmo acompanhando as polêmicas de longe, Mano Menezes prometeu vida nova na seleção a partir de agora.
- No futebol nós temos 17 regras. Uma vez fiz um curso de arbitragem e aprendi que existia a 18, que se chamava bom-senso. É isso que pretendo adotar. O que aconteceu nesta Copa tem ligação direta com o que ocorreu na outra. Agora estamos mais maduros, sabemos que se perde e se ganha de todas as maneiras, com festa, sem festa, com treino fechado, aberto. O que importa é uma boa preparação.
A forma educada com que o treinador respondia a cada pergunta deveria estar sendo comemorada internamente por Rodrigo Paiva, diretor de comunicações da seleção brasileira, que sofreu nos tempos de Dunga com a rixa criada entre o técnico e a imprensa.
Ao fim da entrevista de Mano, Paiva se despediu dos jornalistas e, de leve, deu uma cutucada no antigo treinador, ao dizer que “foi uma entrevista tranquila, sem tensão”. O próprio treinador confirmou que essa deverá ser a tônica de suas coletivas.
- Trato todo mundo com respeito e gosto de ser tratado assim. Não tenho aversão à crítica, desde que ela seja respeitosa e construtiva, não vejo problema algum.
Contudo, Mano Menezes em nenhum momento criticou Dunga. Pelo contrário. Ao ser questionado sobre se traria algo de positivo da passagem do antigo comandante pela seleção, o ex-treinador do Corinthians elogiou a armação tática do Brasil.
- A seleção do Dunga sempre teve uma organização tática muito boa. Infelizmente a exceção foi o segundo tempo da partida contra a Holanda, quando as coisas não funcionaram.
Confira os convocados:
Goleiros: Victor (Grêmio), Renan (Avaí) e Jefferson (Botafogo)
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Rafael (Manchester United), Marcelo (Real Madrid) e André Santos (Fenerbahçe)
Zagueiros: David Luiz (Benfica), Henrique (Racing Santander), Réver (Atlético-MG) e Thiago Silva (Milan)
Volantes: Sandro (Internacional), Jucilei (Corinthians), Hernanes (São Paulo) , Lucas (Liverpool) e Ramires (Benfica)
Meias: Carlos Eduardo (Hoffenheim), Ederson (Lyon) e Paulo Henrique Ganso (Santos)
Atacantes: Robinho (Santos), André (Santos), Neymar (Santos), Alexandre Pato (Milan) e Diego Tardelli (Atlético-MG)