25 de Maio de 2012
Dirigente se alia ao presidente da CBF e recebe sede da Copa como prêmio
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, tem um aliado de peso em São Paulo: é o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.
Num clube cheio de craques, com a segunda maior torcida do Brasil, e uma das mais apaixonadas do mundo, ele conseguiu ficar em evidência sem nunca calçar uma chuteira - longe do gramado, na tribuna de honra.
O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, não esconde o que deseja e, sobretudo, o que faz no futebol.
Em 2007, o Corinthians passou pelo vexame de ver a sua sede invadida pela polícia. Com autorização da Justiça, agentes recolheram documentos e computadores. O alvo era o então presidente Alberto Dualib.
Andrés Sanchez tinha sido vice-presidente de futebol de Dualib pouco antes: eram os tempos de Carlitos Tevez dentro de campo.
Fora de campo, quem comandava era Kia Joorabchian (representante da então parceira MSI). O iraniano era acusado de usar o clube para lavar o dinheiro roubado pela máfia russa.
Kia e Andrés viraram íntimos. Saíam sempre juntos para aproveitar a noite paulistana.
Dualib acabou condenado a três anos e quatro meses de prisão em regime aberto. Andrés escapou, não se sabe como.
Acuado pela polícia, Andrés pulou rápido para o barco da oposição. E acabou eleito presidente do Corinthians em 2007.
Quem conhece os bastidores da política corintiana, como o jornalista e blogueiro Paulo Cézar Prado, o Paulinho, diz que a parceria com Kia continua.
- O senhor Andrés Sanchez é laranja do senhor Kia Joorabchian. Kia Joorabchian é hoje o presidente de fato do Corinthians e o André Sanchez é o presidente de direito.
Corintiano da velha guarda, Cyborg coleciona denúncias contra Andrés Sanchez. Ele já pediu ao conselho deliberativo do clube informações sobre transferências de jogadores, que considera suspeitas.
- Contratar 130 jogadores para disputar três anos de campeonato? Nem o Dualib que ficou 15, 14 anos no poder contratou tanto. E nem no mundo. Essa metodologia deixa muita dúvida no seu procedimento.
Paulinho investiga negócios suspeitos feitos pelo Corinthians na gestão de Andrés Sanches. Ele entrevistou Dimitris Tzalas - conhecido como "Grego" - que compra e vende jogadores. E já fez vários negócios com o Corinthians.
- É realmente uma quadrilha. Estão ganhando muito dinheiro. Não tem negócio feito no Corinthians que o Andrés não leve comissão. Não é à toa que o chamam de "Taxinha".
O São Paulo, dono do Morumbi, fez um primeiro projeto, e depois de receber novas instruções da Fifa, preparou o segundo desenho, que previa até cobrir o estádio. O custo da reforma era de R$ 256 milhões.
Naquela ocasião, Ricardo Teixeira e o então presidente Lula foram até o estádio e entraram em campo para anunciar que o novo Morumbi reunia as condições para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil.
Hoje, a promessa, que foi testemunhada por Andrés Sanchez, virou foto na parede.
No ano seguinte, tudo mudou. O motivo: o São Paulo apoiou Fabio Koff para o Clube dos 13, irritando Ricardo Teixeira.
A partir de então, o estádio do Tricolor passou a ser bombardeado pela CBF. O comitê brasileiro fez novas exigências, o que dobraria o custo da reforma. O São Paulo não aceitou, e o Morumbi ficou fora da Copa.
O advogado Francisco Mansur, que coordenava as adaptações do Morumbi para a Copa diz que a decisão de excluir o estádio do torneio foi eminentemente política.
- O Morumbi não ficou fora da Copa por nenhuma questão técnica de reforma. O Morumbi ficou fora da Copa por uma decisão política do presidente da CBF e que também é o presidente do comitê organizador local.
No lugar do Morumbi, entrou Andrés Sanchez com o projeto da Arena do Timão, que teria o custo de R$ 1 bilhão, quatro vezes mais do que a reforma do estádio do São Paulo,
A obra do novo estádio precisa de R$ 420 milhões de dinheiro público - que viriam de incentivos fiscais da prefeitura. E mais R$ 400 milhões de empréstimo do BNDES, também dinheiro público. Ainda assim, a conta só fecharia com mais R$ 180 milhões.
Dinheiro para o estádio do Corinthians
A ata de uma reunião no Corinthians explica como a construtora Odebrecht foi convencida a bancar parte da obra. Segundo o diretor de marketing do clube, Luiz Paulo Rosenberg, a empresa concluiu que poderia lucrar com as obras no entorno do estádio.
- Tá bom, eu vou fazer esse estádio no talo, mas vou fazer viaduto, vou fazer não sei o quê. Quando virar estádio de Copa tem mais dinheiro.
O mesmo diretor usou uma comparação infeliz para convencer os conselheiros de que o estádio seria lucrativo.
- Tem uma taxa de retorno de cocaína e de prostituição. Nada mais tem uma taxa de retorno de 40%.
Polêmicas à parte, Andrés Sanchez entrega o cargo no fim desse ano e se considera um vitorioso.
Mansur diz que Andrés acredita que o Corinthians vá ser beneficiado com o apoio a Teixeira.
- O presidente do Corinthians acredita claramente que ao apoiar incondicionalmente a CBF vai agregar vantagens que ele diz que são em favor do clube. O tempo vai dizer quem vai se beneficiar dessas vantagens: se o Corinthians mesmo ou as pessoas envolvidas com isso.
Se o estádio ficar mesmo pronto, quem vai pagar as dívidas? A nova direção do Corinthians? E, afinal, o homem que se diz amigo de gângsteres vai deixar a conta para o torcedor brasileiro?
Andrés Sanchez não quis se pronunciar sobre o conteúdo da reportagem. O empresário Carlos Leite negou as acusações. Dimitris Tzalas não negou e nem desmentiu os fatos apontados.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, Marcos Cintra, disse que a isenção fiscal concedida ao estádio do Corinthians trará benefícios à população, como a geração de empregos.
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