25 de Maio de 2013
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Gol mal anulado do atacante impediu a conquista do Campeonato Brasileiro de 1995
Um lance poderia ter mudado a trajetória do atacante Camanducaia no futebol. Com 20 anos, o jovem que carrega no apelido o nome da cidade onde nasceu, em Minas Gerais, despontava como revelação no time do Santos em 1995. Na final do Campeonato Brasileiro daquele ano, ele marcou, de cabeça, o gol que daria o título para o clube que celebra o centenário no sábado (14), mas o lance foi equivocadamente anulado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas por impedimento.
Com o empate por 1 a 1, o Botafogo acabou sendo o campeão. O curioso é que os dois gols validados do jogo foram irregulares. O do time carioca por impedimento e o da equipe paulista por um toque de mão de Marquinhos Capixaba antes da finalização de Marcelo Passos.
Na ocasião, Camanducaia entraria para a história do Peixe como o autor do gol do primeiro título brasileiro do time de Pelé — em 2010, uma canetada do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu status de título brasileiro à Taça Brasil e ao Torneio Roberto Gomes Pedrosa, conquistados seis vezes pelo time.
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Hoje, aos 36 anos, Camanducaia virou empresário no interior de Minas Gerais. Dono de uma escolinha de futebol na sua cidade natal e de uma pousada em Monte Verde (MG), ele lamenta a decisão do árbitro e diz que isso mudou o seu destino no futebol.
— Eu era novo, a torcida do Santos gostava de mim. O gol do título teria me dado mais projeção. Eu poderia ter ido para a seleção brasileira.
Após sair do Santos, Camanducaia perambulou por times menores, como o Marília e Ipatinga e encerrou a carreira no Santo André, em 2011.
Leia a seguir a entrevista com Camanducaia:
R7 - A anulação daquele gol no Campeonato Brasileiro de 1995 te tirou a chance entrar para a história do Santos?
Camanducaia — O curioso desse lance é que o bandeira não marcou nada. O Márcio Rezende foi quem assumiu a responsabilidade e deu impedimento. Infelizmente ele nos tirou a chance de entrar para a história. Eu e todo aquele time.
R7- Você guarda mágoa do árbitro por causa desse lance?
Camanducaia — Não guardo mágoa nenhuma. São coisas que acontecem no futebol. Houve erros em outras decisões também. A forma como aconteceu é que foi muito cruel. Os dois gols ilegais foram dados. Só o meu, que foi legítimo, não valeu.
Mas aquilo me prejudicou muito. Estava com 20 anos e poderia ter ganhado um impulso na minha carreira. Ido até para a seleção brasileira, quem sabe.
Hoje, prefiro olhar as coisas que aconteceram comigo pelo lado positivo. Saí do interior de Minas Gerais, de uma cidade de 20 mil habitantes e tive sucesso no futebol levando o nome da minha cidade. Tudo isso me enche de orgulho.
R7- Agora que já parou de jogar, o que você tem feito?
Camanducaia — Eu tenho uma pousada em Monte Verde (MG) e uma escolinha de futebol aqui em Camanducaia, com crianças a partir dos quatro anos. Quero, no futuro, levar algumas delas para fazer testes no Santos aproveitando os contatos que ainda tenho por lá.
R7- Você dá aula para a garotada?
Camanducaia — Na verdade, eu fico mais na administração da escolinha. Mas, quando tenho a oportunidade, tento passar alguns ensinamentos para os alunos. Não apenas sobre o futebol, mas sobre a vida de maneira geral.
R7- Você pensa em trabalhar mais diretamente com o futebol?
Camanducaia — Sim, eu até já tirei o meu registro no Conselho Regional de Educação Física, mas acho que preciso me preparar melhor para assumir primeiramente uma função de auxiliar e depois virar técnico. É o que eu sei fazer. Com 36 anos, eu até teria condições de estar jogando ainda.
R7- Com a geração atual de Neymar e Ganso, o Santos conseguiu retomar a rotina de títulos importantes. Isso poderia ter acontecido antes se aquele time tivesse conquistado o Brasileirão de 1995?
Camanducaia — Talvez, mas acho que esse time atual não tem comparação. Eles ganharam a Copa do Brasil, dois Paulistas e a Libertadores.
Tudo isso que está acontecendo é mérito do atual presidente [ Luis Álvaro de Oliveira]. Ele é uma pessoa inteligente e se esforçou para segurar os principais jogadores do time. Ele buscou patrocinadores para bancar a permanência do Neymar. O que está acontecendo não é por acaso.
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