25 de Maio de 2012
Vereador travou aceleração da tramitação do projeto de incentivos ao Corinthians
Vereador trava projeto de incentivo fiscal para o Fielzão
Dessa forma, o pacote que prevê a liberação de R$ 420 milhões de dinheiro público para o Fielzão só poderá ser votado quando o vereador devolver o projeto, o que pode acontecer até sexta-feira (26). Pelo regimento da Câmara, ele tem dois dias úteis para analisar melhor a proposta.
Logo após a sessão da CCJ, Aurélio atendeu a reportagem do R7 e outros jornalistas que acompanharam de perto a decepção de outros vereadores diante da atitude do ex-judoca. Satisfeito, ele defendeu o uso de dinheiro público apenas para ações que visem o bem do cidadão paulistano, e falou que é mentira dizer que sem o Fielzão não haverá Copa em São Paulo.
Aurélio ainda aproveitou para negar que a ligação que tem com o São Paulo - concorreu às eleições para presidente do clube em 2008 – seja motivo para ele ser contra o pacote de incentivos para o Corinthians. O vereador diz que já foi contrário, entre outras coisas, à construção de estacionamentos na frente do Morumbi, tudo com dinheiro público.
- Fui questionado pelos torcedores e pela diretoria, mas não estou preocupado com isso. Sou vereador da cidade de São Paulo e o dinheiro público tem que ser utilizado na cidade.
Leia abaixo a entrevista completa:
R7 - Por que o senhor resolveu pedir vistas do projeto de incentivos para o Corinthians?
Aurélio Miguel - Eu acho uma vergonha o município dar recursos de R$ 420 milhões. Eles podem falar o que quiser, mas renúncia fiscal é dar recurso público. A Zona Leste precisa é de investimento em infra-estrutura. Hospitais, transporte de qualidade. Por que o prefeito não fez para aquela região uma lei de incentivo para a iniciativa privada também ter o mesmo benefício que vai ter o estádio do Corinthians? A melhoria da qualidade de vida do cidadão paulistano está em último plano? As prioridades são outras.
R7 - Você é a favor do estádio do Corinthians?
Aurélio Miguel - Eu sou favorável que o Corinthians consiga construir seu estádio, mas com recurso privado. É o que falaram desde o início, que seria feito com recurso privado. Dinheiro público é para atender o bem comum, ou seja, para atender a população da cidade de São Paulo. Temos que investir o recurso público, que já é pequeno, na educação, saúde, transporte, meio ambiente. Agora ficam falando “Ah, mas São Paulo não vai abrir a Copa do Mundo”. Ora, se não abrir é porque aconteceram várias brigas políticas no passado. E, pelo que eu saiba, o Palestra Itália está também com obras para 45 mil espectadores. São Paulo poderia usar essa arena para os jogos da Copa sem prejuízo à cidade. Agora, dizer que se não tiver o Fielzão não tem Copa do Mundo em São Paulo é absurdo. Isso é uma mentira.
R7 - O que o senhor achou da visita do Andrés Sanchez à Câmara Municipal nesta terça-feira (21)?
Aurélio Miguel - Precisa ver qual é o interesse envolvido. No Rio de Janeiro, em 2007, o estádio olímpico João Havelange custou R$ 400 milhões para o Governo. O Fielzão me parece que não teria porque sair por mais de R$ 600 milhões. Pelos cálculos, já estão falando de R$ 1,1 bilhão. Quer dizer, estamos dando dinheiro público para construir um estádio. E depois, na manutenção do estádio, vai ser usado dinheiro público novamente?
R7 - Quais as próximas ações que o senhor vai tomar para impedir que o projeto seja aprovado?
Aurélio Miguel - Eu vou verificar com a minha assessoria e vou pedir informações ao Executivo. Quando eu peço essas informações muda esse prazo. Vou pedir para o Executivo me explicar, por exemplo, por que está dando benefício para o estádio e não para a construção de creches, hospitais na Zona Leste. Por que não estão incentivando também outros aspectos em relação à qualidade de vida do cidadão paulistano? Por que não construímos mais uma linha de metrô, ou de trem , que atenda às exigências mínimas para a população da Zona Leste?
R7 - O senhor pretende devolver o projeto nesta quarta-feira (22)?
Aurélio Miguel - Impossível devolver para a sessão de amanhã.
R7 - Vai ser fácil convencer os vereadores que estão a favor a votarem contra o projeto?
Aurélio Miguel - Olha, pelo que eu estou vendo aqui, até o presidente da CCJ [o vereador Arselino Tatto, do PT] está apoiando. Então, é difícil falar em relação a isso.
R7 - A Fifa precisa de garantias para o Fielzão até 11 de julho. Como o senhor vê essa questão?
Aurélio Miguel - A Fifa tem que resolver os problemas dela, assim como o Corinthians tem que resolver os dele. A Câmara Municipal resolve os problemas daqui. A nossa agenda não pode ser pautada pela Fifa, pela CBF, pelo Corinthians ou pela Federação Paulista de Futebol.
R7 - Como o senhor vê a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014?
Aurélio Miguel - É uma vergonha como o Brasil está se preparando para esse evento. É tudo de última hora, para entrar em sistema emergencial. Eu já disputei várias Olimpíadas e eu sei o que é uma estrutura olímpica. Deve ser igual a uma de Copa do Mundo.
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