‘Não queremos que esperem para comemorar gol’, diz árbitro de vídeo

Wilson Luiz Seneme é responsável por adoção da tecnologia na Conmebol

Árbitro de vídeo será utilizado na Conmebol já nas semifinais da Libertadores
Árbitro de vídeo será utilizado na Conmebol já nas semifinais da Libertadores Divulgação/Conmebol

Um ex-árbitro convencido de que o uso da tecnologia é o melhor para o futebol. Wilson Luiz Seneme coordena hoje o projeto experimental de árbitro de vídeo da Conmebol, que será testado já nas semifinais da Copa Libertadores. Aos contrários ao recurso, o atual chefe de arbitragem da entidade sul-americana explica que ninguém quer que o jogador espere para comemorar o gol.

Em uma palestra para jornalistas em São Paulo, na última quarta-feira (11), Seneme disse que a intensão é seguir com a naturalidade da partida. A recomendação da IFAB (International Football Association Board) é sim pela “precisão acima da velocidade” da decisão tomada pelo VAR (Assistentes de Arbitragem de Vìdeo), mas isso não teve tonar o futebol artificial para os que estejam ou não no estádio.

“O jogo é o jogo. Não queremos que o jogador espere para comemorar o gol. Por favor. Não estamos neste nível. Queremos que o jogo siga o máximo da sua naturalidade”, disse Seneme. “Queremos a naturalidade da partida, mas há a instruções de aguardar um pouco para ter a decisão clara.”

Como nem todas as jogadas podem ser revisadas – elas se limitam em geral a situações de gol, decisões de pênaltis, incidentes com cartão vermelho direto e confusão de identificação de jogadores – o erro continuará existindo. Mais do que isso, segundo as próprias recomendações da IFAB, não é desejo que o árbitro reveja cada lance buscando a precisão independentemente do tempo que se leve.

A interferência dos VAR (serão dois em uma cabine isolada do campo para que um acompanhe um lance específico, enquanto o outro segue com a partida) será para ajudar o árbitro a tomar uma decisão, eliminando erros grotescos que possam acontecer. A tecnologia não procura julgar se a decisão do árbitro está correta, mas sugerir o que deve ser feito. A palavra final ainda é do que por muito tempo ficou conhecido como o ‘homem do apito’.

Uma recomendação que ainda tende a causar polêmica está justamente nesta espera para uma atitude a ser tomada. Em um lance de impedimento por centímetros, por exemplo, o assistente não deverá levantar a bandeira e deixará o lance com o árbitro de vídeo. O anticlímax estaria neste intervalo de tempo em que pode sair um gol e aí a decisão ser mudada depois que time e torcida já estavam comemorando.

“A gente espera que todo mundo siga vibrando com o futebol. Queremos minimizar os erros claros, as polêmicas de boteco vão sempre continuar existindo. Isso já está na raiz do futebol”, concluiu Seneme.

Se a Conmebol já confirmou o período experimental para as fases finais da Copa Libertadores, a CBF adiou a adoção da tecnologia

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