Ex-executivo da Globo teria acertado propina com Del Nero

Marcelo Campos Pinto combinava pagamentos com atual presidente da CBF 

Foto com integrantes da Traffic, Campos Pinto e Teixeira foi tirada na Argentina
Foto com integrantes da Traffic, Campos Pinto e Teixeira foi tirada na Argentina Reprodução/RecordTV

Homem que negociava na Rede Globo os direitos de transmissão de alguns dos principais campeonatos internacionais, Marcelo Campos Pinto teve seu nome citado nesta terça-feira (14), no depoimento de Alejandro Buzaco, no Tribunal do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos. O ex-executivo da Torneos y Competencias teria acertado com o então executivo da emissora, o atual presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Marco Polo del Nero, um acordo de propinas referentes à transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. 

O réu no processo disse diante da juíza Pamela Chen que, em junho de 2012, participou de um jantar no restaurante Tomo 1, no centro de Buenos Aires, na Argentina, com a presença do então presidente da CBF, José Maria Marin; do atual ocupante do cargo, Del Nero; e do então diretor de Esportes da Globo, Marcelo Campos.

Segundo Burzaco, o grupo teria acertado ali que os pagamentos de propina feitos em decorrência dos direitos de transmissão das copas Libertadores e Sul-Americana seriam divididos, a partir daquele momento, entre Marin e Del Nero — antes, esses pagamentos fraudulentos eram endereçados a Ricardo Teixeira.

Em nota enviada ao R7, a Globo afirmou que “não é parte nos processos que correm na Justiça americana”. Ainda segundo a emissora, em suas investigações internas "apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos". O R7 não encontrou Campos Pinto para comentar o caso.

Outra companhia mencionada no depoimento é a empresa Traffic, do empresário J. Hawilla, dono também de uma afiliada da Globo no interior de São Paulo. O brasileiro foi preso em 2014, confessou ter participado do pagamento de subornos o que deixaria indícios de um negócio entre amigos. Naquela época, o cartola aceitou devolver cerca de US$ 151 milhões, sendo que, deste valor, US$ 25 milhões foram pagos na hora. Já em 14 de maio de 2015, os indiciados da Traffic Sports International Inc. e Traffic Sports USA, foram considerados culpados sob a acusação de fraude bancária.

Um dos grandes especialistas no caso de corrupção da Fifa, o jornalista Ken Bensinger disse que Campos Pinto e Teixeira tinham uma relação muito próxima. Os dois eram inclusive vizinhos em um sítio em Barra do Piraí, no interior fluminense.

Campos Pinto foi demitido da Globo em novembro de 2015 após ter ficado sua imagem internamente desgastada nos escândalos de corrupção. Além dos negócios escusos com a Fifa e a Conmebol, o dirigente era quem também dava as cartas nas negociações de direitos de transmissão na CBF. Depois da implosão do Clube dos 13 em 2011, o próprio Campos Pinto que passou a negociar as cotas de televisão diretamente com os clubes.

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