Ex-Corinthians e Flamengo, Felipe quer retomar carreira no Uberlândia

Goleiro reconhece que estava sumido e confia em ‘idade de goleiro de Série A’

Felipe, de 33 anos, assinou com Uberlândia para jogar Campeonato Mineiro
Felipe, de 33 anos, assinou com Uberlândia para jogar Campeonato Mineiro Buda Mendes/Getty Images

Por onde passa, torcedores de diferentes camisas ainda gritam: “Feeeliiipppeee”. Em Uberlândia para jogar o Campeonato Mineiro de 2018 e tentar voltar ao cenário nacional não poderia ser diferente. Goleiro campeão por Corinthians e Flamengo, Felipe nem bem chegou e já caiu nas graças da torcida, que também tem grande identificação com os clubes de São Paulo e Rio de Janeiro.

O Verdão do Triângulo Mineiro não tem o mesmo orçamento dos rivais Atlético e Cruzeiro. Mesmo assim, não deixa a desejar em termos de infraestrutura. Esse, aliás, foi um dos fatores que fizeram o goleiro campeão aceitar o convite para jogar na cidade – no Corinthians, conquistou a Série B (2008), o Paulista e Copa do Brasil (ambos em 2009); no Flamengo, levantou a Copa do Brasil (2013), além do Carioca (2011 e 2014).

“Vivi praticamente oito anos no auge, quatro anos de Corinthians, quatro anos de Flamengo, mas a queda foi muito grande também”, disse Felipe.

Aos 33 anos, Felipe confia na idade próxima a goleiros da Série A para realizar o desejo de voltar a um grande clube. Em sua carreira revisitada, garante que não se arrepende da ida para Europa, tampouco lamenta não ter ido para a seleção brasileira.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

R7: Como você está fisicamente?
Felipe: Estou bem, estou novo ainda. Quero fazer um bom Mineiro e voltar para o cenário nacional novamente. Nunca tive problemas de lesão grave, não tive lesão muscular. Meu corpo está apto a jogar e o principal é a cabeça. Quando você não está com a cabeça boa, não adianta o corpo não estar bem que as coisas não andam. E hoje acho que estou em um momento muito tranquilo. Estou bem disposto, como se fosse meu primeiro clube porque quero dar alegria para a torcida do Uberlândia que abriu as portas para mim.

R7: A estrutura do clube foi algo que chamou atenção?
Felipe: A estrutura do clube aqui é muito boa. Melhor que muito time. Tem o estádio, um centro de treinamento adequado. Gostei do que vi. Então, minha preocupação realmente vai ser só em jogar. O extra-campo dá essa condição de só entrar em campo e jogar. Quando você chega e sabe que, se machucar, tem uma estrutura para atender. Em Uberlândia, o médico do melhor hospital é médico do clube. Está todo mundo trabalhando e empolgado. A diretoria também é correta. Você sabe que não vão atrasar salários e por aí vai. A chance de dar certo é muito grande.

Felipe conquistou três títulos com camisa do Flamengo
Felipe conquistou três títulos com camisa do Flamengo Buda Mendes/Getty Images

R7: O interior de Minas Gerais tem muita simpatia com times do Rio. Como foi sua recepção?
Felipe: A reação da cidade foi muito boa. Logo que houve o contato e a história se espalhou, principalmente nas redes sociais, muitos torcedores demonstraram um carinho muito grande: 90% da cidade é flamenguista, 10% é corintiano e eu joguei nos dois então foi uma recepção muito boa. Estou torcendo para que dê certo. Fazia tempo que não me sentia assim. Estou ansioso para chegar lá e fazer um bom Mineiro. Sei que tenho condições ainda de render bastante.

R7: Você acredita que ainda tem bola para jogar na Série A?
Felipe: O que me deixa animado é isso. Dos goleiros da Série A, pelo menos uns 12 ou 13 tem pelo menos a minha idade ou são mais velhos do que eu. Um goleiro preparado joga bastante tempo. Você vê o Fernando Prass em alto nível, o Magrão do Sport com 40 anos jogando para caramba ainda, o próprio Jaílson, o Sidão voltou a jogar bem no São Paulo. Então, a idade é detalhe. O importante é estar bem para poder render.

R7: Seu auge foi tão grande quanto sua queda? Por que você fala em recomeço?
Felipe: A gente sabe que a vida são altos e baixos. Vivi praticamente oito anos no auge, quatro anos de Corinthians, quatro anos de Flamengo, mas a queda foi muito grande também. Em dois anos, no Figueirense não joguei, no Bragantino fiquei seis meses bem e depois as coisas não saíram legais. No Boavista não foi como a gente esperava, então, falo em nova história porque ainda não acabou.

Felipe também conquistou Série B com Corinthians
Felipe também conquistou Série B com Corinthians André Lessa/Estadão Conteúdo

R7: As pessoas ainda gritam sem nome na rua?
Felipe: Até hoje, passo na rua e o pessoal grita “Feeeliiipppeee”. O pessoal ainda lembra daqueles bons tempos. Andei um pouco sumido, mas é a história que a gente tem. Jogar nas duas maiores equipes do País não é para qualquer um. E o mais importante: jogando. Não é ficar no elenco. Joguei nos dois, conquistei título nos dois. Então isso não é sorte. Posso e tenho muito para render ainda.

R7: Por que sua carreira não seguiu rumos de seleção brasileira?
Felipe: No momento, acho que tinham outros melhores. Não é porque você está vivendo um bom momento que você tem que ir para a seleção. Quando estava vivendo bom momento no Corinthians e no Flamengo, outros goleiros também estavam fazendo boas partidas também. Isso nunca foi uma obsessão para mim. Vejo hoje o Vanderlei por exemplo. Ele é um dos melhores goleiros do Brasil na atualidade, mas outros grandes goleiros estão em uma boa fase também. Nas minhas grandes fases, tinham outros grandes goleiros também.

R7: Você se arrepende de ter ido para a Europa quando poderia ficar em grandes clubes no Brasil?
Felipe: Eu joguei uma Champions. O Braga nunca tinha passado da pré-Champions e a gente conseguiu eliminar o Sevilla, foi uma festa na cidade, ouvi aquele hinozinho de quando começa as partidas, não sei se foi o momento certo, mas foi uma coisa que vivi e não vou esquecer.

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