Craques do passado endossam Conmebol: sempre fomos campeões

Vencedores do torneio intercontinental são, também, campeões mundiais

Ronaldão, com a taça ao lado do goleiro Zetti: bimundial
Ronaldão, com a taça ao lado do goleiro Zetti: bimundial Agência Estado

A Conmebol confirmou, com exclusividade ao R7, que os campeões intercontinentais também são campeões mundiais. O comunicado veio do vice-chefe do setor de Comunicação e também ligado ao departamento de competições, Julian Ariel Ramirez. 

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"A Fifa nunca mandou qualquer memorando, relatório ou aviso que os Intercontinentais não são Mundiais. Tudo não passou de boatos, especulação da imprensa. Quem ganhou os Intercontinentais são campeões do mundo. E recebem esse tratamento pela Conmebol. Se esta recomendação de que não fossem reconhecidos existisse, ela já teria chegado a nós há anos. E nunca veio. E não virá. A história já foi escrita", afirmou Julian.

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O R7 conversou com alguns campeões intercontinentais para descobrir o que eles acharam da novidade. Ronaldão, bicampeão com o São Paulo, em 1992 e 1993, disse que sempre se considerou um campeão mundial:

Junior (dir): decisão da Conmebol confirma título
Junior (dir): decisão da Conmebol confirma título Reprodução

"Eu sempre me considerei bicampeão mundial. Isso era apenas uma manobra da Fifa para desvalorizar os campeonatos para os quais eles não davam tanto valor", afirmou o ex-jogador. "É a revisão de uma atitude aceita à época. Agora, apenas oficializaram isso. Subestimar esses títulos não vai torná-los menos importantes para nós", concluiu. 

O atacante Coutinho, que venceu dois Intercontinentais com o inesquecível Santos de Pelé e companhia, também considera os campeonatos títulos mundiais:

"Foi um Mundial, sim. À época, fomos jogar fora do país, enfrentamos grandes times. Então, sempre me senti campeão mundial. Fomos campeões da Libertadores e jogamos com mérito o torneio. Agora parece que oficializou, né?", disse.

Para Pepe, também ex-jogador do Santos, o sentimento é de justiça: "Os dois títulos mundiais com o Santos foram minhas grandes alegrias na carreira. Eu consegui ser bicampeão também com a seleção, mas conquistar um título e ser extremamente importante para isso não tem preço. Foi minha maior glória no futebol", afirmou.

"Em 1963, na final contra o Milan, se eu não tivesse jogado, não teríamos sido campeões. Tínhamos perdido o primeiro confronto por 4 a 2 no San Siro e precisávamos ganhar os outros dois jogos. No segundo, não tínhamos Pelé, nosso melhor jogador estava lesionado. Pude fazer dois gols e ajudar a conquistar esse título. Bom saber que hoje somos campeões mundiais".

Renato Gaúcho (primeiro agachado à esquerda) era a principal estrela gremista
Renato Gaúcho (primeiro agachado à esquerda) era a principal estrela gremista Reprodução

Renato Gaúcho, principal estrela do Grêmio campeão mundial de 1983 diante do Hamburgo, resumiu em poucas palavras o sentimento de todo tricolor gaúcho.

"Nunca deixei de me sentir campeão mundial. Só quem estava lá sabe como foi difícil e gratificante", afirmou o hoje treinador gremista.

Santos venceu Mundial em 62/63
Santos venceu Mundial em 62/63 Arquivo/Estadão Conteúdo

O lateral do Flamengo de 1981, Junior, deu de ombros à decisão: "Para mim, nunca mudou nada. A gente não precisa dar satisfação sobre se foi campeão ou não. O que fica na cabeça é a memória do que passamos naquela Libertadores e no Mundial. O resto que eles falam, se fomos campeões mundiais ou intercontinentais, pouco importa", disse o ex-jogador.

Segundo Junior, o Flamengo sempre demonstrou que o objetivo do clube era internacionalizar o futebol. "Pergunta para o Grêmio ou para Santos se eles acham que não são campeões mundiais. O que precisam fazer é perguntar para quem jogou e ganhou, e principalmente para quem jogou e não ganhou. Fomos campeões mundiais e com mérito", afirmou. 

*colaborou Leonardo Vallejo, estagiário do R7