Apresentado no Palmeiras, Deyverson se emociona ao lembrar da infância difícil, canta e fala até em seleção

Novo atacante do Verdão foi pedido especial do técnico Cuca e vestirá camisa 16

Novo camisa 16 do Palmeiras, Deyverson foi apresentado na tarde desta segunda-feira (17) na Academia de Futebol
Novo camisa 16 do Palmeiras, Deyverson foi apresentado na tarde desta segunda-feira (17) na Academia de Futebol MontagemR7/Jales Valquer/Estadão Conteúdo

Novo reforço do Palmeiras, Deyverson foi apresentado oficialmente pelo clube nesta segunda-feira (17) e já deu o que falar logo na entrevista coletiva de apresentação. O atleta de 26 anos foi pedido especial do técnico Cuca em seu retorno ao clube, e falou sobre o momento difícil que viveu no passado, seleção brasileira e até cantou.

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Deyverson, que vestirá a camisa 16, só atuou no Grêmio Maragantibense, do Rio de Janeiro, no futebol brasileiro. Posteriormente, foi para Portugal, passou pela Alemanha e estava na Espanha, onde defendeu o Alavés na última temporada, se tornando um dos principais jogadores do time, que foi vice-campeão da Copa do Rei.

No Palmeiras, ele se fará parte do setor ofensivo junto com: Miguel Borja, Willian, Dudu, Róger Guedes, Keno e Erik. O atleta chega com a missão de substituir Gabriel Jesus, já que o colombiano tem um estilo diferente do camisa 9 da seleção brasileira.

Confira os principais trechos da entrevista de Deyverson

Seleção brasileira 

"Não fiz caminho inverso, dei um passo à frente. O Palmeiras é um grande clube, tem estrutura de primeira divisão da Europa, tem um grande projeto. Vindo para o Brasil acho que vou ter mais possibilidade de chegar à seleção brasileira."

Comparação com Diego Souza

"Acho que tenho características diferentes do Diego Souza, ele é mais de meio, um falso centroavante. Eu sou um centroavante de muita mobilidade. Mas ele é um grande jogador, todo mundo sabe. Mas agora não vamos falar de Diego Souza, viemos falar do Deyverson. Desculpa falar dessa forma, não quero cortar sua pergunta, mas eu sou um jogador de características diferentes".

Emoção na entrevista

"Se eu for contar minha história vou chorar. Não sou nenhum anjinho para falarem que sou um coitadinho, mas é complicado. Na minha vida, é primeiramente Deus e meu pai... (emocionado). Um cara que batalhou por mim, deixava de dar comida em casa para dar dinheiro para eu treinar. É um cara que peço muito a Deus pela vida dele, da minha família. Sofri muito, acordava 4h para ir treinar, batido muitas vezes e voltei, mas nunca desisti. Não queria mostrar para as pessoas que era capaz para colocar alguém para baixo, mas para realizar meu sonho. Não sou melhor do que ninguém, só queria meu espaço. Como o futebol não estava dando, pensei em desistir, vendi salgado em barraquinha, andando de bicicleta, ajudei as pessoas a levar sacola no mercado, tirava entulho do portão. Isso é orgulho, porque se não tivesse feito tudo isso não estava aqui no Palmeiras. Me sinto como Golias, que derrubou um gigante. Me sinto assim, como se tivesse derrubado um gigante. Agradeço muito aos clubes que me rejeitaram, agradeço a eles por terem falado não, porque se falasse sim talvez eu não estaria aqui."

Breve carreira de pagodeiro

"Depois que passou essa turbulência, eu falei: 'Ah, meu irmão, vender salgado não deu certo, caldo de cana não deu certo, ajudar no mercado não deu... Alguma coisa vai dar. Vou virar pagodeiro". A gente cantava pagode para ganhar um copo de mocotó e guaraná, mas cantava feliz."

Passos a frente na carreira

"Desde quando soube do interesse do Palmeiras, deixei tudo de lado, pela história que sei do Palmeiras, pelo clube que é. Muita gente falou que dei um passo atrás, mas acho que dei uns dez para a frente. O Palmeiras é um clube quase europeu."

Estilo Deyverson de ser

"Eu sou muito brincalhão. Quando a gente entra em campo, acho que muda um pouquinho. Conforme for o jogo, a gente sai um pouco da água fria para a água quente. Eu sou um jogador que briga muito, que batalha, e às vezes meu temperamento vai a 100km/h. Não quer dizer que sou um jogador mal, mas às vezes me acalento muito."