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publicado em 23/08/2012 às 17h40:

Seleção do Pan de 1987 comemora 25 anos do ouro que mudou a história do basquete

Foi na final contra os EUA - em Indianápolis -, quando o Brasil tirou 22 pontos de desvantagem e fechou 115 a 110

Denise Mirás, do R7


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São 25 anos de uma medalha de ouro no Pan de Indianápolis, que mudou a história do basquete. Para comemorar a data, os jogadores da seleção que fechou 120 a 115 sobre os Estados Unidos, em casa, se reuniram para um almoço nesta quinta-feira (23), no clube Pinheiros, onde foram relatadas muitas das lembranças daquela conquista, que mereceu capa do jornal The New York Times.

A virada do placar, que chegou a ter diferença de 22 pontos, começou a cerca de dez minutos do segundo tempo, principalmente pela imposição do jogo brasileiro, de pivôs mais velozes e arremessadores mais lentos, mas convertendo arremessos de três pontos um atrás do outro (Oscar e Marcel somaram 77 pontos) e também com provocações, que desestabilizaram o conjunto norte-americano.

José Medalha, auxiliar do técnico Ari Vidal, lembrou que David Robinson já tinha a quarta falta no começo da segunda etapa.

- O técnico deles trabalhava substituindo a dupla de pivôs. Quando o Robinson teve de sair, quebrou o esquema. Depois, ele – que era a diferença - ainda fez a quinta falta. Começaram a entrar em desespero, os brasileiros a arremessar e acertar, chutar e correr, o Marcel a provocar – “Chuta, chuta!” E viramos.

Chutes atrás de chutes; e o basquete mudou

Medalha disse que acreditava na vitória porque tinha visto a partida dos Estados Unidos contra Porto Rico, que quase venceu.

- Estávamos muito preparados e podíamos surpreender. O Oscar tinha mais de 60% de aproveitamento de arremessos, o Marcel, mais de 50%... Ali, foi o marco mesmo do início do profissionalismo do basquete, com crédito maior, com patrocinadores começando a surgir...

O pivô Israel lembra que zoavam o auxiliar técnico (muito baixinho, perto dos atletas) dizendo: “Medalha, volta prá garrafa!”, porque ele acreditava na vitória sobre os Estados Unidos.  

No segundo tempo, o Brasil deslanchou, com muita velocidade e arremessadores como Oscar e Marcel brecando na linha de sete metros para arremessar de três pontos.

As cestas foram caindo e a seleção brasileira do técnico Ari Vidal (que, no vestiário, havia dito apenas “joguem o jogo”, segundo crônica lida por Marcel no almoço comemorativo) foi campeã diante da estatelada plateia em Indianápolis.

O “impensável”... aconteceu

Gerson lembra que no fim do jogo “era só alegria na cara de cada um”, depois de verem o desespero dos norte-americanos por estarem perdendo em casa.

- Recuperamos um placar de mais de 20 pontos e, a três minutos do fim, a gente sabia que não perdia mais. Mas, para os Estados Unidos... Era impensável.

Israel lembra bem quando, a oito minutos do segundo tempo, “mudou tudo”.

- No primeiro, tudo dava certo para eles. Depois, começou a dar certo para a gente. E eles com aquela cara de assustados. Vimos depois, na tevê, a fisionomia deles... Como ficou marcado.

Pipoca, também pivô, lembra que “demorou para a ficha cair”.

- Tocaram 15 segundos do Hino Nacional, aí levamos o resto juntos... Eu estava com a sacola de uniformes e alguém ali, na hora, me perguntou se queria vender – eu, garotão, vendi tudo. Duzentos dólares... A ficha só começou a cair quando liguei de um orelhão para casa e estava todo mundo rouco, dizendo que as ruas de Brasília estavam tomadas, que estava tendo buzinaço... Depois, na escala, vimos a foto no New York Times.

Futebol antes da preparação física

Outro diferencial da seleção, como lembra Cadum, foi o trabalho do preparador físico Valdir Barbanti – que conversava com os jogadores e explicava os porquês de cada etapa de preparação.

- O Valdir dava verdadeiras aulas para a gente... Teve uma aceitação tremenda no grupo. Mas, antes do treino puxado, tinha um aquecimento com futebol, que era o que a gente gostava. O Rolando ficava no gol, pelo tamanho todo dele... O Oscar era o dono da bola, queria chutar tudo, claro! Eu, o Guerrinha e o Maury [os armadores] ficávamos mais no meio. O Pipoca, que não jogava nada, ficava na zaga.

Guerrinha lembra que o basquete havia contado com preparador físico pela primeira vez em 1982, quando Pedro Henrique de Toledo (o Pedrão, do atletismo) foi levado pelo técnico Edvar Simões.

- Alongamento era uma novidade. Imagina... As seleções atém então tinham técnico, que fazia tudo, massagista, que era roupeiro... Se o jogador se machucasse, passava éter. “Se estiver doendo, para”. No máximo, a gente se perguntava no máximo se tinha inchado muito... Assim, quando chegou um preparador físico foi uma grande novidade.

“Efeito Indianápolis” alcança o mundo

Rolando, pivô que estudava e jogava na universidade em Houston, disse que teve de desfilar uma semana com a medalha de ouro, porque todo mundo no campus queria ver. O pivô conta que uma noite, perto da uma da manhã, ia para seu alojamento quando passou ao lado de uma quadra com garotos jogando e ouviu nitidamente que estavam imitando o “Óscar Schmidt”.

A seleção brasileira, com o técnico Ari Vidal, foi uma das primeiras a usar – e bem – a regra dos arremessos de três pontos, que só depois seria assimilada internacionalmente.

E o ouro levado dos norte-americanos no Pan de Indianápolis 1987 foi um dos fatores também que levaram aquele país a convocar profissionais (em Olimpíadas, os representantes da NBA competiram pela primeira vez em Barcelona 1992).

Como vai a vida

No almoço desta quinta-feira (23), pelos 25 anos do título do Pan de Indianápolis, estiveram os técnico Ari Vidal e José Medalha. Os pivôs Sílvio, Rolando e Pipoca falaram do trabalho com sistemas de qualidade, de professor universitário em Curitiba e do envolvimento com centros olímpicos em Brasília, respectivamente. Começaram a falar de dores nas costas e nos joelhos e o armador Cadum, bem-humorado - voltando como técnico em Suzano, onde também tem uma agência de turismo -, disse que ia sair de perto da conversa.

Gerson, também pivô, contou do salão de beleza que tem com a mulher no Ipiranga; o armador Guerrinha, do time que dirige em Bauru para a temporada. Paulinho Villas-Boas, ala, agora no COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e um dos mais novos daquela seleção, falou sobre o fim dos trotes e a tradição que se mantém – de quem chega à seleção pagar uma pizzada para os veteranos.

Maury, armador, que fez odontologia, chegou atrasado por conta de uma cirurgia, pouco depois de seu irmão Marcel, ala/armador, vindo de Jundiaí. Alguns não se viam há cinco anos. André, ala/pivô que mora nos Estados Unidos, ainda não havia chegado quando muitos começavam a sair.

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Oscar, que disse não poder participar, esteve representado nos anéis que mandou fazer e deu a todos – ouro com pedra verde – quando comemoraram os 20 anos do título.

 

 

 
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