O carioca adora praia. Sol, conversa jogada fora, um mergulho, biquínis de recheios variados, um mate, um biscoito... Em Tóquio não tem nada disso - mesmo porque para as japonesas quanto mais branquinha a pele, mais bonita. Mas Chicago tem. As margens e as águas do Lago Michigan ficam lotadas nos fins de semana, com muita gente aproveitando para jogar vôlei de praia, por exemplo. Em Madri, em julho e agosto, época de Olimpíadas, faz tanto calor como no Rio - mas é pior: nem carioca aguenta o verão seco de Madri, porque à noite não refresca e é comum os termômetros continuarem nos 30 graus à meia-noite.
Quem mora no Rio de Janeiro enfrenta congestionamentos na Avenida Nyemeier, por exemplo - mas tem uma belíssima paisagem ao lado para acalmar a irritação. Tóquio não tem nada disso. São edifícios e mais edifícios, com dois ou três "andares de minhocões". Como também Chicago - mas com bem menos congestionamentos. O Rio de Janeiro tem seu metrô e trens, mas com uma limitação de linhas que nunca faria páreo com os mais de 1.600 quilômetros de Tóquio - ou Madri, que acrescenta estações a suas várias linhas a cada ano. Ou Chicago, o maior centro em sistema de transportes dos Estados Unidos.
Claro, os cariocas têm problemas - e um deles é escapar da violência nas ruas. Pois Chicago já teve dentre seus habitantes o lendário Al Capone e seus comparsas com metralhadoras - claro, no século passado. Mas a criminalidade ainda não é uma questão muito agradável para a cidade. E Madri está começando a aprender o que é isso. Tóquio nem tem idéia do que possa ser violência urbana - nas ruas, os poucos policiais não andam armados: é proibido pela constituição do país.
Como vive hoje o cidadão comum dessas cidades, rivais do Rio de Janeiro na briga pela sede olímpica de 2016? A crise chegou forte à Europa e em Madri o assunto na cidade não é Olimpíada, mas desemprego e dívidas. Na norte-americana Chicago, a vida está um pouco mais tranquila que na rival européia e a população em geral gosta da idéia de receber os Jogos Olímpicos. Tóquio não muda: segue com suas preocupações com metrô e trens lotados e o assunto mesmo não é Olimpíada, mas a grande novidade dos carros "híbridos", a gasolina e eletricidade.