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publicado em 26/07/2013 às 00h20:

Noite mágica e de odisseia do vôlei brasileiro com 90 mil no Maracanã completa 30 anos

Debaixo de forte chuva, Brasil venceu a poderosa URSS no mais famoso estádio do mundo

André Avelar e Carolina Canossa, do R7


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A noite chuvosa de 26 de julho de 1983 no Rio de Janeiro tinha tudo para ser apenas mais uma, sem nada especial. Porém, graças a um sonho louco de dirigentes do vôlei brasileiro e do apresentador Luciano do Valle, virou um marco histórico para o esporte no País. Há exatos 30 anos, sem ligar para o clima ruim, 95.887 pessoas foram ao Maracanã para acompanhar uma partida amistosa de vôlei masculino entre o Brasil e a então campeã olímpica e mundial, a União Soviética.

Quem se submeteu ao sacrifício, não se decepcionou: com 3 sets a 1, parciais de 14-16, 16-14, 15-07 e 15-10, os donos da casa bateram o time mais poderoso do mundo diante do maior público já reunido para ver um duelo de esportes olímpicos - 90 mil pessoas haviam assistido à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 1964. O confronto teve uma atmosfera de festa e, no intervalo entre os sets, alguns dos melhores jogadores do mundo se puseram de joelhos ao chão para tentar secar a quadra, castigada pela impiedosa chuva que começou a cair pouco depois do início da partida.

Técnico da seleção masculina entre 1981 e 1990, o ex-presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, falou sobre aquele jogo. Na opinião dele, o amistoso foi “acima de tudo, uma afirmação do voleibol brasileiro”:

— Naquele momento, o que tinha no Brasil era o futebol, isso era o que ocupava espaço. Proporcionalmente, eu diria que muito mais do que é hoje. Mesmo assim, com chuva, já seria difícil para o futebol levar 95 mil pessoas ao Maracanã... Diria que foi um “chegamos” do vôlei.

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Renan Dal Zotto, um dos astros daquele jogo, diz que até hoje tem dificuldades de convencer os mais novos da magnitude do feito – o interesse das pessoas foi tanto que, em certo momento, os bilheteiros pararam de conferir as entradas, para não causar maior confusão:

— Foi um jogo em que hoje a gente comenta, conversa com amigos... Tenho dois filhos e eles não acreditam muito que teve um jogo de voleibol para mais de 90 mil pessoas. A gente tem poucas imagens, mas boas recordações.  Foi um fato histórico na cabeça de quem curtia voleibol, muito bacana e que dificilmente vai se repetir. Lembro que sai do vestiário, vi aquele mundo de gente, meu nome no placar eletrônico do Maracanã. Foi o momento mais emocionante da minha vida.

Estrelas do espetáculo, Bebeto e Renan não exageram ao lembrar o feito. Se mesmo nos dias de hoje é difícil lotar o Maior do Mundo, há 30 anos o desafio era muito maior. À época, o vôlei ainda começava a ganhar popularidade e o melhor resultado dos brasileiros havia sido o vice-campeonato mundial conquistado na Argentina, em novembro do ano anterior. Foi justamente ali, a propósito, que surgiu a ideia de viabilizar a partida no Maracanã.

Orgulhoso por ter pisado no Maracanã sem ser jogador de futebol, Montanaro lembra com carinho da partida. O hoje gestor do Sesi-SP demorou a acreditar o tamanho do feito para aquela época.

— Essa foi uma das páginas mais lindas da história do vôlei brasileiro. Muita gente lembra como “o jogo do Maracanã” ou “o jogo da chuva no Maracanã”. E o jogo foi duro. Foi pegado. Ninguém queria sair com a derrota em uma partida para mais de 90 mil pessoas.

Carlos Arthur Nuzman, atualmente à frente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e então presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), decidiu investir mais em marketing no início dos anos 80 e, para isso, contratou a empresa PromoAção, dos empresários José Estevão Cocco e José Francisco Leal (Quico) e também do jornalista e narrador Luciano do Valle. Vendo o crescimento da modalidade no Brasil, eles conseguiram convencer os soviéticos a voltarem à América do Sul no ano seguinte para uma excursão que reeditaria em várias partidas pelo Brasil a final do Mundial.    

O ponto alto seria o jogo no Maracanã, ideia que empolgou os estrangeiros, mas foi difícil de ser viabilizada por conta do clima ruim, que provocou o adiamento da data original (17 de julho), e da descrença das pessoas e de parte dos veículos de comunicação, como lembra Luciano.

— A vontade era de realizar o jogo de qualquer jeito. Foi um negócio memorável e com boicote. Nós colocamos tudo aquilo de gente no estádio e a Globo, o jornal O Globo, a Rádio Globo, não deu uma linha do que estava acontecendo.  Fomos boicotados e mesmo assim colocamos milhares de pessoas no Maracanã.

Hoje Renan descreve o confronto como “mágico” e de “odisseia”, mas pouco não perdeu a festa. Ele revela:

— Na véspera, a gente treinou no tablado que foi montado. Nós jogadores fomos brincar de futebol e senti uma fisgada na perna. Na hora parei e pensei que não poderia ficar de fora de um jogo no Maracanã. Felizmente melhorou e pude jogar sem problemas.

Bebeto destaca o espírito solidário daqueles que considera os verdadeiros astros daquela partida e ressalta que, mesmo com a quadra molhada, não houve temores com a integridade física dos atletas:

— Ninguém se preocupou muito com isso porque escorregava para os dois lados (risos).  Teve até um espetáculo à parte, que foram os jogadores russos enxugando a quadra... Eles também entraram no clima e no significado da partida. Eles entenderam, né? Na realidade, as estrelas eram os russos.

A chuva era tanta que chegou a fazer Luciano temer pelo sucesso do projeto:

— Havia um temor de todos que o jogo não acontecesse, mas ninguém tinha essa vontade. Todo mundo entendeu que tinha de ser realizado e foi uma coisa bacana, bárbara. Foi uma etapa muito emocionante da minha vida e que ficou para história.

Na opinião de Renan e de Bebeto de Freitas, é possível repetir esse jogo, desde que houvesse uma nova “coincidência de fatores” para incentivar o público – no início dos anos 80, além dos pódios que o vôlei começava a ter e do avanço do marketing esportivo, o país vivia o início do processo de redemocratização, tornando as pessoas mais abertas às novidades. Saudoso, Renan define aquele duelo histórico:

— Foi uma coisa e tanto. Impressionante. Parecia só que era um reconhecimento de tudo que viria a acontecer no voleibol. Tenho certeza que essa foi só uma das primeiras páginas do belíssimo livro da história do voleibol.

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