- Não há disputa olímpica sem São Paulo.
O lembrete é de Walter Feldman, secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que já quer agendar até no máximo o fim deste ano uma reunião com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para discutir a participação de São Paulo na Olimpíada de 2016.
- Todo o Brasil é Rio. Mas São Paulo tem o direito e o dever de fazer parte do planejamento estratégico para o desenvolvimento de uma política esportiva no país: mais de 50% dos atletas olímpicos em Pequim-2008 eram de São Paulo. Não dá mais para vacilar. Temos de nos articular, porque para a formação de atletas será necessária a criação de uma ampla rede olímpica, e que seja nacional.
O Rio de Janeiro está na moda. Na semana passada, a cidade ganhou status de cidade olímpica, mostrando que é mesmo motivo de curiosidade e admiração do mundo todo. Também já foi decidido pela Fifa que a final da Copa do Mundo de Futebol-2014 será no Maracanã. No Rio de Janeiro.
E São Paulo? Está perdendo força político-esportiva?
Não, segundo o secretário paulistano.
- Acontece que o Rio de Janeiro conta com a condescendência generalizada, do Brasil todo. Para São Paulo tudo é mais difícil, porque o Estado é muito rico. Para o Rio, já está certa a final da Copa, mesmo sem ainda ter mexido em um tijolo do Maracanã, o que é uma temeridade, porque é preciso ter certeza de que o novo Maracanã será construído a tempo. Enquanto isso, São Paulo ainda precisa peitar a Fifa.
Para o Rio, a Olimpíada significará investimentos de mais empresas, de mais indústrias. São Paulo, diz o secretário Feldman, já tem muito a oferecer.
- Não há disputa olímpica sem São Paulo. Queremos que o COB reconheça. Temos toda uma estrutura de base na cidade, com escolas, clubes. São 41 clubes esportivos, em sub-centros regionais, recreacionais, com balneários e quadras, sob administração direta do governo municipal. E mais de 450 que são administrados pela própria comunidade, de administração indireta. Temos o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, que já recebe talentos de quatro regiões - leste, oeste, norte e sul. Já é uma rede olímpica. É o único Cento Olímpico público no país.
E, segundo o secretário, 90% dos atletas que estiveram em Pequim passaram por laboratórios de testes em São Paulo.
- No dia 11 de novembro, ainda inauguramos um Centro de Medicina em Alto Rendimento, no próprio Centro Olímpico. Tudo isso fizemos sozinhos, não tivemos mão estendida. Mas São Paulo quer participar, ao lado do COB. E, para isso, precisamos de uma abertura.