Foto por EFECapital da Dinamarca mistura normalidade com agitação pela eleição olímpica
Parece até que a Olimpíada já é aqui: Copenhague se transformou num porto de esportistas consagrados, cada um tentando dar mais prestígio à candidatura do seu país. A constelação brasileira preferiu o hotel Saint Petri, nas proximidades do centro da capital dinamarquesa, local desde hoje o Congresso do Comitê Olimpico Internacional - que vai definir a sede da próxima Olimpíada.
Do ídolo do tênis Gustavo Kuerten à rainha do basquete, Hortência; do campeão olímpico na vela Torben Grael a um dos protagonistas da geração de prata do vôlei em 84, Bernard: todos passam por ali, no que rapidamente já foi apelidado quartel general do Brasil.
Mas é o rei Pelé quem incontestavelmente é mais bajulado. Desde o credenciamento de imprensa, os funcionários da organização do evento já se vangloriam de ter cruzado, abanado, ou sequer visto o ídolo incontestável do futebol brasileiro, talvez quem incarne a propaganda mais poderosa para levar os jogos ao país do futebol.
- Nem acreditei quando vi o Pelé, a alguns metros de mim, mas ele estava lá. Como ele, não tem igual, e jamais vai ter.O relato é de Konrad, um dos responsáveis pelo registro dos jornalistas que chegam a todo o instante para cobrir a votação que elegerá, nesta sexta-feira, o nome da cidade que vai receber as Olimpíadas de 2016.
Nas ruas, bandeiras da Espanha, dos Estados Unidos, do Japão e, é claro, do Brasil, são vistas a todo o momento, portadas pelas delegações e os lobistas do esporte. Madri, Chicago, Tóquio e Rio de Janeiro brigam nesta batalha, que começará a ser disputada voto a voto a partir das 12h10 (horário de Brasília).
A cidade maravilhosa vem sendo apontada como a favorita nos últimos dias, mas a verdade é que a decisão é uma incógnita.
Daniel Carvalho, funcionário de um hotel e morador de Copenhague há quatro anos, só lamenta não ter visto mais torcedores brasileiros na cidade.
- A gente sabe que eles têm pouca influência nos votos dos delegados do Comitê Olímpicos, mas seria legal se os torcedores brasileiros aparecessem em peso e mostrassem um pouco sobre por que o povo carioca merece receber o mundo todo nestes jogos.
A cidade viveu um dia paradoxal, que deve ser intensificado nesta sexta: enquanto batedores de carros e sirenes de polícia atrapalhavam o tempo todo a normalidade de Copenhague, os moradores pareciam nem perceber que alguma coisa de excepcional estivesse acontecendo. O tráfego de veículos e bicicletas – uma característica marcante da cidade – segue tranquilo, apesar do trânsito constante das autoridades sob forte esquema de segurança.
Apenas as delegações e os jornalistas têm acesso permitido ao centro de eventos em que acontecerá a esperada eleição, o que acaba limitando a manifestação de eventuais torcedores. É como se uma final de torcidas apaixonadas estivesse sendo disputada em um campo neutro – o que, sem dúvida, contribui para aumentar o mistério sobre a decisão desta sexta-feira.