O Rio de Janeiro chega nesta sexta-feira (2) à eleição da sede olímpica de 2016 como cidade favorita, à frente de Chicago, Madri e Tóquio. Das ressalvas do COI (Comitê Olímpico Internacional) quanto a questões de transporte, segurança e acomodações, a Rio-2016 se mostrou convincente nas propostas de soluções levadas à comissão de avaliação das candidatas. Assim, o relatório final do COI deu seu aval ao Rio de Janeiro, ao declarar que a cidade é capaz de organizar uma Olimpíada.
Encerrada essa etapa, a Rio-2016 iniciou a reta final da corrida com uma disposição que suas rivais não mostraram. E com tudo para levar os Jogos de 2016 na votação que será em Copenhague, Dinamarca.
Para se ter uma idéia, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, nem iria à eleição. Decidiu viajar em cima da hora para defender Chicago. Mesmo com chances bem divididas entre as quatro rivais, Rio de Janeiro e Chicago tomaram conta dos holofotes. E a eleição do COI se tornou quase uma disputa de popularidade entre Obama e o presidente Lula.
Na verdade, a eleição da sede olímpica dividiu-se em dois períodos. Nos últimos anos, os projetos técnicos se mostraram quase equivalentes, com pontos fortes e fracos, o que levou os próprios membros do COI a comentar que a disputa seria decidida por um ou dois votos.
Mas o lobby da candidatura carioca, constante e abrangente em todo o mundo nesse mesmo período - com participação efetiva do presidente Lula -, parece ter feito a diferença na semana decisiva.
Na primeira avaliação, Tóquio tinha a maior nota, seguida de Madri, Chicago e Rio de Janeiro. Na última, Chicago ainda aparecia à frente e havia críticas de falta de clareza por parte da capital japonesa quanto ao legado e até à área reservada à construção da Vila Olímpica, "ao lado do maior mercado de peixe da cidade". Madri tinha a candidatura "fora de foco", quanto a papéis de seu comando e responsabilidades.
O Rio de Janeiro se saiu melhor, com a avaliação mostrando preocupações quanto a trãnsito e violência, mas também destacando que medidas estavam sendo implantadas para melhorar esses aspectos.
O ponto crítico continuava a ser a falta de acomodações, com número de quartos abaixo do requerido pelo COI (40 mil). A comissão teria considerado muito difícil se implantar o plano sugerido de vagas em navios, que ficariam na baía da Guanabara, basicamente pela dificuldade logística. Mas há dez dias a Rio-2016 divulgou que uma rede de hotéis somará mais 1.830 quartos à cidade, com prédios novos a serem erguidos na Barra da Tijuca. O projeto da candidatura rio-2016 teria assim superado o exigido.
Delegados cariocas acreditam na vitória da cidade com base em argumentos reais: o bom momento do Brasil na cena internacional, superando a crise econômica até mesmo na frente de países desenvolvidos, a necessidade de rodízio de continentes (no que concorda o próprio Jacques Rogge, presidente do COI) e também a meta do COI de "rejuvenescimento" do movimento olímpico - o que também favorece a América Latina, um continente de jovens e que ainda não recebeu uma Olimpíada.
O que se verá nesta sexta-feira (2) é se os membros eleitores do COI votarão, na primeira instância, de acordo com suas convicções técnicas, e a partir da eliminação das cidades menos votadas se deixarão levar até a decisão final pela euforia da candidatura carioca.