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publicado em 18/01/2013 às 13h33:

Brasileiro que conviveu com Lance Armstrong
revela submundo do ciclismo

Único do País a vencer etapa da Volta da França, Mauro Ribeiro relembra ex-ídolo

Thiago de Araújo, do R7


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Testemunhas oculares de fatos históricos podem se dizer privilegiadas. O ex-ciclista brasileiro Mauro Ribeiro pode se sentir uma delas quando o assunto é o americano Lance Armstrong. O ex-ídolo mundial da modalidade, que admitiu em uma entrevista na noite desta quinta-feira (17) o uso de substâncias dopantes, pedalou lado a lado com Ribeiro no início dos anos 90, quando ambos competiam na Europa, palco das principais provas do mundo.

Em entrevista exclusiva ao R7, Ribeiro, que também foi técnico da seleção brasileira de estrada até 2011, relembra que teve a oportunidade de conhecer bem Armstrong durante competições em solo europeu, entre 1993 e 1995. A impressão inicial do então sete vezes campeão da Volta da França foi de sempre se portar de maneira arrogante, ao melhor estilo dos nascidos no Estado americano do Texas.

– A primeira prova que competi contra ele eu lembro até a data, 7 de fevereiro de 1992, quando ele chegou ao ciclismo profissional. Ele era de se impor, o típico americano. Naquela época já sabíamos que ele era talentoso e capacitado. O encontrei naquela prova, em San Remo [Itália], e ele estava no hotel brincando e um massagista da equipe comentou como ele era como um cavalo indomável. Ele queria tomar refrigerante e comer hambúrguer, algo impensável, já que o ciclismo demanda uma dieta rígida. Não tínhamos amizade, o ciclismo é mais ou menos como a Fórmula 1, as amizades são cultivadas, é muito competitivo.

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As investigações da Usada (agência americana antidoping), concluídas em 2012, apontam que o início de Armstrong no mundo das substâncias proibidas veio pelas mãos do médico italiano Michele Ferrari, o qual o acompanhou durante boa parte da carreira. Coincidência ou não, foi o período mais vitorioso do americano. Mauro Ribeiro também teve a oportunidade de conhecer o polêmico médico, e revela detalhes do que via de diferente já na década de 90.

– Ele [Ferrari] já era um médico conhecido quando me tornei profissional, em 1986. Ele tinha história no esporte italiano. Lá ele começou a utilizar um processo de medicina esportiva revolucionário, levando em conta o processo nutricional e outras coisas. A história do “overtraining”, aquela história de treinar demais, não existia com os atletas dele. Ele conhecia muito sobre como melhorar a performance, construiu uma literatura de alimentação e suplementação. Foi uma cultura toda nova trazida por ele para o ciclismo. Naqueles tempos, até 1993, se restringia aos italianos o uso de produtos que, na ocasião, não eram considerados dopantes. A EPO (eritropoietina) era uma delas, mas quando descobriram que havia o risco de matar, ela passou a ser proibida.

O drama que atingiu não só o ciclismo, mas vários esportes de alto rendimento a partir da segunda metade dos anos 90, pode ser atribuído à eritropoietina. De difícil detecção, ela aumenta o número de glóbulos vermelhos no sangue, melhorando a troca de oxigênio e a resistência física de quem a utiliza. O corpo humano carrega quantidades de eritropoetina, já que os rins a produzem. Entretanto, taxas mais elevadas, se encontradas, indicam o doping. Além do ciclismo, ela ainda hoje é muito encontrada em provas de fundo, como atletismo e esqui.

Lance Armstrong admitiu o uso de várias substâncias, a EPO entre elas. Ribeiro garante que nunca usou ou orientou seus atletas a utilizarem qualquer forma de doping, mas não se engana e admite que o doping já existia na sua época de ciclista, e provavelmente continuará existindo, o que obriga a uma posição cada vez mais firme, sobretudo da UCI (União Internacional de Ciclismo), para pôr fim a fenômenos como Armstrong, que demonstrou em sua confissão à apresentadora Oprah Winfrey que sabia como burlar todos os sistemas de antidoping da sua época.

– Não podemos mentir que não existe ou existia doping. Costumamos sempre pensar primeiramente no lado do talento, mas questionamentos quando alguém domina demais um esporte sempre há. Entretanto, é preciso provar quando existe alguma suspeita. No caso do Lance, isso só veio agora, depois que ele parou, e por uma investigação federal nos EUA. As amostras coletadas há mais de dez anos é que apontaram doping, na época não apareceu nada. Essa caça à EPO derrubou vários campeões, mas ainda é algo recente se formos pensar. Precisamos de um sistema mais regular, mais atuante.

Arrogância de campeão custou caro

Único brasileiro a vencer uma etapa da Volta da França (dia 14 de julho de 1991, na nona etapa, entre Alençon e Rennes), a principal prova do ciclismo mundial, Mauro Ribeiro acredita que Armstrong pagou não só pela trapaça, mas também pela sua arrogância, colecionando inimigos e uma eterna busca para derrubá-lo do pedestal que atingiu, com direito a “uma estátua ao lado de George Washington nos EUA”, como usou como comparativo para destacar a importância do ciclista em seu país.

– Foi uma coisa bem política também no caso dele. Todas as pessoas que o conheceram queriam derrubá-lo, muitas delas eu também conheci. O que ele fez e a maneira como fez revolucionou o esporte de várias maneiras. Esportivamente não era correto, mas ele foi mais questionado pela capacidade e pela técnica, o mesmo que o Ronaldinho fez no futebol ou o Senna na Fórmula 1, por exemplo. Durante dez anos ele foi impecável, fez o que queria, o que torna tudo tão decepcionante agora com essas descobertas. Muitos foram pegos em seus esportes e não perderam títulos, mas o Lance incomodou muita gente, foi muito arrogante e pagou por isso. Se ele não fosse americano, com aquela investigação federal, talvez passasse batido. Só agora ele entendeu a dimensão do criou, do que ele era e do que fez.

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E o futuro? O brasileiro acredita que a história de Lance Armstrong ainda terá muitos desdobramentos e o americano sempre será uma figura polêmica, tendo garantido, de um modo ou de outro, o seu nome na história do esporte. Para o ciclismo, a lição, de acordo com Ribeiro, é de que é necessária uma unificação das regras que envolvem o antidoping nos esportes, já que muitas vezes substâncias aceitas em uma modalidade não valem em outra, o que cria incongruências perigosas.

– Toda história pode ser contada de mil maneiras, e isso vale para o esporte se não houver uma unificação das regras no que diz respeito ao doping também. Há muito investimento financeiro e pressão no ciclismo, tudo acaba sendo questionável. Se você usa um produto, faz o controle e não é pego, consta lá que você está limpo. Porém, quatro anos depois alguém vem acusá-lo de alguma coisa. É tudo muito complexo, temos que levar essa história para o lado sadio e positivo, levando em conta a evolução mecânica e da medicina.

Assista ao vídeo: 

 

 

 
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