Em 13 de agosto de 2008, um judoca até então desconhecido se tornou um dos símbolos da delegação brasileira na Olimpíada de Pequim. Eduardo Santos, da categoria médios (até 90 kg), surpreendeu a todos com seu desempenho, mas foi eliminado uma luta antes da disputa pelo bronze.
Chorando muito após a derrota, reconheceu sua inferioridade em relação aos rivais e pediu desculpas aos seus pais diante de dezenas de câmeras e jornalistas.
- A gente veio para ganhar, né? A gente não veio para participar. A gente quer representar o Brasil, quer chegar no ponto mais alto. Não quer ser nem segundo... Gostaria de falar para o meu pai e para a minha mãe que tentei o máximo que pude, mas não tive competência para jogar [derrubar] meu adversário.
A história de Eduardo se espalhou. O público ficou sabendo que até pouco tempo antes da Olimpíada ele nem sequer era faixa preta, pois não tinha dinheiro para pagar o exame. Patrocínio também não havia. Quase dois anos depois, algumas coisas mudaram na vida de Eduardo. Outras, não.
- Aquilo lá foi um “boom” que aconteceu na minha vida. Aconteceu comigo uma vez e passou. Foi aquele estardalhaço e passou. Agora minha vida voltou ao ritmo normal. Estou em outro clube, consegui um patrocínio do Banco BMG, mas ainda peço desculpas para meus pais quando não venço, porque eles tiveram que me ajudar para eu chegar onde cheguei. Sempre peço diretamente a eles, mas naquela hora saiu em público.
Mesmo com menos apoio financeiro que os grandes nomes da modalidade, Eduardo Santos afirmou que não esperava mais patrocínios após o sucesso na China, apenas mais reconhecimento. Como seu nome fugiu do noticiário após Pequim, poucos souberam o que aconteceu com ele depois dos Jogos.
Segue então um breve resumo: o judoca se formou em Educação Física na USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), mas não exerce a profissão, viu um dos maiores nomes do judô nacional, Tiago Camilo, subir para a sua categoria e trocou o São Caetano pela Sogipa, de Porto Alegre.
- Ter um patrocínio facilitou muito minha vida e estou morando do lado da Sogipa. É um investimento do clube. Eles estão me dando toda a infraestrutura para treinar e, com o dinheiro do patrocínio, consigo fazer uma suplementação boa, pagar um preparador físico, consigo sustentar minha vida de atleta. Antes, meus pais me sustentavam. Eu ainda fazia faculdade. Tinha bolsa, mas precisava pagar a matrícula.
Eduardo mantém o otimismo de ir para Londres-2012 mesmo tendo como adversário Tiago Camilo, medalha de prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008.
- Com ele, estou esperando ter um rendimento maior. É um atleta que possui muitos títulos e é muito bem visto, então se eu ganhar serei supostamente um judoca muito forte. A gente trabalha para isso: entrar no cenário internacional. A seletiva com o Tiago não muda muito. Na outra tive que disputar com o [Carlos] Honorato e estou acostumado a enfrentar atleta de renome.
Pelo menos um planejamento de Eduardo Santos não deu certo neste ciclo olímpico. Um dos motivos para ir à Sogipa era melhorar sua “catada de pernas”, pois o bicampeão mundial João Derly, especialista dessa técnica, treinava no clube. Entretanto, com as mudanças na regra do judô, esse ataque ficou mais restritivo.
- Meu treinamento no São Caetano ficou um pouco saturado e estou com um ensinamento novo. O treinamento lá já tinha oito anos, então já estava ficando um pouco repetitivo.

Novo rival de Eduardo Santos é o medalhista olímpico Tiago Camilo - Foto: AP/Eugenio Savio