Torcedor não deve comprometer mais que 15% da renda com futebol

Professora de marketing esportivo vê fã como refém dos programas de sócios

Ingresso mais caro afastou torcedor de baixa-renda dos estádios pelo Brasil
Ingresso mais caro afastou torcedor de baixa-renda dos estádios pelo Brasil Buda Mendes/Getty Images

As tão modernas quanto caras arenas do requerido “padrão-Fifa” também afastaram os torcedores de baixa renda dos estádios. Se a “geral do Maraca” já não existe mais desde antes da Copa 2014, outros setores populares estão minguando. Em um quadro como esse, mesmo o torcedor mais apaixonado não deve comprometer mais de 15% de sua renda com ingressos para futebol.

O cálculo é da professora de marketing esportivo da ESPM, Clarisse Setyon, que também se mostrou preocupada com as preferência em tempos de arrochar os bolsos e não se entregar às extravagâncias. Para citar os clubes de maior torcida nas próximas rodadas, o ingresso mais barato para um jogo do Flamengo, em geral, custa R$ 78 na Ilha do Urubu (sem a necessidade de ser sócio-torcedor); no Itaquerão, dito Arena Corinthians, a entrada mais barata sai por R$ 40 (também aberto ao público que não está nos programas do clube).

“Para o brasileiro, no momento de crise, eles devem contar com 10% a 15% para o entretenimento em geral. Não apenas partidas de futebol. Agora, estamos em um País que as prioridades devem ser outras”, disse Clarisse.

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Mas mesmo o modelo de sócio-torcedor no Brasil não é dos mais vantajosos se olhado para os grandes europeus. Segundo a especialista, os praticados por aqui são muito mais uma maneira facilitada de comprar ingresso do que propriamente a fidelização do público. A medida torna o apaixonado por futebol um refém do próprio clube, sujeito à disponibilidade de ingressos para o setor em que teria direito a uma cadeira. A conta não fecha se considerar o número de sócios maior, e muito, que a capacidade dos estádios.

O Internacional – com 112.756 sócios de acordo com o “Movimento por um Futebol Melhor” consegue oferecer no máximo 50 mil lugares – recém-lançou um programa de R$ 10, com ingressos igualmente a R$ 10, para sócios-torcedores de comprovada baixa-renda. Um dos requisitos é ter renda mensal de até dois salários mínimos (R$ 1.874,00).

Apesar da provável boa intenção, a especialista entende que a comprovação da baixa renda não será tão simples quanto se pode imaginar.

“Comprovar baixa renda neste País é um problema muito sério. O clube pode estar com uma boa intenção, mas vai ser um perrengue para comprovar baixa-renda. O brasileiro é muito criativo. É semelhante ao sistema de cotas. Vejo uma forma complicada para gerir isso”, disse. “Se der certo, será uma tendência já que as novas arenas acabaram ficando caro para uma grande gama de torcedores.”

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