Pupilo de Tite e Ronaldo trocou Malásia por Copa Paulista no Azulão

Hoje no São Caetano, Elias foi campeão brasileiro pelo Corinthians em 2011

Ex-revelação do Corinthians, Elias está no São Caetano
Ex-revelação do Corinthians, Elias está no São Caetano Fabrício Cortinove/São Caetano

Treinar e jogar ao lado de Ronaldo, Roberto Carlos, Paulinho e Adriano é um privilégio para poucos. Ser escolhido por Tite, então, está entre as honrarias mais sonhadas pelos jogadores brasileiros. Elias, atacante do São Caetano, conseguiu ambos os feitos, ainda no início de sua carreira. Cria da base do Santos, foi para o Corinthians aos 17 anos e subiu para o profissional por escolha do então comandante, hoje técnico da seleção. Logo de cara, o jovem se viu em campo com seus ídolos do videogame e disputando posição com o Imperador, Jorge Henrique, Emerson Sheik e Liédson.

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Quando faltavam opções para jogar com Ronaldo no setor ofensivo corintiano, Tite decidiu promover o garoto Elias das categorias de base, no fim de 2010. No ano seguinte, o atacante fez parte do elenco campeão brasileiro.

Elias Oliveira, como era conhecido na época, deixou sua marca em lugares distantes. Com passagens pelo futebol da Coreia do Sul e da Malásia, ele retornou ao Brasil para defender o São Caetano e realizar um sonho de infância.

Nesta entrevista, o atacante do Azulão falou sobre as experiências de jogar com Ronaldo, ser destaque do campeonato da Malásia e disputar a Copa Paulista pelo time do ABC.

O começo com Tite

“Comecei na base do Santos, aos 11 anos. Fui aos 17 para o Corinthians e subi aos 18, com o Tite. O que posso falar dele é que, sem dúvida nenhuma, foi o melhor treinador com quem trabalhei. Como ser humano e como técnico, ele tem características diferentes dos outros. Foi um privilégio poder aprender com ele. Ele é muito motivador e um cara por quem eu tenho o maior respeito e carinho. Agradeço muito a ele por ter me dado essa oportunidade no Corinthians”, contou Elias.

“Para mim, ficou marcado por jogar ao lado de dois dos meus ídolos: Ronaldo e Roberto Carlos. Eu jogava com eles no videogame e, quando criança, era meu sonho poder entrar em campo e vê-los. Eles estavam quase parando, mas tive a oportunidade de treinar e concentrar com eles. São pessoas simples, humildes e craques que a gente admira.”

Falta de oportunidades
Depois de Ronaldo, Elias disputou posição no ataque com Adriano Imperador
Depois de Ronaldo, Elias disputou posição no ataque com Adriano Imperador Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Tido como revelação da base, Elias nunca deslanchou no Corinthians. Na campanha do título brasileiro em 2011, ele entrou em apenas quatro jogos, sendo preterido por outros nomes como Emerson Sheik e até Adriano. A falta de chances é apontada por ele como fator determinante na saída do time ao fim da temporada.

“Creio que não fiquei (no Corinthians) por conta da concorrência, que era muito grande. Na minha época, era muito difícil subir jogador da base, tanto que subiu só mais um jogador comigo. No elenco, tinha o Sheik, o Willian, o Liédson. Então, eu peguei uma fase muito difícil por conta dos atletas que estavam no plantel. Eu estava buscando meu espaço e acredito que não permaneci por conta disso, por não ter tido tantas oportunidades”, analisou.

Conselho de Ronaldo
Elias em ação em treino do Corinthians
Elias em ação em treino do Corinthians Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

“Nunca vi atacante mais tranquilo que o Ronaldo. Era um cara muito frio dentro da área. Na época, pude treinar e aprender com ele, que me ensinou algo muito importante: ‘Elias, não é força, é jeito’”, lembrou o atacante, hoje com 25 anos.

“O Ronaldo é um cara especial, espetacular, que dispensa comentários. Foi pouco tempo, uma pena, pois logo em seguida ele parou, mas foi um cara excepcional”.

Desafios na Coreia

Após o título, Elias foi emprestado ao Paraná para a temporada 2012. Depois disso, passou por Villa Nova, Bangu e Luverdense, antes de seguir para o Oriente e viver uma nova realidade.

“Acabei saindo do Luverdense depois do estadual. Recebi essa proposta da Coreia, muito boa financeiramente para mim e para a minha família. Resolvi aceitar esse desafio de encarar a Ásia, sabendo que na Coreia as pessoas são muito diferentes daqui do Brasil, são mais frias. É um futebol que evoluiu muito, de muita marcação. É muito difícil jogar lá”, contou Elias.

Ele explicou que, ao contrário do futebol sul-americano, a proposta de jogo na Coreia do Sul era outra. Jogando pelo Busan IPark, ele precisou se adaptar.

“Dentro de campo, o futebol é diferente. Lá eles priorizam muito a marcação, muito mesmo. Foi importante porque aprendi outras coisas e outras características”, relatou.

Fora dos gramados, o atacante também sentiu dificuldades. Uma tentativa de se alimentar em um restaurante gerou uma situação cômica.

“Engraçado que eu não conhecia a comida deles. Tem um prato típico lá que eles chamam de kimchi. Eu achei que era lasanha e comi, mas era muito apimentado. Os coreanos riram de mim na hora” lembrou Elias.

Sequência e gols na Malásia

Durante o ano de 2016, Elias defendeu outro time do continente asiático: o Perak, da Malásia. Lá, ele finalmente conseguiu engrenar jogos em sequência e se tornou um dos destaques do campeonato do País.

Elias também dividiu o campo com o capitão Chicão
Elias também dividiu o campo com o capitão Chicão Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

“2016 foi o melhor ano da minha carreira, sem dúvida nenhuma. Foram 40 jogos e 15 gols, fiquei entre os 10 melhores jogadores da Malásia. Eu precisava daquela sequência. A motivação do atleta é estar sempre jogando e lá eu joguei muito e tive a sequência que tanto esperava. Assim, as coisas aconteceram”, comemorou.

Retorno às raízes no ABC

Nascido em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Elias recebeu, em 2017, o convite que sempre sonhou do Azulão. Agora, depois de dois anos no exterior e cinco longe de São Paulo, ele está novamente próximo da família.

Elias tem 15 jogos e um gol pelo São Caetano
Elias tem 15 jogos e um gol pelo São Caetano Fabrício Cortinove/São Caetano

“Eu cresci no São Caetano, na escolinha do clube. Entrei com os jogadores no Anacleto (Campanella, estádio do Azulão), o Mineiro, o Lúcio Flavio, o Ademar. Pude entrar com eles em campo, pequenininho, e sempre tive o sonho de defender o São Caetano. Quando recebi o convite do presidente, eu estava de férias aqui no Brasil e não quis mais saber da minha renovação. Abri mão de voltar e seguir uma carreira na Ásia para aceitar esse desafio de vir para o São Caetano. Depois de muitos anos, meu pai pôde me ver jogar. Estar aqui no São Caetano é motivo de muita alegria”, declarou.

Neste sábado (30), o Azulão joga a terceira rodada da segunda fase da Copa Paulista, contra o Desportivo Brasil. No Grupo 6, o time do ABC é um dos 12 restantes na briga pela vaga na Série D do Brasileiro dada ao campeão. 

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7