Copa dos Refugiados chega à quarta edição com final no Pacaembu

250 participantes formam 16 seleções que disputarão troféu em São Paulo

Capitães e organizadores da 4ª Copa dos Refugiados
Capitães e organizadores da 4ª Copa dos Refugiados Pedro Rubens Santos/R7

A Praça Charles Miller recebeu nesta sexta-feira (15) uma infinidade de bandeiras e idiomas. Na frente do Pacaembu, concentravam-se diversos estrangeiros carregando as cores de suas nações. O motivo da reunião, no meio da quente tarde paulistana, era a abertura da quarta edição da Copa dos Refugiados. O evento, que visa a promover a integração e combater o preconceito, começa neste fim de semana e vai até 24 de setembro, data da grande final, que será disputada no histórico gramado do Paulo Machado de Carvalho.

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De seleções tradicionais no mundo do futebol, como Gana e Nigéria, a um país vivendo guerra civil, caso da Síria, os capitães das equipes se reuniram com os organizadores no auditório do Museu do Futebol para anunciar a abertura oficial da 4ª Copa dos Refugiados. 

O torneio é disputado e organizado por refugiados em território brasileiro. A cidade de São Paulo é o palco do evento que existe desde 2014. Os cerca de 250 participantes são divididos em 16 seleções, correspondentes a suas nações de origem, e jogam pelo troféu. A competição tem crescido desde sua primeira edição e a novidade tem sido os palcos. Em 2017, além do Pacaembu, a Arena do Grêmio sediou a Copa dos Refugiados em Porto Alegre, na primeira vez em que os jogos saíram da capital paulista.

4ª edição da Copa dos Refugiados começa neste sábado
4ª edição da Copa dos Refugiados começa neste sábado E. Capozoli/Acnur


Com apoio do Acnur, agência da ONU para refugiados, e das Secretarias Municipais de Esportes e Lazer, dos Direitos Humanos e das Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, a Copa dos Refugiados é gerenciada pela organização África do Coração. O diretor da ONG, Jean Katumba, do Congo, explicou a importância de a Copa ser gerida exclusivamente por refugiados.

“Há uma diferença entre uma copa com refugiados, uma copa para refugiados e a Copa dos Refugiados”, declarou o congolês. Seu país foi o vencedor da edição de 2016. Antes, Camarões venceu em 2015 e Nigéria, em 2014. “Os times são compostos pelos refugiados imigrantes do mesmo país, com espírito de patriotismo”.

Engana-se quem pensa que a Copa só conta com países africanos. Além da já citada Síria, a Colômbia também está na disputa. Os sul-americanos, que deixaram seu país, em grande parte, devido aos conflitos armados envolvendo as Farc (Forças Aramadas Revolucionárias da Colômbia) esperam seguir os passos de Carlos Valderrama e James Rodríguez para alcançar o sucesso no campeonato. A ideia de refugiados exclusivamente do continente africano não corresponde à realidade. Segundo o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), existem 9.552 pessoas refugiadas de 82 nacionalidades vivendo no Brasil.

Troféu da Copa dos Refugiados
Troféu da Copa dos Refugiados Pedro Rubens Santos/R7

O vereador Caio Miranda, um dos apoiadores do evento, destacou a relevância do esporte como promotor de união e solidariedade.

“O esporte é o símbolo da congregação e do trabalho em equipe, onde todo mundo é igual”, comentou o vereador, lembrando que a causa é uma preocupação importante da cidade. “Vocês falam um idioma que podem ensinar para a gente. Vocês têm um valor cultural para ensinar e compartilhar”. Segundo relatório do Acnur, existem mais de 20 milhões de pessoas refugiadas no mundo.

Com a esperança de serem os participantes da final no dia 24 e poderem pisar no Pacaembu, local de tantas glórias do esporte, os capitães deixaram o auditório e seguiram ostentando as camisas de suas equipes pelas ruas de São Paulo.

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7