CBF gastou meio milhão de reais com auxiliares de linha de fundo

Cada um dos ‘vigias’ recebe R$ 800 por partida no Campeonato Brasileiro

Jô, do Corinthians, reclama com auxiliar pênalti não marcado contra Botafogo
Jô, do Corinthians, reclama com auxiliar pênalti não marcado contra Botafogo Marcello Dias/Estadão Conteúdo

Um homem a metros do lance contra um mundo pela televisão. O perigo da instantaneidade contra o conforto dos replays. Entre erros e acertos até esta 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, a CBF já gastou mais de R$ 500 mil com os árbitros assistentes adicionais, como oficialmente são denominados os ‘vigias de linha de fundo’.

Classificação e jogos

Foram 300 jogos realizados até este fim de semana no Brasileirão 2017. Como cada um dos vigias recebe R$ 800 por partida, os números levam ao valor exato de R$ 480 mil. A conta, no entanto, não contempla os gastos com hospedagem e diárias. As diárias são pagas de acordo com a distância de deslocamento até o local de jogo. O auxiliar que viaja até 200 km recebe menos que aquele que viaja até 500 km. As viagens de avião estão ainda em outra cota de valores.

Gol de Pratto pelo São Paulo  levantou polêmica
Gol de Pratto pelo São Paulo levantou polêmica Marcello Fim/Estadão Conteúdo

Apesar do valor gasto para não ter a certeza em lances capitais, o presidente do Sindicato dos Árbitros, Arthur Alves Júnior, garante que há a necessidade dos auxiliares, um em cada baliza, acompanhando principalmente os lances dentro da área. Ainda segundo Júnior, os vigias acertam muito mais do que erram, mas esses acertos não são lembrados pelo grande público.

"Ter um profissional a mais é sempre importante. Além disso, eles acertam bastante e só consideram os erros", disse o presidente do sindicato, que ainda defendeu maior investimento nos assistentes. “Geralmente, os escolhidos são do quadro básico da arbitagram da CBF. Esse ano não colocaram nenhum Fifa, por exemplo.”

Só na última rodada do Brasileirão, foram pelo menos três os lances em que os vigias poderiam demonstrar ao estádio e às câmeras de televisão maior efetividade. Na vitória do São Paulo sobre o Flamengo, o zagueiro Réver tentou cortar e a bola bateu na mão de Lucas Pratto. Ainda que tenha sido considerado um lance involuntário, a ampla sinalização de Adriano Milczvski, no caso, foi deficitária. A arbitragem conversa por intercomunicadores.

Na Arena Condá, a Chapecoense venceu o Fluminense com outro lance duvidoso. A bola sobrou na área e Wellington Paulista mandou de calcanhar para o gol. Em cima da linha, o goleiro Diego Cavalieri chegou a defender. Enquanto os jogadores do time da casa comemoravam, os visitantes reclamavam com o assistente Alisson Sidnei Furtado (TO), que permaneceu imóvel.

O lance de maior repercussão, no entanto, aconteceu na vitória do Botafogo sobre o Corinthians. No último minuto do jogo, no Nilton Santos, Jô recebeu a bola dentro da área e foi desarmado por Igor Rabelo. A confusão foi além da partida, com jogadores do time alvinegro cercando a arbitragem e, principalmente, o auxiliar Savio Pereira Sampaio (DF), para pedira a marcação de um suposto pênalti, não assinalado.

O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, chegou a ordenar – após o gol de mão de Jô, do Corinthians, contra o Vasco pela 24ª rodada – a adoção do árbitro de vídeo. A falta de treinamento, a mudança na regra com o campeonato em andamento e, sobretudo, os altos custos foram impeditivos para o prematuro projeto. Isso não o fez desistir do uso da tecnologia, no entanto, mas para o ano que vem, em detrimento dos adicionais.

“Determinei naquela oportunidade que fosse na primeira rodada [logo após o gol de Jô]. Sou leigo, né. Aí fomos buscar os técnicos. Cada dia que se aproxima, existe um problema técnico. Não podemos ser levianos ao fazer alguma coisa que possa acarretar problema para alguém. Em uma rodada com 10 jogos tem que ser igual para todos. Os técnicos é que vão dizer. Mas está chegando muito próximo de tudo”, disse Del Nero, na CBF, na última sexta-feira, após a convocação do técnico Tite.

A Conmebol estreou o árbitro de vídeo na primeira semifinal da Copa Libertadores, entre Lanús e River Plate, no Monumental de Núñez. O brasileiro Sandro Meira Ricci foi o responsável por analisar os monitores isolados em uma cabine no estádio em modelo semelhante ao que a CBF deseja. Apesar da tecnologia, nenhuma grave ocorrência foi registrada.

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