Campeão pelo Corinthians relembra lesão gravíssima e profecia de Egídio

Promessa em 2005, Dinelson quase amputou perna por problema no joelho

Dinelson assinou com Desportivo Brasil em 2017
Dinelson assinou com Desportivo Brasil em 2017 Reprodução/Instagram

Em 2004, chegava ao Parque São Jorge um garoto de 1,66m de altura e 17 anos. Vindo do Guarani, Dinelson era uma promessa do futebol brasileiro, mas sua passagem pelo Corinthians não foi como ele esperava. Apesar de considerar sua carreira vitoriosa — foi campeão brasileiro em 2005 —, o meia sofreu uma grave lesão no joelho direito que quase o levou a amputar a perna. 

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Hoje no Desportivo Brasil, Dinelson disputa a segunda fase da Copa Paulista com o clube de Porto Feliz. Aos 31 anos, ele ainda almeja novas conquistas no futebol e comemora o caminho alternativo ao qual a carreira o levou. "As lesões me levaram a outras coisas, como família e amigos. Não trocaria isso por um futuro incerto", declarou o meia. 

Em entrevista exclusiva ao R7, o jogador lembrou das passagens mais marcantes de sua trajetória. Entre os temas abordados, está o título brasileiro de 2005, a relação com Jô, Tévez e Mascherano, a grave lesão sofrida, a Libertadores disputada pelo Paraná e ainda uma profecia de Egídio, hoje no Palmeiras, que poderia ter mudado sua história e até evitado a lesão no joelho.

Confira os principais momentos da entrevista com Dinelson, meia do Desportivo Brasil.

Chegada ao Corinthians

Revelação do Guarani no Brasileirão de 2003, quando o clube campineiro terminou na 13ª colocação — duas à frente do Corinthians —, Dinelson foi adquirido pelo time do Parque São Jorge. No alvinegro, jogou a Copa São Paulo pela equipe de base e foi campeão, marcando dois gols na final diante do Nacional. Logo, o meia subiu para o time principal e fez parte do elenco campeão brasileiro em 2005, ao lado de Tévez, Mascherano e Jô.

Dinelson relembra parceria com Jô
Dinelson relembra parceria com Jô Fernando Santos/Folhapress

"Eu joguei o Brasileirão pelo Guarani com 17 anos e, quando terminou o campeonato, o Corinthians me contratou. Na época, o Guarani já era algo diferente para mim, um time que sempre estava na 1ª divisão. Eu subi muito cedo, então ali já foi um susto. O Corinthians, então, era algo que eu só via pela televisão. Cheguei no Corinthians, que estava na transição, vivendo uma crise econômica. Cheguei em um 'pacotão' com nomes como Rincón e Fábio Costa. Passando o tempo, a ficha foi caindo. Foi uma honra muito grande. Passei cinco anos lá e conquistei títulos", celebrou o experiente jogador.

Relação com Jô

O estrelado elenco corintiano era formado por muitos jovens que, posteriormente, fizeram sucesso no futebol. Jô, Nilmar, Carlos Alberto, Marcelo Mattos e os argentinos Tévez e Mascherano nasceram, todos, em 1984 e, portanto, completaram 21 anos em 2005. Para a sorte do técnico Antônio Carlos, a baixa média de idade não interferiu dentro de campo e os garotos voaram até a conquista do campeonato nacional. Com apenas 18 anos, Dinelson e Jô eram dois dos mais jovens atletas daquele time.

"O Jô era o jogador mais novo no Brasileirão 2013 e eu era o segundo, pelo Guarani. Ele é um excelente atacante. Tivemos uma amizade muito boa. A gente sempre entrava e fazia gols ou dava assistências e falávamos: 'vamos ver quem tem mais crédito'. Quando joga bem, ganha créditos. Aquele ano foi feliz. Lembro de um jogo em que eu entrei e ele estava de titular, formando o ataque com o Tévez. O Bobô fez o primeiro, eu fiz o segundo e o Jô o terceiro. Foi 4 a 3 contra o Paysandu, no Pacaembu. Meu gol foi até de cabeça. Tenho 1,66m, então foi o único gol de cabeça que fiz na carreira", lembrou Dinelson.

Tévez, Mascherano e o forte elenco do Corinthians

Além das promessas Jô e Dinelson, o Corinthians contava com outras jovens estrelas, como os argentinos Tévez e Mascherano. O atacante, que hoje está no futebol chinês, tinha uma rixa com Carlos Alberto. 

Dinelson e Tévez em treino do Corinthians
Dinelson e Tévez em treino do Corinthians Fernando Santos/Folhapress

"Os argentinos eram novos também, tinham 20 anos. Na época, já eram muito experientes para a idade e tinham uma personalidade muito grande. O Tévez é fora de série, o melhor jogador com quem joguei. Ele e o Mascherano são dois excelentes jogadores e boas pessoas, humildes. Só tenho coisas boas para falar deles", declarou. "O Carlos Alberto sempre teve essa personalidade forte. É um cara do bem, gente boa, alto astral. Fala o que pensa, isso é o legal dele. É o jeito dele com todo mundo. Claro que muitas vezes isso o prejudica, mas é um cara super autêntico."

Lesão grave no joelho
O meio-campista joga a Copa Paulista pelo Desportivo Brasil, de Porto Feliz
O meio-campista joga a Copa Paulista pelo Desportivo Brasil, de Porto Feliz Julio Bronze/Desportivo Brasil

No início do Campeonato Brasileiro de 2007, após retornar de empréstimo ao Paraná, o drama de Dinelson começou. Em um lance infeliz, contra o Atlético Paranaense, ele rompeu quase todos os ligamentos do joelho direito e precisou ficar afastado dos gramados por muito tempo. Se o lance fosse um pouco mais grave, o atleta poderia ter sido obrigado a amputar a perna.

O meia de 31 anos ainda espera voltar a ter destaque
O meia de 31 anos ainda espera voltar a ter destaque Julio Bronze/Desportivo Brasil

"Em 2007, acabei tendo essa lesão, que foi um divisor de águas na minha carreira. Eu já tinha pego um pouco de experiência e estava vivendo um grande ano. Aconteceu essa fatalidade e acabei demorando muito tempo para voltar. Rompi quase todos os ligamentos do joelho e os médicos falaram que seria bem difícil a minha volta. Depois que retornei, tive que fazer outra cirurgia para reparar as sequelas que ficaram. Demorou muito tempo para eu voltar a atuar em alto nível - de 2007 até 2011 -, para jogar solto de novo", contou Dinelson. "Futebol é incrível, tudo muda muito rápido. Nada me impede de fazer um grande ano e voltar forte ao cenário nacional. Apesar de todo mundo achar que não, ainda estou com 31 anos e dá pra jogar alguns ainda".

Melhor momento da carreira

Dinelson lembra com carinho da primeira passagem no Corinthians, quando venceu a Copinha e o Brasileirão, ambos em 2005. Autor de dois gols na final do torneio de juniores, o meia foi promovido ao elenco profissional no decorrer daquela temporada e conquistou o título nacional aos 19 anos. Entretanto, para o jogador, seu melhor momento da carreira foi em 2007, antes da lesão, atuando pelo Paraná, por empréstimo. Curiosamente, foi no clube de Curitiba que ele viveu um episódio que poderia ter mudado toda a sua história. Uma profecia feita pelo lateral Egídio, hoje no Palmeiras, se concretizou e poderia ter levado Dinelson para o Flamengo. Um veto da diretoria corintiana, porém, segurou o jovem no Parque São Jorge. Foi com a camisa do clube paulista, pouco tempo depois, que ele viveu o enorme drama do rompimento dos ligamentos.

"Dou duas semanas pra ele te chamar para o Flamengo"
Egídio para Dinelson, em 2007

"Eu estava em um grande ano. Fiz uma Libertadores muito boa pelo Paraná, conseguimos passar na pré-Libertadores e classificamos na fase de grupos. Individualmente foi muito bom. Voltei do empréstimo para o Corinthians, mas já estava negociado com o Flamengo", contou. "Fiz um grande jogo no Maracanã, pela Libertadores, e o Kléber Leite foi ao vestiário depois do jogo me dar uma camisa do Flamengo. O Egídio era o lateral do Paraná e falou: 'dou duas semanas pra ele te chamar para o Flamengo'. E foi isso mesmo que aconteceu. Só que na minha volta para o Corinthians, barraram o negócio e acabei ficando."

Depois de muitas idas e vindas, Dinelson se firmou no Desportivo Brasil. Hoje, o clube do interior de São Paulo luta pelo título da Copa Paulista, que dá vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. "Poderia ser outra história se não fossem as lesões. Não sei onde poderia chegar. Mas não fico frustrado por isso, não. (A lesão) me levou a muitas outras coisas: família e amigos. Não trocaria por um futuro incerto", concluiu.

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7