Brasileirão no videogame atrai clubes para cenário dos e-Sports

Campeonato Nacional envolve representantes dos 20 times da Série A

GuiFera é o grande nome do PES no Brasil
GuiFera é o grande nome do PES no Brasil Divulgação/Kin Saito/CBF

Atual campeão brasileiro, o Santos é um dos favoritos para levantar o troféu novamente em 2017. Quem ler essa afirmação, pode ficar confuso, mas ela não se refere ao futebol convencional. Estamos falando de e-Sports, mais especificamente do e-Brasileirão, competição de videogame entre os clubes da Série A, cujo atual campeão é o atleta do Santos, Guilherme “GuiFera” Fonseca. O cenário dos jogos online tem crescido muito no País – foram quase 10 mil inscritos somente no torneio brasileiro em 2016 – e os times de futebol tem investido cada vez mais nesse meio.

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A CBF organizou, no ano passado, a primeira edição do e-Brasileirão, torneio de futebol virtual entre representantes de todos os clubes da Série A. Dos 9.627 jogadores inscritos, 20 chegaram à etapa final, cada um com a camisa de sua equipe de coração. Na final, GuiFera bateu o cruzeirense Cláudio Henrique Silva Mesquita e ficou com o título.

A prática de e-Sports no Brasil cresceu nos últimos anos. Em 2015, a final do Campeonato Brasileiro de “League of Legends” recebeu 12 mil pessoas no Allianz Parque, estádio do Palmeiras. Hoje, milhares de jovens pelo País se envolvem em disputas de diversos jogos online. E entre os games, esportes como o futebol fazem muito sucesso.

A competição da CBF utiliza o jogo Pro Evolution Soccer (PES), da empresa japonesa Konami, para sua disputa. As inscrições para o e-Brasileirão são abertas e a fase inicial, online. Apenas os melhores se classificam para a etapa presencial, quando disputam a chance de representar o clube que amam no campeonato nacional.

Atual campeão do e-Brasileirão, GuiFera, de apenas 18 anos, também conquistou o mundial de PES, em Cardiff, no Reino Unido. “Qualquer um pode se inscrever para jogar pelo clube de preferência. Representei o Santos e até me convidaram para assistir a uma partida no estádio. Mas a gente não possui vínculo, apenas representei o clube nesse campeonato. No Mundial, eu não estava vinculado com o Santos”, disse o ciberatleta.

Troféu do e-Brasileirão
Troféu do e-Brasileirão Divulgação/Kin Saito/CBF

Não é incomum clubes de futebol se envolverem com e-Sports. Na Europa, esse tipo de vínculo é bastante visto, mas no Brasil ele ainda começa a engatinhar. O Santos de Guilherme foi o primeiro a investir em uma equipe de games, ainda em 2015. Nesse ano, o Remo e o ABC também se vincularam a times que disputam campeonatos de jogos online. Os times, porém, não são especilizados em games de futebol, mas são protagonistas em torneios de "League of Legends", por exemplo, jogo de batalha com personagens.

“Ainda não há tanto investimento no cenário do PES, mas existem conversas do Flamengo, que quer entrar nesse meio do futebol virtual. Isso é bacana porque ia expandir o mercado para nós, teríamos mais visibilidade e mais patrocínios”, comentou GuiFera. Nesse ano, o Goiás foi pioneiro na abertura de uma divisão com jogadores profissionais de Fifa, outro jogo de futebol virtual.

O mundo dos e-Sports envolve muito dinheiro. A premiação pelo título mundial de junho desse ano rendeu a Guilherme 200 mil dólares (cerca de R$ 680 mil, na cotação da época). Mas a situação não é a mesma no Brasil. A CBF ofereceu ao vencedor do Brasileirão apenas uma viagem para um evento de um dos patrocinadores. “Na Europa, quase todos os jogadores de PES são patrocinados. Os clubes de futebol oferecem apoio financeiro, viagens, etc.”, relatou o brasileiro campeão do mundo.

A ideia de ganhar a vida jogando videogame atrai muitos jovens, mas a rotina não é fácil. Para poder competir em alto nível, é necessário um alto investimento de tempo e muita dedicação. “No começo era complicado, os dedos doíam de tanto jogar”, contou GuiFera, que treina de 4 a 5 horas por dia. “Hoje em dia não sinto mais. Na parte psicológica, meu pai e minha família ajudam bastante. Considero meu pai como um técnico para mim”. O ciberatleta faz faculdade e diz que consegue conciliar seu tempo entre estudos, treinamentos e lazer.

Foi exatamente a paixão do pai pelos videogames que levaram o menino Guilherme, de Jaú (interior de São Paulo), a iniciar a atuação no meio. “Comecei a jogar no PlayStation 1, o jogo era o ‘Winning Eleven’. Em 2013, comecei a disputar torneios online de PES e vi que tinha potencial, pois bastante gente começou a falar que eu tinha talento e para eu procurar saber mais sobre competições. Em 2014, comecei a jogar campeonatos presenciais”, explicou.

As inscrições para a edição 2017 do e-Brasileirão já estão abertas. Qualquer pessoa com PlayStation 4 e o jogo PES 2017 pode participar. Quem quiser representar o Santos, porém, já começa em desvantagem, pois terá que superar o atual campeão mundial GuiFera para poder jogar contra os outros times e buscar o troféu.

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7