Atletas e cyber atletas se dividem sobre e-games nas Olimpíadas

Paris 2024 vislumbrou inclusão de jogos eletrônicos no programa olímpico

Jogadores da INTZ ressaltam horas de preparação antes das partidas de LoL
Jogadores da INTZ ressaltam horas de preparação antes das partidas de LoL Divulgação

O Comitê Olímpico Internacional já demonstrou interesse em incluir os e-sports em Paris 2024. Entre as inúmeras reações contrárias, os próprios atletas — e-atletas ou até mesmo cyber atletas, como querem os mais conservadores — veem a atitude como positiva para os dois lados e prometem não entrar em polêmica para provar que videogame é esporte.

Diante da ameaça de queda de popularidade das Olimpíadas, o COI planeja modernizar o programa olímpico já na próxima edição. No Japão 2020, beisebol/softball e caratê voltam a valer medalhas. Mas as grandes novidades ficam por conta da inclusão de escalada esportiva, skate e surfe para tentar atrair e, mais do que isso, fidelizar o público hoje jovem, que já não vai mais ver Michael Phelps e Usain Bolt para ficar em dois exemplos de extremo sucesso na Rio 2016.

LoL diz ter mais de 100 milhões de jogadores ativos
LoL diz ter mais de 100 milhões de jogadores ativos Reprodução/Riot Games

Depois da série de ‘esportes radicais’, os ‘esportes eletrônicos’ devem ser os próximos a importar grandes ídolos para aquele que ainda é o maior evento do planeta. Em Paris 2024 e Los Angeles 2028, a intenção é já ter consolidado os e-sports independentemente das reações de quem suou todos os dias para conseguir medalha.

“Será um ganho para os dois lados. Acho que é uma coisa mútua. Por um lado será bom ver um público inteiro das Olimpíadas de olho no nosso esporte; por outro, o esporte eletrônico tem crescido muito e deve evoluir ainda mais”, disse Marcelo ‘Ayel’ Mello, jogador da INTZ, maior vencedora do Campeonato Brasileiro de League of Legends.

O League of Legends, mundialmente conhecido por LoL, é um dos pilares dos esportes eletrônicos. Bem por isso, tende a ser um dos queridinhos também do COI em uma eventual inclusão no programa olímpico – os games não se restringiriam apenas aos do universo esportivo como as franquias Fifa, PES ou Fórmula 1, também entre os mais jogados atualmente. Counter Strike e Dota, resumidamente todos jogos de batalhas em arenas online, também podem aparecer com seus campeões no pódio.

De acordo com dados da desenvolvedora Riot Games, o LoL possuiu mais de 100 milhões de jogadores ativos no mundo, teve o Mundial de 2016 visto por 43 milhões de espectadores e distribuiu quase R$ 20 milhões no Campeonato Mundial de 2016. No game, os jogadores interpretam invocadores, que controlam campeões com habilidades específicas para destruir a base protegida pelo time adversário, em partidas que podem se arrastar por horas e também exigem treinamentos dos profissionais.

“Com o tempo, as pessoas vão ver que é mais que um joguinho no computador. Hoje em dia tem o xadrez que é um esporte também, no League of Legends você usa a mente. A gente usa o tempo todo a mente para ser mais constante, se manter em alto nível. A gente se esforça tão ou até mais que um atleta”, contou Gabriel ‘Turtle’ Peixoto,  também membro da INTZ.

Os jogadores reconhecem que o esforço físico é diferente de, por exemplo, um judoca que no peso-pesado derruba um oponente de mais de 100 kg. A academia e a parte aeróbica não se comparam mas, segundo os cyber atletas, se assemelha em horas de preparação e treinos.

"A gente se esforça tão ou até mais que um atleta”
Gabriel ‘Turtle’ Peixoto, da INTZ

Do outro lado, os próprios judocas, em princípio, não gostam da comparação. Não se trata de preconceito para eles, mas de formar uma geração que eventualmente pode ter dificuldade para desenvolver as relações pessoais e mesmo praticar uma atividade física para a melhora da saúde.

Rafael Silva, o Baby, não é dos mais favoráveis à inclusão dos e-sports no programa olímpico. Dono de duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos, acostumado a derrubar adversários que estão perto dos 130 kg, o judoca acredita que os “esportes antigos precisam se adaptar também a essas novidades”.

“É importante ter essas novas modalidades praticadas em massa. Importante que elas conquistem seu espaço também. Não sinto como uma ameaça, sinto que todos tenham que se coçar para poder inovar, trazer mais praticantes e melhorar o judô como um todo. Não concordo muito com esportes eletrônicos porque acho complicado com o lance da saúde e as coisas que o olimpismo traz. Acho que vai um pouco contra tudo isso", disse Baby.

 

 

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