Foram precisos oito anos, muitas lágrimas, um novo uniforme e o surgimento de um Rei para que o Brasil enfim subisse ao topo do mundo do futebol. Com a vitória sobre a Suécia por 5 a 2, em Estocolmo, a seleção ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez e espantou o “complexo de vira-lata”, como dizia o cronista Nelson Rodrigues.
Mas nem tudo foram flores. O Brasil teve uma preparação tumultuada. O garoto Pelé, uma das esperanças para surpreender o mundo, viajou machucado, e a torcida não acreditava que aquela equipe pudesse trazer o título.
Em campo, porém, a seleção atropelou quem apareceu pela frente. No dia da final, os donos da casa, que tinham eliminado a Alemanha Ocidental de forma surpreendente nas semifinais, até saíram na frente. Então o experiente Didi, eleito depois o melhor jogador da Copa, foi ao gol brasileiro buscar a bola e disse a todos que não se preocupassem, porque o Brasil era melhor e ia virar – como virou, ainda no primeiro tempo, com dois gols muito parecidos de Vavá.
Na etapa final o que houve não foi propriamente um jogo de futebol, mas um espetáculo. Anestesiados, os suecos desistiram de torcer após o terceiro gol, que teve um brilhante chapéu de Pelé, e passaram a aplaudir como se estivessem diante de uma bela orquestra. Era um time que jogava por música, e que conquistou o mundo.
Ficha técnica
Local: Estádio Rasunda, em Estocolmo (SUE)
Data: 29/06/1958 (domingo)
Público: 51.800
Fase: final
Árbitro: Maurice Guigue (FRA)
Auxiliares: Albert Dusch (ALE) e Juan Gardeazabal (ESP)
Gols: Liedholm, aos 4min, e Vavá, aos 9min e aos 32min do primeiro tempo; Pelé, aos 10min, Zagallo, aos 23min, Simonsson, aos 35min, e Pelé, aos 45min do segundo tempo.
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garricha, Vavá, Pelé e Zagallo.
Técnico: Vicente Feola.
Suécia: Svensson; Bergmark, Axbom, Parling e Börjesson; Gustavsson e Gren; Hamrin, Simonsson, Liedholm e Skoglund.
Técnico: George Raynor.
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