A maior tragédia do futebol brasileiro foi culpa, em grande parte, do clima de “já ganhou”. É verdade que o Brasil vinha arrasador, com goleadas sobre Suécia (7 a 1) e Espanha (6 a 1) nas partidas anteriores da fase final, o que lhe deu a vantagem de jogar por um empate.
No dia do jogo, os jornais já saudavam os “campeões do mundo”. Só esqueceram, como diria Garrincha anos depois, de combinar com o adversário.
O Uruguai tinha um bom time, e acima de tudo tinha muita garra. O primeiro tempo terminou sem gols, mas o Brasil marcou logo no comecinho do segundo, com Friaça, e ficou com a mão na taça. Só não contava com as perigosas descidas do ponta-direita Ghiggia: na primeira, ele deixou o bom centroavante Schiaffino livre para empatar a partida; na segunda, diante da indecisão do goleiro Barbosa, que temia outro cruzamento, bateu seco, no canto esquerdo, sem defesa.
Quanto o então presidente da Fifa, Jules Rimet, desceu das tribunas do Maracanã para entregar a taça que levava seu nome, o jogo estava empatado. Ao chegar à porta do campo, o cartola se surpreendeu com o silêncio, e então compreendeu que, nesse intervalo, o Uruguai havia virado.
A tragédia ganhou nome, “Maracanazzo”, e consagrou Ghiggia como o maior vilão do futebol brasileiro - ao lado de Barbosa, que morreu reclamando ter cumprido a maior pena da história do Brasil, como disse em entrevista em 1999:
- A justiça só permite ficar preso 30 anos, mas eu pago por isso há quase cinquenta.
Ficha técnica:
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (Brasil)
Data: 16/07/1950 (domingo)
Público: 174 mil
Fase: quadrangular final
Árbitro: George Reader (ING)
Auxiliares: Arthur Ellis (ING) e George Mitchell (ESC)
Gols: Friaça, aos 2min, Schiaffino, aos 21min, e Ghiggia, aos 34min do segundo tempo.
Uruguai: Máspoli; Matias Gonzáles e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Andrade; Ghiggia, Peréz, Miguez, Schiaffino e Morán.
Técnico: Juan Lopez.
Brasil: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto e Chico.
Técnico: Flávio Costa.
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