Publicado em 16/10/2012 às 23h37
Paraguai paraguaio ou Uruguai paraguaio?
O “cavalo paraguaio”.
Por favor, fique bem claro, nenhum desrespeito ao vizinho do Oeste, nem ao vizinho do Sul.
Eu apenas recorro a uma clássica brincadeira que, diz a lenda, foi adaptada, do turfe ao futebol, na década de 50, pelo satírico jornalista e comentarista esportivo João Saldanha (1917-1990).
Saldanha se referia a um episódio dos anos 20, quando alguém trouxe ao Brasil, do Paraguai, corcéis que, em seus páreos no Rio, logo disparavam à frente e daí, sem fôlego, terminavam na rabeira.
No futebol, Saldanha ironizava clubes que, num campeonato, saíam com bastante folga mas não conseguiam manter o seu ritmo até o final.
A expressão ironizava. E ainda ironiza.
Caso da seleção do Paraguai, sempre incluída entre as melhores da América do Sul e, presentemente, na última colocação da tabela das eliminatórias do continente para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
E caso, também, da seleção do Uruguai, que levantou brilhantemente a Copa América de 2011, na Argentina, depois de bater exatamente o Paraguai, na decisão, 3 X 0.
Na nona rodada das atuais eliminatórias, a Celeste desabou grotescamente em La Paz, Bolívia humilhantes 4 X 1.
Um tropeço que, ao menos momentaneamente, tira o Uruguai do grupo de quatro nações que se classificarão à Copa sem a necessidade de uma perigosa repescagem.
Quanto ao Paraguai, dentro de sua casa, mal suplantou o frágil time do Peru, 1 X 0. E permanece na triste lanterna.
Adversários tenazes do Brasil e da Argentina no continente, o Uruguai e o Paraguai correm o sério risco de ficar fora da primeira Copa, dentro da sua região, em meio século.
O Brasil hospedeiro, sem a necessidade de disputar as eliminatórias, perambula em busca de pelejas caça-níqueis.
E a Argentina, infinitamente superior, lidera com folga a competição.
Em visita ao Chile, ignorou o anfitrião e registrou 2 X 1. O gol do Chile apenas aconteceu nos acréscimos da etapa derradeira.
Por enquanto, Colômbia, Equador e Venezuela batalham pelas outras três vagas.
Não, nenhum reparo, do ponto de vista esportivo.
Mas, com certeza, uma Copa do Mundo, cá no Brasil, sem o Uruguai e sem o Paraguai, não exibirá o mesmo fulgor, a mesma emoção.
Claro, problema do Uruguai e do Paraguai, que tinham de se preparar de maneira mais conveniente.
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