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Memórias dos Jogos Olímpicos

Nos seus tempos, meu pai, Edoardo Lancellotti, foi um atleta de ponta. Corria os duzentos e os quatrocentos metros no Atletismo – e só não esteve nos Jogos de Los Angeles/32, e de Berlim/36, porque, logo à sua frente, com tempos razoavelmente melhores, existia um mito, Sylvio de Magalhães Padilha, que depois virou o presidente do COB.

Meu pai me ensinou a amar os esportes e a ser um disputante com toda a lealdade. E me ensinou a amar os Jogos, faz décadas. Em homenagem a ele, e à minha paixão pelos Jogos, eu perpetro, passo-a-passo, uma recapitulação do que apreciei desde a minha meninice.

LONDRES/48 – Tínhamos, em casa, um aparelho de rádio-vitrola, tão grande que mais parecia uma geladeira. Nos meus quatro de idade, eu me acomodava no chão para escutar os programas prediletos, como o liderado, de segunda a sexta, às 20h00, pelo meu tio tenor Assis Pacheco. Acho que se chamava “Cortina Lírica”, ópera, claro.

Mas, durante os Jogos de 48, meu pai sintonizava o aparelho na emissão, em ondas-curtas, que o locutor Gagliano Neto comandava. Queria acompanhar as performances de alguns amigos, como Adhemar Ferreira da Silva, que estreava no Salto Triplo, e como Massinet Sorcinelli, da seleção de Basquete que ficou com o bronze. Eu não me esqueço de que Don Edoardo vibrou como um moleque naquele dia.

HELSINQUE/52 – Adhemar Ferreira da Silva não havia passado da fase eliminatória em 48. Mas, em 52, arrebatou o ouro, com recorde mundial. Soubemos do sucesso por um boletim transmitido, da Finlândia, por Geraldo José de Almeida, um outro locutor fantástico.

MELBOURNE/56 – O fuso horário impediu o acompanhamento do evento, claro, ainda pelo rádio. Mas, além do bi de Adhemar e do bronze de José Telles da Conceição, outro amigo de meu pai, no Salto em Altura, e de Testuo Okamoto, nos 1.500m da Natação, o Brasil saiu
da Austrália de mãos vazias. Eu soube pelos jornais, dias depois.

ROMA/60 – Eu já era um adolescente avantajado, praticante da Natação e do Pólo Aquático. A TV patrícia cobria os Jogos, mesmo à distância. Alguns filmes chegavam ao Brasil, dois, três dias depois de cada competição. Foi possível constatar a medalha de bronze de Manoel dos Santos Jr., na prova dos 100m, nado livre. E foi comovedora a despedida de Adhemar Ferreira da Silva, aos 33 de idade. No Basquete, a geração de Wlamir Marques e de Amaury Pasos, de Rosa Branca e de Mosquito, somou mais uma medalha de bronze.

TÓQUIO/64 – Quase fui. Fiquei no penúltimo corte. Tudo bem, eu não merecia, mesmo, como atleta ou como um incipiente jornalista. Mas, já existia um arremedo de exibição direta pela TV. Outro bronze no basquete. E só, ausência, indigência, um único terceiro lugar.

AMANHÃ TEM MAIS. ABRAÇÃO.

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