Publicado em 25/07/2012 às 15h17
Memórias dos Jogos Olímpicos – Parte II
CIDADE DO MÉXICO/68 – Eu já integrava a redação de “Veja” quando aconteceu o evento, coberto por meu caro amigo Tim Teixeira, no altiplano da América Latina. Ainda me recordo que o Tim enviava os seus despachos por telex. Dias antes dos Jogos, houve uma revolta de estudantes que gritavam “Diaz Ordaz, incapaz!!!” Claro, Diaz Ordaz era o presidente do país. Violentíssima, a repressão militar usou, inclusive, armas de fogo. Ao Brasil, valeram, naquele evento, a prata de Nélson Prudêncio no Salto Triplo e os bronzes de Servílio de Oliveira no Pugilismo e de Burkhard Cordes/Reynaldo Conrad na Vela.
MUNIQUE/72– Uma edição maculada por oito terroristas palestinos que conseguiram invadir os alojamentos dos atletas de Israel, no prédio de número 31 da Vila e assassinaram alguns dos seus reféns. O evento foi interrompido por 34 horas. O nadador norte-americano Mark Spitz participou de sete provas e ganhou todas. Dentre as garotas fulgurou Olga Korbut, graciosíssima ginasta soviética de apenas 1m50 de altura e 40kg de peso. O Brasil se limitou a dois bronzes, com Nélson Prudêncio no Salto Triplo e com Chiaki Ishii no Judô.
MONTREAL/76 – Apesar da presença da rainha Elizabeth II nas tribunas, o boicote de 24 nações africanas e a ausência da China, que começava a se tornar potência, esvaziaram os Jogos da linda cidade do Canadá. Nadia Comaneci, graciosíssima ginasta da Romênia, catorze anos, brilhou ao conseguir a magia de sete notas máximas nas suas exibições. Apelidado de “O Cavalo”, o cubano Alberto Juantorena se tornou o primeiro homem a vencer as provas dos 400m e dos 800m no Atletismo. Para o Brasil, novamente dois bronzes, novamente no Salto Triplo, com João Carlos de Oliveira, o “João do Pulo”, e no Iatismo, com Reynaldo Conrad e Peter Ficker. A rainha testemunhou, triste, o fcacasso de sua filha, a princesa Anne, último lugar na Equitação.
MOSCOU/80 – Outro boicote, então liderado incrivelmente pelos Estados Unidos, em protesto contra a invasão do Afganistão por tropas soviéticas. Pior, Jimmy Carter, o seu presidente, conseguiu que 60 países adotassem a mesma atitude. Prejudicado pelos fiscais, que anularam nove das suas doze tentativas, o “João do Pulo” se limitou a mais um bronze, atrás de dois constrangidos saltadores locais. Marcos Soares e Eduardo Penido, na classe 470, Lars Bjoerkstroem e Alex Welter, na classe Tornado, somaram dois ouros para o Brasil. Que ainda arrebatou um bronze no revezamento 4 X 200 da Natação. Sem os EUA, a União Soviética abiscoitou oitenta títulos e 68 vices.
LOS ANGELES/84 – Claro, claro, quatro anos depois, ocorreria a vingança da URSS, que instou as nações comunistas a promoverem o seu lado do boicote. Para a sua frustração, porém, a Iugoslávia e a Romênia não aderiram. Pior ainda, a República Popular da China fez, com uma delegação completa, a sua gloriosa aparição nos Jogos. Os EUA somaran 83 títulos e 61 vicês. Na sua melhor participação, até então, o Brasil ganhou um ouro (Joaquim Cruz, nos 800m do Atletismo, cinco pratas (inclusive a do Vôlei masculino) e dois bronzes.
SEUL/88 – Nos 100m rasos explodiu o maior escândalo de toda a história dos Jogos: o impactante flagrante de doping, por esteróides, do canadense Ben Johnson, obviamente despojado do seu ouro. No futebol, apesar das presenças de Romário e Bebeto no time, o Brasil deixou escapulir a chance do ouro tão sonhado nos últimos segundos de uma prorrogação diante da União Soviética, 2 X 1. Em conpensação, com muita paciência e com muita técnica, o judoca Aurélio Miguel subiu ao topo do pódio na categoria dos meio-pesados.
AMANHÃ A PARTE FINAL DESTAS MEMÓRIAS
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