Publicado em 15/11/2012 às 00h50
Pois é, por quê e para quê o Brasil em Nova Jersey, contra a Colômbia…
O Brasil acaba de travar, em Jersey City, Estado de Nova Jersey, USA, o seu milésimo duelo em um campo de futebol. Exatamente, contra a Colômbia, em ótima forma nas eliminatórias da Copa de 2014 – claro, que o Brasil vai hospedar.
Mas, por quê esse combate, digamos, celebrativo, lá tão longe, em uma região recentemente trucidada pelo furacão Sandy? Ah, acontece que a CBF, ainda na gestão de “Don” Ricardo Teixeira, vendeu as exibições da sua equipe a uma empresa multinacional de marketing. Cujo nome, aqui, eu me recuso a enunciar. Prefiro um bom suco de melancia.
Obviamente, anda tudo errado no futebol do País. “Don” Teixeira já abdicou da sua longa presidência – continua, porém, como antepassado de “Don” José Maria Marin, a receber uma fortuna, ao mês, cerca de cem mil reais, digamos, como um “consultor técnico” da entidade.
O evento de Nova Jersey representou, em teoria, um marco na história do futebol do Brasil, cuja seleção inaugurou a sua jornada oficial de muitas glórias e de azarados tropeções lá em 21 de Julho de 1914.
Hoje, todavia, não importa o que transcorreu desde então. Nem mesmo os cinco títulos de Copa do Mundo, dois deles somados sob a gestão de Teixeira. O torcedor comum, trivial, como você e eu, caro leitor, apenas quer saber se o time agora liderado por Mano Menezes, um cara sóbrio, e sério, pode batalhar pelo título da Copa em 2014, aqui no Brasil.
E eu revivo a data – o centenário da estréia de uma seleção do País...
De todo modo, oferece, a atual seleção do Brasil, um elenco capaz de desafiar inimigos como a radical e rivalérrima Argentina, as tradicionais Espanha, Alemanha, Inglaterra e/ou Itália? Na modesta opinião deste reles blogueiro, sim. E eu cá repito, em letras maiúsculas, SIM.
O problema não reside nos atletas. Nem no seu presente treinador.
O País dispõe de excelentes talentos na meta, na zaga, no meio-de-campo e no ataque. E ainda dispõe de múltiplos atletas que podem, em um só lance, modificar o destino de um cotejo. Como, por exemplo, o apoiador Paulinho, o armador Kaká, os avantes Neymar e Fred. Como, provenientes do banco de reservas, Ralf ou mesmo o tanque Hulk.
Só que de nada adianta, nos plenos meados do principal campeonato do Brasil, realizar viagem tão absurda para uma porfia caça-níqueis.
E com alguns craques importados dos torneios da Europa... Basta!
Não importa o placar da pugna. Ainda na etapa inicial, distração de Leandro Castán, improvisado na lateral-canhota, Cuadrado fez 1 X 0 para a Colômbia. Inertes Ramirez, Paulinho, Oscar e Kaká, sumidos Neymar e Thiago Neves, o Brasil sofreu bastante até os 63 minutos.
Então, num lampejo individual. Neymar despertou – e igualou, 1 X 1.
Mano Menezes já preparava a emergência, a substituição de Thiago Neves por Leandro Damião. Imediatamente, o treinador desistiu.
Daí, aos 72 minutos, entrou Lucas no lugar de Thiago Neves. Rapidez?
Efetivamente, a seleção do Brasil se tornou um tiquinho mais veloz.
Aos 80 minutos, pênalti claro de Armero em Daniel Alves.
Pênalti que Neymar cobrou excessivamente alto, no rumo do Canadá.
Não acertaria o alvo nem no ípsilon do futebol americano...
Melancolicamente, o Brasil encerrou o seu milésimo prélio apenas com um empate medíocre. Sorte de Mano Menezes & Cia, que Falcao Garcia, o astro mais cotado da Colômbia, foi o pior do combate.
PS.: Que atuação fenomenal de Ibrahimovic, que registrou, pela Suécia, os quatro tentos no amistoso da sua seleção diante da Inglaterra, nesta mesma quarta-feira, 4 X 2, no antológico estádio de Rasunda. Bravo!
Envie o seu comentário. Pode criticar. Juro que não fico bravo...
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Publicado em 13/11/2012 às 22h10
O Brasil em Nova Jersey… Por quê e para que?
A seleção de Mano Menezes enfrenta, nesta quarta, em Nova Jersey, na região mais afetada pelo furacão Sandy, a sua congênere da Colômbia.
Quem me lê vai estranhar a insignificância quantitativa deste post...
Por quê e para quê tal jogo?
Como perguntava o Antenor de Aquino, meu queridíssimo professor de Latim no Colégio Rio Branco: Quid prodest? A quem interessa?
Voltarei ao tema, mais tarde, depois do fantástico duelo...
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Publicado em 06/11/2012 às 11h02
Sobre a educação dos torcedores
Então jornalista de mídia impressa e, eventualmente, de TV, cobri a Copa de 90, na Itália, pela Folha de S.Paulo e pela Band. Foi uma experiência memorável, inolvidável. Uma Copa na terra dos meus ancestrais. Fiquei plantado em Roma, a capital da Bota. A seleção do Brasil estava instalada em Asti, no Piemonte. A mim, porém, cabia escoltar o dia a dia da “Azzurra”, na região de Marino, bem pertinho do Castel Gandolfo, residência de verão dos papas, e o dia a dia da Argentina, alojada em Trigoria, do outro lado da cidade, no CT da Roma.
A Folha me propiciou um carro, uma Lancia Delta, com que, em cinquenta dias, eu trafeguei bem mais de cinquenta mil quilômetros. Aliás, creia quem quiser, mesmo na Itália eu perdi uns 15 quilos. Explicação simples. Havia uma diferença de cinco horas entre a Bota e o Brasil. Uma partida no Estádio Olímpico da capital se encerrava quase por volta de meia-noite lá. Ou, sete da tarde, aqui no do Brasil. Eu enviava os meus despachos e tentava me alimentar.
Descobri uma pequena pizzaria no bairro boêmio do Trastevere e lá eu cravei o meu comedouro. Marco Forte se chamava o chefe da cozinha, por onde ele andará?
Noite após noite eu visitei a pizzaria do Marco até que, subitamente, no corredorzinho que dava entrada ao suave lugar, percebi um bando de brasileiros, vestidos em camisas de times de quinta divisão e, todos, com rudes sandálias havaianas. Todos aos berros, aos palavrões. Rapidíssimo, me escondi num dos banheiros do lugar. O episódio me volta à cabeça por causa das orientações da FIFA a respeito do comportamento dos torcedores do Corinthians, parece que em torno de 20.000, no próximo mundial de clubes no Japão. Há páginas e páginas de recomendações. Servirão? Sinceramente, não sei.
Na Copa de 90 e, depois, na Copa de 94, eu liminarmente fugia dos lugares em que se concentravam os meus compatriotas. Bebiam demais. Faziam barulho em excesso. Bagunçavam... O retorno ao Brasil, depois da Copa de 94, foi insuportável. O voo estava lotado de brasileiros excessivamente felizes com o título. Tanto que não respeitaram a noite e quem desejava dormir. Eu, que tenho pavor de aviões, ao lado do grande Alberto Helena Júnior, permanecia desperto, aceso, principalmente porque um idiota, por perto, com uma corneta absurda, insistia em soprá-la nos ouvidos alheios.
Até que o Landão, o saudoso Orlando Monteiro Alves, pai do Adilson, aquele da Democracia Corinthiana, se enfureceu. Como um saltador de barreiras, o Landão atravessou, por cima das poltronas, metade da galeria, e arrancou a corneta do idiota. Foi aplaudido até pelas comissárias.
Espero que os fãs do Timão sejam mais civilizados no Japão.
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Publicado em 16/10/2012 às 23h37
Paraguai paraguaio ou Uruguai paraguaio?
O “cavalo paraguaio”.
Por favor, fique bem claro, nenhum desrespeito ao vizinho do Oeste, nem ao vizinho do Sul.
Eu apenas recorro a uma clássica brincadeira que, diz a lenda, foi adaptada, do turfe ao futebol, na década de 50, pelo satírico jornalista e comentarista esportivo João Saldanha (1917-1990).
Saldanha se referia a um episódio dos anos 20, quando alguém trouxe ao Brasil, do Paraguai, corcéis que, em seus páreos no Rio, logo disparavam à frente e daí, sem fôlego, terminavam na rabeira.
No futebol, Saldanha ironizava clubes que, num campeonato, saíam com bastante folga mas não conseguiam manter o seu ritmo até o final.
A expressão ironizava. E ainda ironiza.
Caso da seleção do Paraguai, sempre incluída entre as melhores da América do Sul e, presentemente, na última colocação da tabela das eliminatórias do continente para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
E caso, também, da seleção do Uruguai, que levantou brilhantemente a Copa América de 2011, na Argentina, depois de bater exatamente o Paraguai, na decisão, 3 X 0.
Na nona rodada das atuais eliminatórias, a Celeste desabou grotescamente em La Paz, Bolívia humilhantes 4 X 1.
Um tropeço que, ao menos momentaneamente, tira o Uruguai do grupo de quatro nações que se classificarão à Copa sem a necessidade de uma perigosa repescagem.
Quanto ao Paraguai, dentro de sua casa, mal suplantou o frágil time do Peru, 1 X 0. E permanece na triste lanterna.
Adversários tenazes do Brasil e da Argentina no continente, o Uruguai e o Paraguai correm o sério risco de ficar fora da primeira Copa, dentro da sua região, em meio século.
O Brasil hospedeiro, sem a necessidade de disputar as eliminatórias, perambula em busca de pelejas caça-níqueis.
E a Argentina, infinitamente superior, lidera com folga a competição.
Em visita ao Chile, ignorou o anfitrião e registrou 2 X 1. O gol do Chile apenas aconteceu nos acréscimos da etapa derradeira.
Por enquanto, Colômbia, Equador e Venezuela batalham pelas outras três vagas.
Não, nenhum reparo, do ponto de vista esportivo.
Mas, com certeza, uma Copa do Mundo, cá no Brasil, sem o Uruguai e sem o Paraguai, não exibirá o mesmo fulgor, a mesma emoção.
Claro, problema do Uruguai e do Paraguai, que tinham de se preparar de maneira mais conveniente.
Envie o seu comentário. Pode criticar. Juro que não fico bravo...
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