Publicado em 28/11/2012 às 15h44
Um rolo sufoca a CBF
Às vésperas do sorteio dos grupos para a Copa das Confederações que o Brasil vai abrigar, entre 15 e 30 de junho de 2013, a seleção nacional vive uma das crises mais patéticas de toda a sua história. Traições e comportamentos absurdos se sucedem a cada instante.
Já se sabe que Luiz Felipe Scolari acertou com José Maria Marin a sua volta ao comando da equipe ao menos dois meses atrás – enquanto o venerando presidente da CBF publicamente fingia que nada acontecia.
Já se sabe que Marin, com a cumplicidade de Marco Polo Del Nero, presidente da FPF e um dos seus vices na CBF, torpemente preparava o fuzilamento de Andrés Sanchez, diretor de seleções da entidade.
Mentor da ascensão de Mano Menezes ao cargo de treinador, o sempre esperto Andrés Sanchez não percebeu que, depois da queda de Ricardo Teixeira e da ascensão de Marin, se transformou num mero fantoche.
Andrés sonhava com o posto de presidente na eleição da entidade em 2014. Um empecilho crucial na fantasia ambiciosa do vaidoso Del Nero.
Nada melhor do que derrubar Mano para estilhaçar Andrés. Mesmo humilhado, Andrés ainda tentou um esperneio. Resistiu três dias — e se demitiu.
Só que, paralelamente, envolvido numa investigação ainda misteriosa da Polícia Federal, Del Nero teve computadores e documentos apreendidos em sua própria residência e foi obrigado a prestar depoimento.
Aparentemente, havia contratado uma agência de detetives para investigar uma mulher ainda não identificada. Questão pessoal, jura Del Nero. Pena que a tal agência cumprisse algumas missões bem mais soturnas.
E Del Nero se emaranhou na operação da PF.
Del Nero se escondeu na mudez. Mas, membro do Comitê Executivo da Fifa, corre o risco de sofrer uma sindicância capaz de arruiná-lo.
Que rolo...
Envie o seu comentário. Pode criticar. Juro que não fico bravo...
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Publicado em 14/10/2012 às 20h37
Um corinthiano que não ironiza o Palmeiras
Já admiti, publicamente, na TV, na mídia escrita e na Internet, que sou corinthiano. Sempre, para a perplexidade de alguns interlocutores.
“De que modo, com esse sobrenome, você se tornou corinthiano?”
“Sempre achei que você fosse palmeirense...”
Pois saiba, quem me lê, que eu já fui um palmeirista.
Isso mesmo. De palmeirista se auto-chamava quem torcia pelo clube no final dos anos 40 e durante boa parte da década de 50. Não me lembro da data em que o palmeirista, que já fora palestrino, virou palmeirense.
Mas eu me recordo muito bem de quando me tornei corinthiano.
A transformação principiou em 8 de Julho de 1951. Pela Copa Rio, no Pacaembu, bem meninote, presenciei a Juventus da Itália esmagar o Palmeiras por 4 X 0. Meu avô Battista, que conhecia alguns cartolas da Juve, tinha me levado ao estádio, na companhia de meu pai. Edu.
Ambos me conduziram aos vestiários e eu conheci, pessoalmente, ao vivo e em cores, alguns atletas que me encantaram pela solicitude.
Naqueles idos, não se distribuíam camisas de times. Mas, ganhei fotos autografadas de Boniperti, Muccinelli, Viola, Bertucelli, Parola...
Parênteses: não sei mais em que escaninho eu guardei tais imagens.
Daí, só retornei ao Pacaembu em 27 de Janeiro de 1952. Pelo Paulista, o Corinthians superou o Palmeiras, 3 X 1. Na minha cabecinha infantil se tratava de uma reprise da experiência anterior. Alvi-negro versus alvi-verde. Claro, não ocorreu outra visita aos vestiários. No entanto, o meu coração se decidiu assim mesmo – ah, eu seria um alvi-negro.
Reproduzo essa historieta para assegurar que, embora um corinthiano, não faço parte do clã daqueles que ironizam os fracassos do Palmeiras. Parincipalmente em homenagem ao meu pai, um democrata, que nunca me criticou pela escolha anti-familiar. Ao contrário, até que eu pudesse ir ao campo sozinho, invariavelmente meu pai me carregava aos jogos do alvi-negro.
Resumo da ópera: lastimo, siceramente, a condição atual do alvi-verde. E, profissionalmente, me sinto no legítimo direito de vasculhar algumas das razões desta crise patética. Por partes, em ordem de importância.
O Palmeiras é um clube sem comando. Embora eu goste do presidente Arnaldo Tirone, embora eu adore o beirute do seu Yellow Giraffe, lugar que costumo frequentar com certa regularidade, sou obrigado a dizer que ele fez tantos acordos, para assumir o cargo, que apenas fortaleceu as múltiplas facções que comprometem a tranquilidade do clube.
Facções de conselheiros que trocam cadeiradas numa área social. Em que um cidadão vai armado e, na confusão, até perde a sua pistola.
Nem Luiz Gonzaga Belluzzo, um intelectual e professor que enfrentou a Ditadura Militar, que se tornou dono de universidade, depois de ganhar o posto de presidente conseguiu apaziguar o ódio visceral que antepõe as facções e resolver a bagunça que predomina na política do clube.
Além disso, o Palmeiras possui uma torcida rancorosa que também se subdivide em facções incapazes de conter a sua ira, imbecis que já depredaram o Frevo, restaurante concorrente do Yellow na produção do beirute, propiedade de Roberto Frizzo, um vice de Tirone.
Vândalos que gastaram uma boa grana para viajar de São Paulo ao Recife, à partida crucial diante do Náutico, e que, ao invés do apoio aos seus atletas, promoveram a maior balbúrdia, horas antes da partida em Pernambuco, na porta do hotel em que a delegação se instalava. O comando do clube anda tão confuso, tão aparvalhado, que sequer pensou em colocar a indispensável segurança no local.
Alguém observará que a torcida do Corinthians também ostenta os seus grupelhos e os seus visigodos. Desde que se tornou presidente, porém, com a sua simplicidade de ex-catador de caixas no Mercado Central, Andrés Sanchez soube como neutralizar todos os mal-humorados.
Para se recuperar, o Palmeiras necessita de uma reforma conceitual, uma reforma estrutural. Não adianta nada culpar o treinador, ou o elenco – ainda que o elenco alvi-verde de hoje seja basicamente ruim.
O problema do Palmeiras é capilar. Cai de cima para baixo.
E o Pameiras, desafortunadamente, cai de novo à Série B.
Pois, nesta bagunça que não cessa, eu não acredito em milagres.
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