
Depois da sova trovejante que o Bayern de Munique aplicou no Barcelona, o universo dos apaixonados pelo futebol, na mídia ou nas arquibancadas, desviou a sua atenção para um novo duelo entre tedescos e ibéricos.
Pela outra semifinal da Champions League do Velho Continente, temporada de 2012/2013, se digladiaram no Signal Iduna Park Stadion de Dortmund, o Borussia local e o visitante Real Madrid da Espanha. Coincidentemente os dois vices nas tabelas de classificação dos campeonatos de seus países.
Estiveram presentes 80.720 espectadores, cerca de 5.500 fãs do visitante.
Os ibéricos carregaram à Alemanha uma estatística aparentemente positiva: em 21 confrontos anteriores, em qualquer fase de mata-matas da Champions, ostentavam uma vantagem de onze vitórias contra sete.
De todo modo, num total de 25 duelos travados no território do inimigo, os tedescos só possuiam um solitário triunfo contra 24 derrotas.
Sem falar que, na etapa de grupos da competição, o Borussia havia ganho do Real, em casa, 2 X 1, e empatado em Madrid, 2 X 2.
Juergen Klopp, 45 de idade, treinador do Borussia, e José Mourinho, 50, treinador do Real, não padeceram para montar as suas escalações.
Klopp tinha, somente, um problema moral, psicológico: nas vésperas do cotejo a imprensa anunciou que o rivalérrimo Bayern havia pago uma multa contratual de quase R$ 100 milhões para assegurar a transferência do excelente meiocampista Mario Goetze, apenas vinte de idade, no Borussia desde as categorias de ultra-base, no já longínquo 2001.
Mourinho, por sua vez, enredado em rumores que apontam a sua saída do Real nas próximas semanas, apenas precisava reestruturar as suas laterais – suspenso o destro Arbeloa, machucado o canhoto Marcelo, brasileiro.
Ironia: o tento de abertura do Borussia aconteceu, aos 8’, exatamente no flanco administrado pelo coringa Sérgio Ramos, substituto de Arbeloa.
Numa triangulação com o estiloso Marco Reus, portador do penteado mais exótico da Bundesliga, Goetze recebeu a pelota quase na linha de fundo – e cruzou. O central Pepe e o arqueiro Diego Lopez, substituto do ex-titular Iker Casillas, se atrasaram na tentativa de corte, O esperto polonês Lewandowski desfrutou de bico de chuteira, Borussia 1 X 0.
Ao contrário do que havia sucedido com o Barça, na noite anterior, o Real não se desacorçoou. Ao contrário do que havia ocorrido com o seu quase xará Xavi Hernández, irreconhecível, inútil, diante do Bayern, o volante Xabi Alonso acalmou os seus companheiros de time merengue.
Pena, para o Real, a inapetência de seu artilheiro Cristiano Ronaldo, onze gols em dez prélios, até então, nesta Champions. Só tocou na bola, com algum perigo, aos 24’, na cobrança de uma falta, rebatida por Weidenfeller.
Daí, aos 43’, numa ofensiva isolada dos ibéricos, o becão Mats Hummels, recém-recuperado de uma contusão, se equivocou, pateticamente, ao atrasar a pelota. Sumariamente a entregou a Higuain, que cedeu a Ronaldo, solto, pertinho da marca do pênalti, com a meta vazia, igualdade, 1 X 1.
Os dois elencos retornaram ao segundo tempo sem alterações.
Caberia ao Real, todavia, devolver a pixotada perpetrada por Hummels. Aos 50’, numa distração imperdoável do seu miolo de zaga, a bola sobrou para Lewandowski. Os defensores ibéricos, ao invés de apertarem o polonês, alçaram os braços e pediram impedimento.
Que não existiu. Sempre esperto, Lewandowski fez 2 X 1.
Melhor, para o polonês, aos 55’ aconteceu uma outra bobagem fatídica da retaguarda do Real. Mesmo entre três atletas adversários, Lewandowski dominou a pelota, desferiu um drible torturante em Pepe, que caiu sentado no gramado, e ampliou a folga do Borussia para 3 X 1.
Acabou de abalar os ibéricos o pênalti boboca que Xabi Alonso cometeu em Reus, aos 68’. Tão boboca que o árbitro Bjorn Kuipers, da Holanda, sequer exibiu o cartão amarelo ao estabanado. Quem cobrou? Claro, Lewandowski, o seu quarto gol no duelo, Borussia 4 X 1, o seu décimo na edição atual da competição.
Detalhe: nunca, antes, qualquer jogador havia registrado tal façanha numa semifinal da Champions.
Depressa, Mourinho sacou Higuain e Modric e colocou em campo o tanque francês Benzema e o arisco argentino Di Maria. Não com esperanças de revirar o resultado. Em busca, no entanto, de mais um gol. Dois em favor do Real visitante, no placar do Signal Iduna Park, representariam quatro no marcador agregado da volta no Bernabeu.
Um astro nascido no Brasil ainda se apresentaria na semi de Dortmund: Kaká, habitualmente ignorado pelo treinador, no lugar de Xabi Alonso.
O desprezado ex-sãopaulino, todavia, nada pôde acrescentar.
Para tornar mais desesperados os seus fãs, nos acréscimos o time merengue desperdiçou duas oportunidades preciosísimas – uma investida de Ronaldo, que Weidenfeller salvou, e um arremate altíssimo de Benzema.
Agora, em seus domínios, na próxima semana, o Real necessitará, obrigatoriamente, superar o Borussia, no minimo, por 3 X 0.
Um outro placar de 4 X 1, no caso em favor dos ibéricos, levará o desafio à prorrogação e à eventual loteria das penalidades máximas.
Um placar de 5 X 2 qualificará os tedescos.
Aliás, os únicos invictos nesta Champions League.
PS: Não interessa o resultado, 2 X 2, muito menos importam as vaias e o olé que o Brasil escutou no reformulado Mineirão. Nem se tratava, mesmo, de uma seleção, mas de um bando de catados pela teimosia de um certo Felipão.
De todo modo, o último amistoso da equipe que será a hospedeira da Copa das Confederações serviu para revelar bons lampejos do zagueiro Réver, do volante Jean que Felipão quer experimentar como lateral - e, no único lance destacável do garoto, da inteligência de Alexandre Pato, que poderia ter arriscado um chutão mas optou por um passe a Neymar, no tento da igualdade.
Preocupação: o treinador disporá de condições de transformar os seus catados num time? Tenho mais dúvidas do que esperanças.
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