Heróis do esporte, mesmo: Giulite, Padilha, Rogê

Carlos Nuzman sendo preso (Foto: Estadão Conteúdo)

Carlos Arthur Nuzman escorraçado do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Olímpico Internacional, submetido a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. José Maria Marin escorraçado da Confederação Brasileira de Futebol e da FIFA, a entidade que organiza o Ludopédio no planeta, submetido a prisão domiciliar em Nova York, também com tornozeleira eletrônica, e processado pela Justiça dos EUA, que não releva o fato de ser um octogenário.

Marco Polo Del Nero, o sucessor direto de Marin, impossibilitado de sair do Brasil ou será preso, humilhantemente suspenso pela FIFA, noventa dias, um mero prenúncio da sua provável eliminação do mundinho que o tornou celebrado. E mais denúncias contra os responsáveis pelo Atletismo, pela Esgrima, pelo Judô, pelo Tae-kwon-do, pelo Tênis de Mesa e sabe-se lá que outras siglas ligadas aos campos, às quadras, às pistas, às piscinas, aos ginásios e aos estádios desta nação em busca de compostura e de paradeiro...

E alguém pode me perguntar: não existiria na minha opinião um cartola irrepreensível e digno apenas de elogios e não da execração? Houve. E eu me orgulho da amizade que nutrimos mutuamente fez cerca de três, quatro décadas.

marin Heróis do esporte, mesmo: Giulite, Padilha, Rogê

José Maria Marin no dia de sua prisão

Por exemplo, o mineiro Giulite Coutinho (1922-2009), que ganhou ótima fama, a partir dos anos 60, no comando do pequeno mas antológico América do Rio. Que, como empresário, em plena Ditadura Militar, ousou abrir o mercado comercial da China Comunista ao Brasil. E que também ousou enfrentar os seus correlatos ligados à mesma ditadura e se elegeu para a presidência da CBF em 1980.

Giulite se frustrou ao não conquistar a Copa da Espanha/82 com uma das mais brilhantes seleções que a galáxia ostentou. Deixou, porém, além do seu legado ético e moral, as instalações da Granja Comary, que até hoje atendem às necessidades de todas as categorias do Futebol caboclo.

Giulite ocupa com outro herói, o Major Sylvio de Magalhães Padilha, 1909-2002), último líder impecável do COB, o topo do pódio dos dirigentes que jamais se locupletaram do esporte no Brasil. Aliás, mesmo originário das Forças Armadas, Padilha peitou a Ditadura ao não aceitar as suas arbitrariedades e, inclusive, a hospedar perseguidos como o saudoso Rogê Ferreira (1922-1991), um autêntico socialista que, depois da Anistia, batalhou para ressuscitar o Basquete no Corinthians.

Pena que não se façam mais, como antigamente,  modelos do molde de Giulite, Padilha e até Rogê...

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