Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Uma década, praticamente uma geração, separa Renato Portaluppi de Zinédine Yazid Zidane. Renato, o Gaúcho, provém de Guaporé, Rio Grande do Sul, 9 de Setembro de 1962. Zidane, o Zizou, nasceu em Marselha, França, 23 de Junho de 1972, e também possui a nacionalidade argelina dos seus pais. Cada qual ao seu estilo, Renato um avante impetuoso e Zidane um armador cerebral, ambos foram craques. E se consagraram universalmente.

g 0 segundo%20gol Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Em 1983, Renato carregou o Grêmio de Porto Alegre, o seu time de então, ao título da Libertadores de América e da Intercontinental de clubes. Em 1998, Zidane carregou a seleção gaulesa ao título da Copa do Mundo que o seu país organizou, principalmente na decisão de 3 X 0 sobre o Brasil. Além da eficiência e da beleza do seu futebol, no entanto, ambos se caracterizaram por polêmicas que quase sombrearam os seus currículos.

1241150 Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Titularíssimo da seleção brasileira que o austero Telê Santana (1931-2006) pretendia levar à Copa do México, em 1986, numa noite de folga Renato se atrasou muito na volta à concentração da Toca da Raposa. Estava com o lateral Leandro. Diante do portão trancado, os dois não se abalaram, pularam o muro. Telê descobriu, cortou Renato por reincidência mas poupou Leandro. Abalado, o lateral se solidarizou com o colega e amigo punido, e abandonou a Toca.

headbuttfb story 647 070916042308 Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Embora o principal astro da França na Copa de 98, Zizou conseguiu a magia de ser expulso de campo logo depois de a sua seleção cravar 3 X 0 na frágil equipe da Arábia Saudita: traiçoeiramente pisou num rival. Daí, no certame de 2006, na Alemanha, já com a braçadeira de capitão, em plena prorrogação da final diante da Itália, placar de 1 X 1, intempestivamente, diante de 70.000 torcedores no Estádio Olímpico de Berlim e de mais de dois bilhões de espectadores de TV, desferiu uma cabeçada absurda no peito do zagueiro Marco Materazzi e acabou expulso por Horácio Elizondo, o mediador da Argentina. Resultado: sem Zizou, nos penais, a Itália bateu a França, 5 X 3.

2925242 big lnd Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Neste sábado, 16 de Dezembro, no magnífico Sheikh Zayed Stadium de Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, Renato e Zizou se defrontaram fora do gramado, cada qual como treinador de um elenco, na decisão da edição de número 14 do Mundial de Clubes da FIFA. Diante de 43.000 espectadores, o Grêmio e o Real Madrid. Perto de 2.500, com a camisa tricolor do Grêmio. Perto de 1.200, com a antológica merengue do Real.

E Zidane sobrepujou Renato, 1 X 0.

Logo aos 3’ ficou clara a postura que o Grêmio adotaria no transcorrer da peleja. Numa dividida com Cristiano Ronaldo, o capitão Geromel imprimiu as travas de uma chuteira na panturrilha do português. Renato optou por entregar a posse de bola ao Real. Combinaria a rispidez na marcação e a incisividade no contra-ataque eventual. Que não aconteceu. Tanto que apenas aos 28’ o Grêmio chutou à meta de Keylor Navas, a cobrança de uma falta por Edílson, de 30m, bem rente ao travessão.

2925268 full lnd Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Desaparecidos Luan e Fernandinho, seu principal astro um zagueiro, precisamente Geromel, o elenco de Renato desceu aos vestiários confortado pelo placar de 0 X 0, só um terço do tempo com o domínio da pelota, um único arremate, aquele de Edílson, contra nove dos pupilos de Zidane. Um panorama que permaneceria igualzinho, na monotonia da etapa derradeira, até os seus 53’.

Então, Ramiro derrubou o CR7 a cerca de dez metros do bico direito da área do Grêmio. O próprio R7 cobrou, de encontro à barreira tricolor. A barreira, porém, se abriu, a bola zuniu rumo ao poste destro de Marcelo Grohe, ainda quicou no gramado e entrou, Real 1 X 0. Consequência: a imperiosidade de Renato modificar o seu padrão.

2925273 big lnd Real 1 X 0. E Zidane sobrepujou Renato

Tentou, retentou e tritentou. Trocou o inútil Barrios pela agitação de Jael. E arriscou mais ainda: trocou Ramiro, um volante, pelo ala Éverton, o seu talismã. Tempo havia – cerca de vinte minutos. O tempo que o talento raro do croata Luka Modric controlava, admiravelmente. E isso sem dizer que Zidane inverteu todo o desenho do prélio e compeliu o Grêmio a pressionar e a se escancarar.

Renato não encontrou um modo de perfurar a defesa e, aliás, nem o meio-campo do esquadrão merengue. Teria tremido uma esperança como Luan? Injustíssimo acusar o garoto. O Real venceu porque foi superior. Aliás, entre nós, que o Gaúcho me perdoe, o Real, multinacional, é bastante superior.

Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Tuitar”, ou registre a sua importante opinião em “Comentários”. Muito obrigado. E um grande abraço!

http://r7.com/LO2G