renato gaucho Em louvor a Renato Portaluppi, o Gaúcho...

Existisse uma seleção brasileira de craques polêmicos mas carismáticos, rebeldes mas decisivos, o virginiano Renato Portaluppi, o Gaúcho de Guaporé, nas Serras do Rio Grande, nascido em 9 de Setembro de 1962, seria o titular absoluto da ponta-direita. Mais ainda, ele apenas não integra a minha seleção nacional de todos os tempos porque, na sua posição, existiram prodígios do universo como Garrincha e Furacão.

Renato também protagonizou uma das melhores atuações individuais que eu tive o prazer e o privilégio de ver, dia 11 de Novembro de 1983, em Tóquio, Japão, na decisão da então Intercontinental de Clubes, vitória do Grêmio sobre o Hamburgo da Alemanha, 2 X 1, na prorrogação. Já conhecido como o Renato Gaúcho, ele anotou, ambos de maneira espetacular, os dois tentos do seu time, e foi escolhido, claro, como o astro do prélio.

 Em louvor a Renato Portaluppi, o Gaúcho...

Agora, nesta quarta-feira, no estádio de La Fortaleza, em Buenos Aires, diante do Lanús, poderá se tornar o único brasileiro, em 57 edições da Libertadores, a conquistá-la como jogador e como treinador. No gramado, claro, tem aquele laurel de 83. No banco, desperdiçou a sua chance em 2015, quando dirigia o Fluminense e soçobrou em pleno Maracanã. Contra a LDU, o “Tricolor” tinha caído em Quito, 2 X 4, mas se recuperado no Rio, 3 X 1. Daí, na disputa de pênaltis, fracassou pateticamente.

Prejudicadíssimo pela arbitragem horrorosa do chileno Júlio Bascuñan, que ignorou dois pênaltis claros em seu favor, o Grêmio se limitou a um triunfo por 1 X 0. Até mesmo a mídia da Argentina criticou o mediador. No combate de retorno, para assegurar a Copa, o elenco de Renato precisará segurar o empate. E o Lanús precisará vencer com uma diferença de dois tentos. Diferença de um gol levará o duelo à disputa de pênaltis, quaisquer que sejam os números do resultado. O regulamento da Libertadores não prevê o gol qualificado, o gol que vale o dobro, na final.

Abiscoitaram a Copa, no gramado e no banco: Humberto Maschio (Racing/Arg/67 e Independiente/Arg73), Roberto Ferreiro (Independiente /64/65 e Independiente/ /74), Luís Cubilla (Penãrol/Uru/60/61, Nacional/Uru/71 e Olímpia/Par/79/90), Juán Martín Mujica (Nacional/71 e Nacional/80), José Omar Pastoriza (Independiente/72 e Independiente/84), Nery Pumpido (River Plate/Arg/86 e Olímpia/2002), Marcelo Gallardo (River Plate/96 e River Plate/2015). Cubilla e Mujica nasceram no Uruguai. Os outros, na Argentina.

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Como jogador, do seu Grêmio de origem ao Bangu da sua aposentadoria, Renato passou por todos os chamados grandes do Rio, menos o Vasco, e pelos dois principais clubes de Minas. Fora do Brasil, realizou uma aventura patética na Roma da Itália, temporada de 1988/89, meras 33 pelejas e só 3 tentos. (Na foto, o primeiro sentado, à esquerda) No global da carreira, 489 prélios e 194 tentos. Como treinador, de 2000 até hoje, orientou seis clubes mas somou poucos títulos. Só levantou a Copa do Brasil em duas ocasiões: pelo Fluminense em 2007 e pelo Grêmio em 2016.

Acumulou 43 combates e 5 tentos com a seleção. Vivia o seu apogeu às vésperas da Copa do México/86 quando Telê Santana o convocou como titular e mesmo assim o cortou depois de um episódio controvertido, uma suposta fuga noturna da concentração na companhia do lateral Leandro. Renato jura que se atrasou depois de uma folga autorizada. Leandro se demitiu, por solidariedade.

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Então, Sebastião Lazaroni chamou Renato para a Copa da Itália/90. Além de falar um idioma particular, que só ele mesmo decifrava, Lazaroni inventou de o Brasil atuar com um líbero na defesa e dois avantes sem função fixa no ataque. Atrás de Bebeto, Careca, Mueller e Romário, o Gaúcho apenas entrou em ação aos 83’ de uma partida já decidida, Argentina 1 X 0 na fase das oitavas. Substituiu o líbero Mauro Galvão. Tarde demais.

Fala-se muito do Renato falastrão, provocador, maroto, eventualmente mal-educado. Pouco se lembra, porém, de que ele também padeceu com o comportamento ruim da torcida. Em 1989, coube ao Brasil organizar a 34ª Copa América. No dia 1º de Julho, a equipe de Lazaroni fez a sua estreia na Fonte Nova de Salvador, 3 X 1 sobre a Venezuela. Porque Lazaroni havia ignorado Bobô, ídolo do Bahia, e deixado o artilheiro Charles no banco, o público, pequenino, 12.979 pagantes, vaiou a seleção – e ainda acertou um ovo podre na cabeça de Renato.

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