denisecursino gloria queda futuro capa  A Odebrecht do Mal e a Odebrecht do Bem

Dramática viagem fez a marca Odebrecht. Inaugurada oficialmente como uma pequena construtora, em 1944, e daí transformada numa das maiores empreiteiras de todo o planeta, responsável por adutoras, aeroportos, estádios, ferrovias, hidrelétricas, metrôs, mísseis, petroquímicas, plataformas, portos, refinarias, rodovias, submarinos, sucroalcooleiras, túneis, viadutos etcetera em mais de vinte países, com quase 200.000 funcionários, em 2014, exatamente durante o seu 70º aniversário, ganhou a fama de a maior corruptora de toda a História do Brasil.

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Claro que o desenrolar de tal saga, dos seus momentos de fulgor aos episódios opacos que inclusive provocaram a prisão, em Junho de 2015, de Marcelo Odebrecht, o seu presidente, merecia um livro. Mas não um simples livro de cáustica denúncia, de mera demolição, coisa típica destes tempos de absurda polarização em que se vive por aqui. Quem assina “Glória, Queda, Futuro – Odebrecht, Histórias de uma Empresa que foi Longe Demais” (Novo Século, 326 páginas) é Luiz Carlos Ramos, um jornalista que conheceu as suas entranhas mas, conforme convém a um profissional da sua estirpe, não se locupletou da sua condição de colaborador eventual para protegê-la.

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Paulistano, coincidentemente de 1944, um estudante que namorou a Arquitetura e cursou Direito até se empregar no semanário “Mundo Esportivo” e, num percurso de 53 anos de profissão, atingir o posto de Editor de Primeira Página de “O Estado de S. Paulo”, comentarista de rádio e de TV, também professor de Jornalismo na PUC de São Paulo, Luiz Carlos Ramos já havia se destacado como o autor de seis obras, desde a biografia do cartola Vicente Matheus à do voleibolista Ricardinho. Nada, porém, comparável ao desafio de transformar a sua experiência com a Odebrecht neste trabalho exemplar.

Claro que, desde a década de 80, conhecia a empresa, de nome, e o seu ótimo conceito na área da construção civil,. Então, no início de 2009, a convite de um amigo, Sérgio Bourroul, um dos encarregados da Comunicação do já Grupo Odebrecht, se tornou um repórter freelance da bimestral da corporação. Pela "Odebrecht Informa", sempre ao lado de um(a) fotógrafo(a), viajou através de onze nações e de doze Estados do Brasil com a missão de reportar as suas obras. Em Fevereiro de 2015, época do agravamento da crise, a revista parou de circular. Conta Luiz Carlos: “Eu nunca percebi nada que indicasse algo parecido com o que ficou revelado no decorrer da Lava Jato”. Aliás, jamais teve contato com Norberto, fundador da empresa, o filho Emílio e o neto Marcelo. Define: “Escrevi o livro na forma de biografia não autorizada, sem conhecimento da empresa”.

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Entre as suas pesquisas, exaustivas, e o texto final, Luiz Carlos consumiu um ano. Obviamente, utilizou como base de determinados trechos os depoimentos de Emílio e Marcelo ao juiz Sergio Moro. A sua percepção, também segundo as informações de funcionários: “Norberto e Emílio sempre foram mais comunicativos, enquanto Marcelo, que assumiu o comando no final de 2008, se mostrava tímido nas relações mas, ao mesmo tempo, com a ambição de provocar um crescimento rápido do grupo, algo que traria riscos.” Num capítulo inteiro reproduz a mensagem que Emílio enviou aos funcionários em Maio deste ano, na qual reconhece erros, fala em mudanças e conclama a corporação a reagir diante da crise.

Sobre o dilema eventual de receber críticas de ambos os lados na questão, a resposta é tranquila: Decidi escrever o livro exatamente dois anos atrás, numa viagem a passeio ao Peru. Em Setembro de 2015, passei diante da sede regional da Odebrecht em Lima, onde eu estivera três vezes na época de glórias da empresa, e pensei... Está na hora de alguém escrever um bom livro, um livro jornalístico, para contar para os cidadãos o que é essa empresa que tanto aparece na mídia. Essa é a ‘Odebrecht do Mal’. Existe também a ‘Odebrecht do Bem’. Mostro as duas e lanço perspectivas para o futuro.” De fato, até as logomarcas do grupo já começaram a mudar.

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