01061059 1024x681 Fábio Carille, o personagem inesquecível de 2017

Desde a sua contratação, em 2008, pedido expresso de Mano Menezes, até a sua oficialização como treinador, em 18 de Janeiro de 2017, Fábio Luiz Carille de Araújo, nascido na capital, 28 de Setembro de 1973, mas criado e crescido em Sertãozinho, no Interior do Estado, sempre se incumbiu da preparação da defesa do Corinthians. 

Não necessariamente por causa dos seus idos de lateral-canhoto de um batalhão de times, inclusive o Guangzhou da China. Na época chamado de Fábio Luiz, ele jamais se destacou por um talento superior ao seu vigor físico. No entanto, invariavelmente impressionava pela inteligência estratégica que, somada à sua postura serena, depressa o caracterizaram como o líder natural de seus colegas. 

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Atento, disciplinado, fraternal quando a situação exigia o companheirismo e não a bronca, muito mais um ouvinte do que um falante, com Mano Menezes (até 2010 e, daí, em 2014) e com Tite (2015/2016) também aprendeu que comandar não significa mandar ou determinar – porém, sim, compartilhar as antigas lições dos vencedores. E, no caso de Mano e de Tite, repetir e repetir à exaustão. 

Carille não se abalou quando, no princípio da temporada, a mídia esportiva batizou o seu Corinthians de “A Quarta Força” do Campeonato Paulista. Sabia que, no papel, de tratava de uma verdade verdadeiríssima. Não havia outra forma de apelidar o seu elenco dilapidado e mal equipado com reforços refugados por outros clubes do País. 

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Por exemplo, o milionário e campeão do Palmeiras, que Eduardo Baptista herdara de Cuca e que a grana da Crefisa ainda tinha reforçado. Ou o jovem mas bem equilibrado do Santos que Dorival Júnior reformulava desde 2015. Ou o do São Paulo enfim com seu supostamente mitológico ex-arqueiro Rogério Ceni no topo da estruturação. 

O Corinthians, no entanto, levantou o título do Paulista, o seu 28º (Palmeiras e Santos têm 22; o São Paulo tem 21), com 10 vitórias e 6 empates em 18 jogos, uma retaguarda irretocável, apenas 7 tentos contra e capaz de sustentar o medíocre ataque de ralos 16 a favor, média ridícula, particularmente para o primeiro classificado.  

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Por falta de banco, claudicante ao disputar três certames simultâneos, sucumbiu na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil. Mas deslanchou tão lindamente em todo o primeiro turno do Brasileiro que, ao cabo de 19 rodadas, pipocaram as apostas de que inexoravelmente arrebataria o troféu. 

Fraquejou no percurso subsequente? Sim, um fato natural pela deficiência de reservas e pelo cansaço lógico de seus titulares – cansaço muscular e mental. Todavia, o mesmo Carille que não topou sequer pensar, muito menos falar, sobre faixas e taça antes da concretização, não se abalou e não permitiu que as ironias e as provocações infelizes afetassem a moral e o estímulo dos seus pupilos. 

Magnífico personagem, esse paulistano de Sertãozinho, de expressão permanentemente sincera e de fala mansa, aqui e ali pontilhada pelo sotaque capira. Claro, claro, de Cássio até Romero, de Balbuena até Jô, mais aqueles que atuaram em muitas pugnas e aqueles que não estiveram em nenhuma, os integrantes da sua brigada, os médicos, massagistas, roupeiros e etceteras, todos, todos, inclusive os cartolas de plantão, merecem envergar as faixas do sétimo título do Corinthians. 

 Fábio Carille, o personagem inesquecível de 2017

Sétimo, convenhamos. Hepta apenas no caso de todos em série, consecutivos. Mas, sem fricotes e sem paixão, nem qualquer intenção de polemizar, por favor, convenhamos, apenas o Corinthians efetivamente chegou ao sétimo topo de tabela. Considerar a Taça/Copa do Brasil e o Rio-SãoPaulo/Robertão de antes de 1971 como um Campeonato Brasileiro não passa de um anacronismo, casuísmo politiqueiro da CBF. 

Ora, quando capturaram a Taça/Copa do Brasil, o Palmeiras e o Santos não se empenharam em mais do que quatro/cinco/seis pelejas cada qual. Em 1966, quatro times (Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco da Gama) completaram o Rio-SãoPaulo na colocação de honra. Contudo, sem datas para um desempate, grotescamente toparam retalhar a conquista. E os quatro aparecem no tal do casuísmo da CBF com mais um título do Brasileiro no cartel. 

Patético se envaidecerem de tal galardão. 

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Não foi como Copa ou como Torneio que o Brasileiro se inaugurou 46 anos atrás. Mas como um Campeonato de fato. E é na antologia de um Campeonato de fato que o Corinthians se transforma no maior vencedor. Sete. O São Paulo e o Flamengo acumularam 6 títulos. E o Palmeiras tem, 5.

Um Brasileiro no qual Carille vai se eternizar como o seu personagem inesquecível. 

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