rib2628 A lógica do mau momento do Corinthians

Leitores, colegas, amigos e desafetos me soterram com a mesma pergunta: “Qual a razão da súbita decadência do Corinthians?” Tenho uma só resposta, intrigante na sua aparência mas bem simples no entendimento. Não houve absolutamente nada.

Só que, por isso, aconteceu de tudo. 

O nada vem de uma constatação basilar: não considero que o “Timão” atravesse uma quadra de decadência, a tal da despencada que previa Renato Portaluppi. Tanto que, apesar dos seus recentes escorregões, brutais, na Arena ainda-sem-nome de Itaquera, o alvinegro ainda preserva sete pontos de vantagem sobre o Grêmio no Brasileiro e bem pode se qualificar contra o Racing mesmo no campo do adversário, medíocre. 

 A lógica do mau momento do Corinthians

O nada vem do descalabro com que a diretoria do clube tratou o seu elenco desde o título de 2015 e o fracasso de 2016. O desprezo com que encarou o desmanche, daí a incompetência com que tentou a reposição – a ponto de descartar avantes como Luciano e Lucca e de manter, ao lado do ótimo Jô, na sua posição, apenas o inacreditável Kazim, que ele me perdoe pois é um rapaz simpático. 

O nada vem da ilusão de que o chamado “esquema” de Fábio Carille foi o único motivo para o título do certame estadual e pela performance inigualável no turno inicial do Campeonato Brasileiro. Claro que Carille, treinador a quem eu aprendi a admirar, soube construir um estilo de jogo capaz de otimizar os atletas à sua disposição. Estilo capaz de fazer da dupla Balbuena & Pablo a melhor do torneio. Capaz de fazer de Guilherme Arana o melhor do País em ação cá no País. Etcetera etcetera etcetera... 

Mas, que ninguém se esqueça das irregularidades de Santos, Palmeiras, Grêmio, Flamengo, Atlético-MG etcetera etcetera etcetera. E eu não incluí o São Paulo nessa listinha porque o “Tricolor”, claro, se arrebentou numa soma de desmanche e descalabro ainda maior. A performance admirável do alvinegro também se deveu às irregularidades absurdas dos seus adversários. 

fabio carille observa o corinthians contra o racing 1505359366115 615x300 A lógica do mau momento do Corinthians

Nada, sim, pois nada de mais especial ou extraordinário houve com o “Mosqueteiro” bandeirante. Sem dúvida, os recentes intervalos sem prélios, dois intervalos de quase duas semanas em menos de dois meses, afetaram o ritmo e a continuidade do “esquema” de Carille, um estilo que exige, crucialmente, a constância numa competição.  

Sem craques, o treinador estruturou o seu elenco de modo que cumprisse tarefas de repetição automática, as triangulações de Arana e Romero, os pivôs de Jô para as infiltrações de Maicon, Gabriel, Jadson e Rodriguinho, mais esporadicamente de Fagner pela direita. A lesão de Arana, acumulada aos dois intervalos, de fato representou um baque ostensivo nessa prédica de repetição. 

E assim o nada se transformou em tudo. 

carlinhos rodrigo gazzanel agc3aancia corinthians A lógica do mau momento do Corinthians

Carille é inteligente. O seu elenco é unido e determinado. Além disso, estranho benefício dos intervalos, talvez as recuperações de Carlinhos e de Pedrinho, os seus talentos provenientes da base, amplie as opções de suplentes do treinador. Eu aceitarei falar em crise, apenas, no caso de o Corinthians perder do São Paulo, cuja crise é real e infinitamente mais perigosa: o perigo do rebaixamento. 

PS: Este é o meu texto de número 1.200 aqui no R7. Uáu!

 

Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Tuitar”, ou registre a sua opinião em “Comentários”. Obrigado. E um abração!

http://r7.com/diWR