1066177 pai de neymar defende o filho da 950x0 2 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Honesta e sinceramente não me importa quantos quilos de caviar Neyjúnior e Neypapai deverão acumular por segundo nos seus tempos de “Cidade Luz”. Também não me interessa discutir se o filho é um mala-babaca e o seu progenitor é um ganancioso colecionador de pepitas de ouro. Não me cabe julgar se o garotão traiu a tal Bruna Marchezine ao tornar público que a mocinha não fazia mais parte da sua lista de planos particulares já que o seu principal projeto é se tornar o número um do planeta do Futebol. Nem quero saber o que o rapaz imagina para o seu pimpolho David Lucca, fruto do seu relacionamento com Carol Dantas, pois o rebento já dispõe de uma grana capaz de satisfazer, digamos, umas quinze gerações. 

Neymar e David Lucca Pra não dizer que não falei do Neymar...

Nenhum desses temas, obviamente adequados a revistas do tipo “Caras” ou a sites de fofocas, cabe numa relação dos temas que, habitualmente, eu me proponho a debater. Por exemplo: a absorção de Neymar pelo ludopédio da França enfim conduzirá a nação gaulesa aos pináculos da fama da modalidade no mundo? Duvideodó, como dizia a minha sábia Vovó Adelaide. E mato a cobra e mostro o pau, como dizia o meu sábio vizinho Sixto Lins. Não, eu não acredito numa ascensão dos tais Bleus no cenário do esporte que consagrou Michel Platini e Zizou Zidane. Os dois, aliás, descendentes de italianos e de argelinos. Não, não haverá uma explosão estelar do Le Cocq na galáxia. 

 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Principio pelas estatísticas. No ranking de seleções da FIFA a França ocupa a nona posição. E, no ranking de clubes da UEFA, ranking baseado nas performances das últimas cinco temporadas, um quinto lugar. A Espanha lidera, disparadamente, com 89,212 pontos. Depois vêm a Alemanha (63,427), a Inglaterra (62,582) e a Itália (60,582). O quinto da França é distante, 46,831 pontos. Daí, no ranking “Forbes”, que analisa financeiramente os clubes do universo, o PSG, ou Paris Saint-Germain, que acaba de contratar Neymar, se localiza num nono lugar, com £ 578 mi, bem atrás, por exemplo, do Manchester United (£ 3,689 bi) e do Barcelona que o Júnior isolou (£ 3,635 bi). Dentre os vinte clubes mais ricos, segundo a “Forbes”, existem oito da Inglaterra, cinco da Itália, três da Alemanha e três da Espanha. Mais o solitário PSG. 

 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Falta, ao PSG, uma boa História, inclusive, na Ligue 1 da França com os seus vinte clubes. Idiossincrasia: a sede do atual campeão, o Monaco, curiosamente, nem mesmo fica na França, mas no enclave do Principado, que apenas ostenta 38.000 habitantes. Fundado em 1970, até hoje o PSG só conquistou o título em seis ocasiões: 1986, 1994, 2013/14/15/16. O tetra exatamente depois da compra, em Novembro de 2011, pela Oryx Qatar Sports Investments, cujo principal acionista é um ex-tenista e playboy, Nasser Al-Khelaifi, de 43 anos. Al-Khelaifi chegou a disputar torneios da ATP e mesmo a Copa Davis, sem sucesso: 12 vitórias em 45 jogos de simples, outras 12 em 28 jogos de duplas. Também exerce os cargos de Ministro Sem-Pasta (que significa? não precisa andar de maleta em punho?) do seu país e presidente do Paris Handball. 

0289FDB600000514 3186905 image a 6 1438859857766 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Apesar de todo o marketing armado ao redor da chegada de Neymar à “Cidade Luz”, da mobilização de torcedores supostos no aeroporto até a iluminação especial da Torre Eiffel, o Futebol cativa bem pouco na França. Faz tempo que o público fascinado por esportes prefere o Rugby e o Ciclismo. Recentemente, graças à evolução constante das suas equipes nacionais, passou a curtir também o Vôlei, o Basquete e o Handebol. Dentre os jovens, uma predileção recente é o Skate. E o PSG não possui sequer um estádio próprio. Manda os seus prélios no Parc des Princes, que o Conselho Municipal lhe alugou até 2043. Sem dizer que no seu elenco de 31 inscritos existem apenas onze nativos da França – e cinco brasileiros: além de Neymar, o ala Daniel Alves, os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, o meia Lucas. Sem falar no volante Thiago Motta que tem a cidadania italiana. Dentre os nativos locais, meramente se destaca o apoiador Blaise Matuidi. 

 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Este episódio da transferência do Júnior me remete aos meados da década de 70 quando Pelé, então aposentado, topou envergar as cores dos Cosmos de Nova York. O “Rei” aceitou recalçar as chuteiras porque necessitava dramaticamente de grana, quase falido que estava, uma consequência trágica da sua malfadada associação com José Ozores Gonzalez, o Pepe Gordo. Paralelamente, os manos Ahmet e Nesuhi Ertegun, proprietários do Grupo Warner de Comunicações, sonhavam em transformar os Cosmos nos catalizadores da revolução que levaria os EUA aos pódios da FIFA. Além de Pelé, arrebanharam Carlos Alberto Torres, o alemão Beckenbauer, o italiano Chinaglia, os holandeses Wim Risjbergen e Neeskens, e levantaram a taça da NASL, a North American Soccer Ligue, em 1977 e 1978. Paulatinamente, contudo, os Cosmos decaíram até sua extinção, em 1997. E o Futebol dos EUA, no máximo, chegou às quartas-de-final de uma Copa no torneio da Coréia do Sul e do Japão em 2002. 

 Pra não dizer que não falei do Neymar...

Neyjúnior dispõe de 48 meses para desmentir essa triste sina. Sem Messi, Suárez, Busquets, Piqué, Mascherano, Iniesta & Cia., necessitará metamorfosear os colegas de PSG em ersatze, sucedâneos mesmo imperfeitos, dos seus parceiros de Barça. Ôpa, eu escrevi “parceiros”. Um ato falho em função dos “parças” do herdeiro de Neypapai? Eu também não pretendia enveredar por esse atalho. Mas me parece crucial que, em Paris, o recém-chegado não deva abusar das práticas que levou na bagagem de Santos até a Catalunha. Caso das festanças que adora organizar com os amigos. Na sua apresentação ao PSG, havia nada menos do que três dezenas de “parças”, como um certo Wagner Tenório, o seu cabelereiro particular. Sem tantos astros que possam dividir as atenções da mídia, como os da agremiação blaugrana, serão gigantescas as tentações sugeridas pela “Cidade Luz”. Caluda, Neyjúnior...

 

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