brasil+x+it%C3%A1lia+tri+A Verdão X Timão: o meu derby inesquecível!

Dias atrás, numa entrevista comigo, o multimídia Mílton Neves pediu que eu citasse a mais importante partida de Futebol de minha vida pessoal e profissional. Selecionei a decisão da Copa de 70 entre Brasil e Itália, placar de 4 X 1. Escolha facilmente justificável pois eu testemunhara a primeira grande final de minha carreira, lá no majestoso Estádio Azteca da capital do México. Um jornalista que ainda não havia completado os 26 de idade, obviamente aquela pugna deliciosa se eternizou no meu currículo. 

 Verdão X Timão: o meu derby inesquecível!

Existe um outro prélio, no entanto, que insiste em cravar na minha memória o título de inesquecível. Aconteceu no dia 25 de Abril de 1971, um domingo enfarruscado, frio e chuvoso, no Morumbi, o derby Corinthians X Palmeiras pelo Campeonato Paulista. Fui como um fã do alvinegro, num velho Fusca, mais dois personagens saudosíssimos, o corinthiano Ulysses Alves de Souza (1933-2011), meu chefe na redação de “Veja”, e o palmeirense Luiz Carlos Lancellotti (1946-1984), meu fratellino mais moço.

estadio do morumbi estadio  Verdão X Timão: o meu derby inesquecível!

Quem pensa em Morumbi, hoje, não imagina como eram o estádio e os seus entornos naqueles idos, ainda repletos de terrenos baldios e ruas mal calçadas. Brutal, o trânsito nos atrasou. Estacionei o Fusca no alto de uma ribanceira e descemos o morro a pé, correria. Ao pular uma moita o meu mano escorregou e rolou ladeira abaixo, imundo de lama e de detritos de mato. O cotejo já tinha começado e o radinho que eu carregava anunciou: Verdão 1 X 0, gol do César Maluco. Mal chegamos às numeradas o Gigio se acomodou perto do ataque do Palmeiras. Eu e o Uru nos dirigimos rumo ao lado oposto.

CESAR+MALUCO Verdão X Timão: o meu derby inesquecível!

Aos 30’, César dobrou. Ótimo que o meu irmão não fora conosco, eu pensei, aliviado por não sofrer as inevitáveis gozações. A etapa derradeira, porém, reservava surpresas fenomenais. Aos 50’ o Timão diminuiu, Mirandinha. Aos 69’ igualou, Adãozinho. Sucederam-se então dois lances de impacto e emoção. Mal o Palmeiras deu a saída, de 40 metros o craque Leivinha acertou um foguete que Ado, o arqueiro do Corinthians, procura entender até hoje. Mal o Corinthians deu a saída, o volante Tião, mero utilitário de proteção ao astro Rivellino, um improvável driblador, desandou a costurar rivais, se aproximou da linha de fundo e, incrível, enganou Leão, 3 X 3. 

 Verdão X Timão: o meu derby inesquecível!

Eu já não dispunha de garganta, o empate me satisfazia. O Timão, todavia, desejava o triunfo. Que adveio aos 88’ graças a um petardo de Mirandinha, um pouco adiante da linha da área do Verdão. Sensacional, espetacular, 4 X 3 Corinthians. O Uru e eu não nos incomodamos, claro, em escalar, sob mais temporal, o morro em que pairava meu Fusca. Ao atingirmos o carro, já nos esperava, jururu, em  silêncio cruel, encardido, o mano Gigio. Que se afundou no banco de trás e ainda precisou escutar, no caminho de volta, os replays dos tentos do jogo. Elegantes, piedosos, o Uru e eu evitamos provocá-lo. 

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Não creio que, nesta quarta, 12 de Julho de 2017, mesmo vivos os dois, nos reuniriamos de novo para acompanhar o cotejo, agora no Allianz Park. De alguma outra maneira o destino talvez nos mantivesse apartados. Eu garanto, no entanto, que o Uru e eu principiaríamos com a vantagem moral: o Corinthians lidera o certame nacional, 32 pontos em 36 disponíveis e o Palmeiras só tem 19. O Corinthians se orgulha de uma invencibilidade de 26 pelejas, seis sem conceder um gol sequer. O Palmeiras, porém, tem outros trunfos: não perde no Allianz desde 21 de Julho de 2016, 28 contendas.

Qual série se ampliará? Você aposta? 

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