silvio1 Nas Bermudas, a prodigiosa Americas Cup

Trata-se apenas e tão somente da mais antiga competição da História do Esporte. Nasceu em 1851, quando o New York Yacht Club desafiou o Royal Yacht Squadron da Grã-Bretanha para um evento de Iatismo, a se realizar na Ilha de Wight. Levou a taça, apelidada de “Auld Mug”, toda em prata lavrada, com 1m10 de altura e 45kg36 de peso, um veleiro dos Estados Unidos, o “America”, que ganhou o direito de exibir a preciosidade na sua sede até a edição seguinte da contenda. A ideia original: repetir o evento a cada quatro anos, sempre na sede do detentor da taça, contra um adversário de algum outro endereço.

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 Dificuldades óbvias de transporte adiaram uma segunda edição para 1870, quando o “Magic”, do mesmo NYYC, bateu o “Cambria” da GBR e manteve a “Auld Mug” em casa. O bis do sucesso propiciou aos norte-americanos o rebatismo da taça, que se tornou “America’s Cup”. Pois neste ano de 2017 a contenda celebra a sua 35ª edição. Apenas em 1987 o Royal Perth Yacht Club, com o barco “Australia II”, interrompeu a série de triunfos dos EUA. Desde então, houve cinco ganhadores norte-americanos, dois neozelandeses e dois suíços – embora longe do mar, os helvéticos têm a sua  Société Nautique de Genève.

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 Em 2010, coube ao “Oracle USA-17”, do Golden Gate Yacht Club de San Francisco, da Califórnia, arrebatar a “Auld Mug” num duelo contra o então portador da taça, o “Alinghi 5” da Suíça. Peculiaridade da competição: o detentor dispõe do direito regulamentar de definir a sede e o formato da disputa. O “Alinghi 5”, então, optou pelas águas de Valência, na Espanha, e por catamarãs de dois cascos, numa melhor de três regatas. Perdeu do “Oracle USA -17” por 0 X 2. Para 2013, os norte-americanos, na sua San Francisco, mantiveram o conceito dos cascos duplos mas determinaram que abiscoitaria a “Auld Mug” quem somasse nove vitórias. Incrível, fantástico: diante do “Aotearoa Emirates” da Nova Zelândia, chegaram a ficar atrás, no placar, 1 X 8. E reviraram aos 9 X 8.

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Agora, aberta neste sábado, 17 de Junho, a “America’s Cup” exibirá, novamente, um duelo entre um barco do Team Oracle e um “Emirates” da Nova Zelândia. Os norte-americanos selecionaram, como sua sede, o mar do Great Sound do arquipélago das Bermudas, de ventos mutantes da manhã até a tarde. Ainda catamarãs de dois cascos, entre 13m72 e 15m25 de comprimento, cada um dos adversários custou o equivalente a R$ 200 milhões, sem contar os seus gastos de campanha. Obviamente moderníssimos na sua tecnologia, ostentam hidrofólios móveis e bolinas retráteis, maravilhas que lhes permitem navegar a cerca de até um metro acima da superfície. Ou que lhes permitem literalmente voar. Moderníssimos? Em termos. As regras impostas pelo Team Oracle vetaram as comunicações com terra e os computadores a bordo.

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Claro, até chegarem às Bermudas os antológicos rivais se prepararam exaustivamente. O Team Oracle, porém, usou a sua prerrogativa de estabelecer os regulamentos de um modo absurdamente egoísta. Pôde treinar com um barco de reserva, enquanto que os oponentes da Nova Zelândia não mereceram o direito de um suplente. A contenda vai se estender até que um veleiro acumule sete sucessos. E quem me lê imagina a velocidade que essas máquinas de aproveitar os ventos conseguem atingir? Acredite, sim, acredite nesta insanidade: na casa dos 100km/hora...

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