160202 SBC trophy.jpg.CROP.promo xlarge2 Incrível, fantástico, enciclopédico! No Superbowl 51, o triunfo mirabolante dos Patriots de Tom Brady.

Acredite, se quiser. Mas, no final dos anos 60, por falta de algum acordo comercial, nem sempre se exibiam, ao vivo, aos domingos, jogos de Futebol pela TV. A Rede Tupi, que se extinguiria, falida, em 1980, era a poderosa do período. E escolheu uma alternativa arriscadíssima para preencher as tardes vazias: apresentar, em teipe, os cotejos do Futebol Americano. Como narrador, se valeu da versatilidade de Walter Silva (1933-2009), apelidado “Pica-Pau”, também radialista, disc-jóquei, produtor de musicais e repórter de campo.  

Um sucesso que eu invariavelmente saboreava. Daí, em 1972, quando me transferi à Califórnia/EUA, bolsista da Universidade de Stanford, mereci o prazer de desfrutar, até mesmo nos estádios da região, as pelejas de um time que havia escolhido como o meu predileto: aquele dos Raiders, instalado na vizinha municipalidade de Oakland.

Era um time excelente. Tanto que chegou aos playoffs, contra os Steelers de Pittsburgh. Liderados pelo precioso quarterback Ken Stabler, os Raiders venciam por 7 X 6 quando, a 22 segundos antes do final, o miraculoso Terry Bradshaw tentou um passe maluco. O esperto Jack Tatum interceptou e a oval caiu ao chão. Pelas regras, posse de Oakland, que ganharia o combate. No entanto, o robusto Franco Harris, de Pittsburgh, capturou a pelota e zarpou até o touchdown. Não adiantaram os justos protestos dos Raiders. Numa decisão ultra-polêmica, ainda hoje digna de infinitos replays, os árbitros concederam seis pontos aos Steelers, que ainda cravaram o tiro extra e eliminaram os adversários, 13 X 7.

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Stabler

Mesmo frustradérrimo, eu não abandonei o gosto pelos Raiders. Em 1976, graças a um rádio de ondas curtas, testemunhei à distância, no Superbowl X, o seu primeiro triunfo histórico, 32 X 14 nos Vikings de Minnesota, o astro Stabler como quarterback. Em 1980, viajei até New Orleans para presenciar os 27 X 10 de Oakland sobre os Eagles de Philadelphia – uma atuação excepcional de Jim Plunkett, um quarterback originário de Stanford. E, em 1983, estive na Flórida, em Tampa, quando os Raiders do running back Marcus Allen literalmente esmigalharam os Redskins de Washington/DC por 38 X 9. 

No percurso, décadas de 80/90, ao lado de Jota Júnior e do saudoso Marco Antonio Mattos (1938-2004), tive o privilégio de comentar o Futebol Americano na Band. Com o mago Luciano do Valle (1947-2014) eu participei de várias edições do Superbowl. Com Everaldo Marques e Paulo Antunes, na ESPN, a NFL e os universitários dos EUA. E eis que agora, inusitadamente, pela primeira vez desde 2002, um elenco de Oakland por muito pouco não retorna ao grande clássico. Caiu nos playoffs, limitado ao terceiro quarterback, o calouro Connor Cook, atropelado pelos Houston Texans, 14 X 27 – os titulares, Derek Carr ou Matt McGloin, tinham se machucado e, obviamente, não atuaram.

A frustração de rooter, de torcedor, porém, não impediu que, nesta noite de 5 de Fevereiro, eu me aboletasse diante da transmissão do Superbowl LI, ou 51. Principalmente porque o duelo, em Houston, anteporia os Falcons de Atlanta, donos do melhor ataque da temporada regular (11 sucessos a 5, a média excelente de 33,8 pontos), aos Patriots de New England (14-2, só 15,6 sofridos). Sem dizer, ainda, que a pugna ofereceria a possibilidade de Tom Brady, já nos 39 de idade, somar mais um título aos abiscoitados em 2001, 2003, 2004 e 2014. Ele, o Brady maridão da luminosa, estratosférica Gisele Bundchen. 

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Tom & Gi

Em quatro de cinco ocasiões equivalentes do passado a equipe da melhor defesa prevaleceu sobre a da ofensiva superior. Uma chance estatística dos Falcons, que nunca, antes, subiram ao topo do pódio. Os estrelados: com seis troféus, os Steelers; com quatro, além dos Patriots, os San Francisco 49ers e os Dallas Cowboys; com três, além dos Raiders, os Redskins e os Denver Broncos. Também em busca de um recorde despontava Bill Bellichick, o head coach dos Patriots, seis conquistas no currículo, como Neal Dahlen, que brilhou nos 49ers e nos Broncos. 

Contra Brady se propôs Matt Ryan, o quarterback dos Falcons, o MVP, Most Valuable Player, da temporada normal. Nesse caso, porém, uma estatística desfavorável: desde 2002, o time do MVP desembarcou sete vezes no Superbowl. E sucumbiu em todas. Curiosidade: no duelo de Houston, Brady e Ryan demoraram a se destacar. Apenas no segundo quarto, a 12’20” do intervalo, Ryan estendeu a oval ao agilérrimo Devonta Freeman, que galopou no rumo do touchdown. Convertido o tiro extra, Atlanta abriu uma folga de 7 X 0. Conseguiria a sua retaguarda, daí, conter o feitiço insinuante, magnetizante de Brady? 

Pelo contrário, a 8’55” Ryan completaria um passe de dezenove jardas para Austin Hooper, novo tiro extra sem desvio e placar em 14 X 0. Uma outra estatística crucial: jamais, antes, num Superbowl, um time se consagrou ao suplantar tal prejuízo. Um estrago que cresceu aos 2'36" quando Brady, ineditamente na sua carreira em desfechos de temporada, propiciou uma interceptação a Robert Alford, um sprint impiedoso de 82 jardas, 21 X 0. Quem apostaria numa enxurrada avassaladora dos Falcons? Aos 0’5” os Patriots reduziriam insignificantemente os seus danos com um field goal de Stephen Gostkowski, 3 X 21. E se recolheram aos seus vestiários com o amargor de uma performance dolorosa de Brady, bem abaixo do habitual, quinze lançamentos certos em 25 tentativas, 60% de aproveitamento. 

Matt Ryan 8 Incrível, fantástico, enciclopédico! No Superbowl 51, o triunfo mirabolante dos Patriots de Tom Brady.

Ryan

O massacre prosseguiu no terceiro quarto. Aos 8’38”, um passe de Ryan, oito jardas, permitiu o touchdown a Tevin Coleman e o marcador escalou os 28 X 3. New England acalentaria algum alívio aos 2’12”, graças a um passe de Brady, cinco jardas, para James White. Azar, contudo, o pé de Gostkowski se complicou no tiro extra, meros 9 X 28 pontos no telão. Azar? Bem, no quarto definitivo o panorama se modificaria emocionantemente. Aos 9’48” Gostkovski realizou um field goal, 12 X 28. Aos 8’31” New England recuperou um fumble. Aos 6’00”, para a festa da Bundchen, na tribuna, Brady se conectou a Danny Amendola, cinco jardas. Então, ao invés do tiro extra, optou pela audácia da corrida de White, mais dois pontos e 20 X 28. 

Claro, sobrava tempo para uma reprise da ousadia. Desde que os Patriots se re-apoderassem da pelota. Desde? Pois coube a Ryan fraquejar no limiar de um no touchdown. E Brady não titubeou. Levou os seus companheiros aos 26 X 28, aos 0’57”, mergulho de White e, de novo ao invés do tiro extra, uma corrida, dois pontos de Amendola, 28 X 28. Incrível, fantástico, enciclopédico. Prorrogação. A primeira em 51 edições do Superbowl. Excepcional Tom Brady, conduziu os seus colegas a uma campanha de 75 jardas em 3’52” e até o touchdown fatal de White, 34 X 28, na maior virada de todos os tempos na modalidade. Waal!

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MVP da porfia? Logicamente, ele, o felicíssimo maridão da Bundchen, 43/62, ou 69% de passes no alvo. 28/37 (ou 76%) no segunto tempo fabuloso. Waal! Waal!

 

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