Sepang, um GP absolutamente maluco

f1 Sepang, um GP absolutamente maluco

Webber, Vettel e Hamilton subiram ao pódio no GP da Malásia

Aconteceu quase de tudo no GP da Malásia 2013.

Quase porque, apesar de uma incrível comédia de erros, debaixo de chuva ou com pista seca, ao menos não ocorreu nenhum acidente.

Fernando Alonso espatifou as duas asas dianteiras da sua Ferrari, saiu da pista e abandonou a prova antes de completar uma única volta.

Patético. Era o seu GP de número duzentos...

Numa troca de pneus, Lewis Hamilton, ex-McLaren, hoje Mercedes, se esqueceu de que havia mudado e foi ao box da antiga escuderia.

Os mecânicos da Mercedes não resistiram – e gargalharam publicamente.

No Twitter, a McLaren ironizou: “Lewis, esta casa é sua...”

Houve batidas de máquinas de uma mesma equipe. Na pista e no box.

Houve mais uma falha da Ferrari, fatal para Felipe Massa.

E, por pouco, Sebastian Vettel e Mark Weber, ambos da Red Bull, não se entregaram aos tapas na saleta de acesso ao pódio.

Sinceramente, ri bastante com os erros e as confusões.

Mas, me frustrei pelo solitário brasileiro desta temporada.

Acompanho o automobilismo desde a década de 50, quando meu pai me levava a Interlagos para testemunhar provas de carreteras e de baratinhas. Construí, naqueles tempos, um quinteto de ídolos inesquecíveis.

Camillo Christófaro (1928-1994)

Celso Lara Barberis (1916-1963)

Chico Landi (1907-1989)

Christian Heins (1935-1963)

Cyro Cayres (1932-1999)

Curiosamente, todos os nomes começados pela letra “C”.

Depois, a partir da década de 70, já com a Fórmula-1 cada vez mais popular universalmente, despontaram três astros de nomes acabados em “on”.

Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna.

Todos eles campeões do planeta.

Fittipaldi em 1972 e 1974.

Piquet em 1981, 1983 e 1987.

Senna em 1988, 1990 e 1991.

Profissional do jornalismo esportivo a partir de 1970, quando cobri a Copa do México para a revista “Veja”, no automobilismo em vivi sensações de matizes bem diferentes daquelas do futebol.

Em 1973, diretor de um programa de entrevistas na TV Bandeirantes, graças à ajuda de um colega, Fernando Sandoval, amigo dos três, consegui colocar, no mesmo palco, Émerson, seu mano Wílsinho e José Carlos Pace, que se aprestavam a disputar o GP do Brasil naquela temporada.

Um orgulho.

Posteriormente, no começo da década de 80, no “Show da Noite”, outro programa de entrevistas, na TV Record, dividi a bancada com um pioneiro dos motores no País, o Barão Fittipaldi, pai de Émerson e de Wilsinho.

Mais um orgulho.

Até que, no dia 1° de Maio de 1994, passei por um dos momentos mais tristes de minha carreira na mídia. Era comentarista do Calcio na Band. E, pelo sinal de satélite que a emissora recebia da RAI, soube da morte de Senna, um acidente maldito no GP de San Marino, em Ìmola.

“Silenzio elètrico”, escutei – “Silêncio elétrico”.

Passei a informação a Elia Júnior, que comandava o “Show do Esporte”.

“Que significa isso?” – ele me perguntou.

Eu me aproximei do microfone e expliquei, quase sem voz:

“Significa que o cérebro do Ayrton parou de funcionar”.

Uma notícia que até hoje me persegue.

Uma notícia que eu jamais imaginaria transmitir ao Brasil.

A Band se antecipou à Globo em mais de meia-hora...

Um furo. Naquele instante, porém, eu preferiria estar na África.

Para este domingo, eu sonhava com uma notícia mais alegre e feliz.

A primeira vitória de Felipe Massa desde o GP do Brasil em 2008.

Desde 2 de Novembro daquele ano.

Havia enormes esperanças.

Felipe largaria na primeira fila, ao lado de Sebastian Vettel.

O atual campeão do planeta. Aliás, tricampeão.

Desafortunadamente, não deu.

No GP mais maluco que testemunhei em meio século, Felipe se limitou a uma quinta colocação – prejudicado pela brigada de box da Ferrari que o fez se atrasar em cerca de quinze segundos numa troca de pneus.

Um retardo que lhe custou, talvez, a terceira colocação.

De todo modo, Felipe foi espetacular no desfecho da prova.

Realizou três vezes a volta mais rápida.

E, na tabela do certame, abriu quatro pontos à frente de Alonso.

Paralelamente, num final bem doido, com batalhas agressivas entre pilotos de mesmos times, pelo terceiro lugar duelaram Hamilton e Nico Rosberg da Mercedes; pelo topo do pódio, Vettel e Weber da Red Bull.

Hamilton segurou Rosberg e ficou com o terceiro lugar.

Numa manobra insidiosa, Vettel sobrepujou Weber e ficou com o topo do pódio. Nos bastidores, Weber protestou veementemente contra Vettel. Daí, no pódio, de cara fechada, se recusou a cumprimentar o companheiro.

Um desfecho digno para um GP absolutamente maluco.

Promessa de uma temporada memorável.

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